terça-feira, 7 de julho de 2026
GUERRA NO ORIENTE MÉDIO

Trump recua e cancela ataques após nova escalada no Irã

Republicano afirmou haver avanços nas negociações com Teerã horas após prometer uma nova ofensiva “com muita força”

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 11 de junho de 2026
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Trump afirmou que negociadores chegaram a um consenso sobre os "pontos finais" de um acordo de paz (Foto: Daniel Torok/ Casa Branca)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou da ameaça de promover uma nova ofensiva militar contra o Irã e anunciou, nesta quinta-feira (11), o cancelamento dos ataques que estavam programados para ocorrer horas depois. A decisão foi divulgada pelo republicano em uma publicação na rede Truth Social, na qual afirmou que negociadores chegaram a um consenso sobre os “pontos finais” de um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.

Segundo Trump, as conversas foram conduzidas “ao mais alto nível da liderança iraniana” e receberam aprovação das partes envolvidas. “Considerando que as discussões com a República Islâmica do Irã foram levadas ao mais alto nível da liderança iraniana e aprovadas, eu, como Presidente dos Estados Unidos da América, cancelei os ataques e bombardeios programados contra o Irã para esta noite”, escreveu.

O presidente norte-americano afirmou ainda que os termos do entendimento foram aprovados por Estados Unidos, Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Turquia, Paquistão, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Egito e outros participantes das negociações. Apesar disso, não esclareceu se houve concordância formal do governo iraniano. Até a última atualização desta edição, Teerã não havia se pronunciado sobre o anúncio.

Trump informou que o bloqueio naval permanecerá em vigor até a assinatura definitiva do acordo. “A data e o local da assinatura serão anunciados em breve”, declarou.

 

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Trump prometeu ataque “com muita força” horas antes

O recuo ocorreu poucas horas após o presidente norte-americano endurecer o tom contra o Irã. Mais cedo, ele havia prometido novos bombardeios “com muita força” e sugerido que os Estados Unidos poderiam assumir o controle da Ilha de Kharg, considerada estratégica para a economia iraniana por concentrar cerca de 90% das exportações de petróleo do país.

“Em algum momento num futuro não muito distante, tomaremos a Ilha de Kharg e outros pontos de infraestrutura petrolífera e assumiremos o controle total de seus mercados de petróleo e gás, assim como fizemos com a Venezuela”, afirmou Trump na Truth Social. Em entrevista à emissora Fox News, ele reforçou que sua preferência seria controlar a ilha, embora dissesse manter negociações em andamento com autoridades iranianas.

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e secretário de Estado, Marco Rubio (Foto: Daniel Torok/ Casa Branca)

Teerã afirmou que guerra se tornaria “mais generalizado”

A reação do Irã foi imediata, o Comando militar conjunto supremo do país advertiu que os Estados Unidos “receberão uma resposta mais severa do que antes” caso os ataques fossem concretizados. As Forças Armadas iranianas afirmaram que o “fogo da guerra se tornará mais generalizado e extenso, causando insegurança na região”. Sobre as ameaças envolvendo o setor energético, acrescentaram: “ou as exportações de petróleo e gás serão para todos, ou não estarão disponíveis para ninguém”.

A nova escalada entre os dois países teve início na terça-feira (9), apesar da existência de um acordo de cessar-fogo firmado em abril. Após a queda de um helicóptero militar norte-americano durante um sobrevoo no Estreito de Ormuz, Trump acusou o Irã de ter atacado a aeronave e prometeu retaliação.

Naquela noite, os Estados Unidos bombardearam sistemas de defesa iranianos e radares em Ormuz. O Irã respondeu com ataques a uma base norte-americana no Bahrein. Na quarta-feira (10), novos bombardeios dos EUA foram seguidos pelo lançamento de mísseis iranianos em direção a países do Golfo Pérsico. Teerã também anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e declarou que a intensificação do conflito tornou o cessar-fogo “sem sentido”, além de dificultar as negociações por um acordo de paz. 

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