Bia Kicis reforça oposição a Lula na disputa pelo Senado no DF
Candidata ao Senado pelo PL do Distrito Federal afirma que eleição de outubro será oportunidade para mudar rumos do país, critica governo Lula, carga tributária, segurança pública e atuação do STF
Bruno Goulart
Em entrevista ao programa Momento Político, do O HOJE, conduzida pelo jornalista Wilson Silvestre, em Brasília, a candidata ao Senado pelo Distrito Federal Bia Kicis (PL) colocou a oposição ao presidente Lula da Silva (PT) como um dos principais pontos de sua campanha. Ao falar sobre a eleição de outubro, a deputada federal afirmou que considera o dia 4 de outubro uma oportunidade para o eleitor “virar essa chave” e mudar os rumos do país. Na avaliação apresentada pela candidata, o Brasil enfrenta problemas econômicos, de segurança pública e de segurança jurídica.
Bia Kicis afirmou que o cenário atual é marcado, na visão dela, por dificuldades para a população e por uma atuação que considera excessiva do Supremo Tribunal Federal. A candidata também criticou a relação entre o STF e o governo federal. “O Supremo que está governando o país junto com o Lula, ou melhor, desgovernando o nosso país”, declarou durante a entrevista. A avaliação faz parte do discurso de oposição adotado pela parlamentar, que defende mudanças na composição política do Congresso e a eleição de representantes alinhados ao campo conservador.
Ao tratar diretamente do presidente Lula, Bia Kicis fez críticas à política econômica e aos programas sociais associados ao PT. A candidata afirmou que o governo estaria ampliando a dependência da população em relação ao Estado e resumiu sua crítica ao presidente dizendo que “Lula é pai dos pobres mesmo, ele prolifera os pobres”. A parlamentar também questionou a condução da economia e afirmou que o aumento da carga tributária estaria prejudicando empresas, trabalhadores autônomos e prestadores de serviço.
Nesse sentido, Bia Kicis comparou a política tributária do governo Lula com a adotada durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo a deputada, Bolsonaro teria demonstrado que seria possível aumentar a arrecadação mesmo com redução de impostos. Na avaliação da candidata, o governo atual estaria seguindo caminho contrário, com aumento da tributação. “Sufoca as pessoas aumentando o imposto”, afirmou.

A candidata também relacionou a política tributária ao fechamento de empresas e à saída de investimentos do país. Bia Kicis citou grandes empresas que, segundo ela, enfrentam dificuldades financeiras ou avaliam operações fora do Brasil. A deputada mencionou casos de recuperação judicial e afirmou que empresas brasileiras estariam buscando países como o Paraguai para continuar suas atividades.
Sobre o tema, Bia Kicis citou uma proposta atribuída ao senador Flávio Bolsonaro (PL) para suspender por um ano a aplicação da reforma tributária. Segundo ela, a medida seria necessária para permitir uma avaliação mais detalhada dos efeitos da mudança. A candidata afirmou que trabalhadores autônomos e prestadores de serviço podem ser especialmente afetados pelo aumento da carga tributária. A reforma, no entanto, possui cronograma próprio de regulamentação e transição, e a avaliação sobre seus impactos é objeto de debate entre governo, Congresso, empresas e especialistas.
Além da economia, a segurança pública apareceu entre os principais temas abordados na entrevista. No caso do feminicídio, a candidata afirmou que políticas preventivas são importantes, mas sustentou que o principal problema estaria na execução das penas. Bia Kicis defendeu que pessoas condenadas por violência contra mulheres sejam submetidas a acompanhamento mais efetivo após deixarem o sistema prisional. A parlamentar também citou uma lei que, segundo ela, criou um cadastro nacional de pessoas condenadas por crimes como estupro, violência e pedofilia. Na entrevista, Kicis afirmou que o governo Lula ainda não teria implantado o cadastro da forma prevista.
“Presos políticos”
A candidata classificou como preocupante o que considera uma escalada de perseguição política e afirmou que o país precisa de parlamentares dispostos a enfrentar decisões do STF. Entre as medidas que defende estão a possibilidade de impeachment de ministros da Corte e uma anistia ampla para condenados e presos relacionados aos atos políticos recentes. Ao defender essa posição, Bia Kicis afirmou que existem “presos políticos” no Brasil.
No campo local, Bia Kicis também apresentou propostas para problemas enfrentados pela população do Distrito Federal. Ao falar de Ceilândia, a candidata apontou a saúde como uma das principais demandas da região. Ela defendeu a ampliação de hospitais e unidades de atendimento e afirmou que há longas filas na rede pública. Segundo Kicis, durante seu mandato como deputada federal, foram destinados R$ 120 milhões para a área da saúde no DF, incluindo recursos para equipamentos, unidades de terapia intensiva e reformas.
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A mobilidade urbana também foi citada como um dos principais problemas de Ceilândia e de outras regiões do Distrito Federal. Bia Kicis apresentou como proposta o chamado “Metrô Expresso”, projeto que, segundo ela, poderia utilizar a estrutura ferroviária existente para ampliar o transporte de passageiros entre cidades do Entorno e Brasília. A parlamentar citou especialmente a ligação entre Luziânia e o Distrito Federal.
De acordo com a candidata, a operação poderia contar com participação privada e não dependeria diretamente de grandes aportes de recursos públicos. Kicis afirmou que a estrutura para a ligação com Luziânia estaria praticamente pronta e que a implantação dependeria da superação de questões burocráticas. A proposta, segundo ela, poderia reduzir a pressão sobre o transporte rodoviário e melhorar a conexão entre as chamadas cidades-dormitório e a capital federal.
Outro ponto destacado por Bia Kicis foi o apoio ao setor produtivo do Distrito Federal. A candidata afirmou ter destinado recursos para a agricultura familiar durante sua passagem pela Câmara dos Deputados e disse ser chamada de “madrinha do agro” por produtores locais. A parlamentar também defendeu políticas de incentivo à geração de empregos, ao investimento privado e ao empreendedorismo.
Atuação
Ao longo da entrevista, Bia Kicis apresentou sua atuação parlamentar como voltada à defesa de pautas conservadoras. Ela afirmou que seu trabalho no Congresso combina atuação em plenário, elaboração de projetos e destinação de recursos para áreas consideradas prioritárias. Entre os temas citados estão agricultura, saúde, segurança, geração de empregos e redução da carga tributária.
A disputa pelo Senado no Distrito Federal ocorre em um cenário com 13 candidaturas registradas e duas vagas em disputa. Além de Bia Kicis e Michelle Bolsonaro, estão na corrida nomes como Erika Kokay (PT), Leila do Vôlei (PDT), Sebastião Coelho (Novo) e outros candidatos.
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