GUERRA NO ORIENTE MÉDIO

Trump recua e cancela ataques após nova escalada no Irã

Republicano afirmou haver avanços nas negociações com Teerã horas após prometer uma nova ofensiva “com muita força”

Lalice Fernandespor em
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Trump afirmou que negociadores chegaram a um consenso sobre os "pontos finais" de um acordo de paz (Foto: Daniel Torok/ Casa Branca)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou da ameaça de promover uma nova ofensiva militar contra o Irã e anunciou, nesta quinta-feira (11), o cancelamento dos ataques que estavam programados para ocorrer horas depois. A decisão foi divulgada pelo republicano em uma publicação na rede Truth Social, na qual afirmou que negociadores chegaram a um consenso sobre os “pontos finais” de um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.

Segundo Trump, as conversas foram conduzidas “ao mais alto nível da liderança iraniana” e receberam aprovação das partes envolvidas. “Considerando que as discussões com a República Islâmica do Irã foram levadas ao mais alto nível da liderança iraniana e aprovadas, eu, como Presidente dos Estados Unidos da América, cancelei os ataques e bombardeios programados contra o Irã para esta noite”, escreveu.

O presidente norte-americano afirmou ainda que os termos do entendimento foram aprovados por Estados Unidos, Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Turquia, Paquistão, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Egito e outros participantes das negociações. Apesar disso, não esclareceu se houve concordância formal do governo iraniano. Até a última atualização desta edição, Teerã não havia se pronunciado sobre o anúncio.

Trump informou que o bloqueio naval permanecerá em vigor até a assinatura definitiva do acordo. “A data e o local da assinatura serão anunciados em breve”, declarou.

 

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Trump prometeu ataque “com muita força” horas antes

O recuo ocorreu poucas horas após o presidente norte-americano endurecer o tom contra o Irã. Mais cedo, ele havia prometido novos bombardeios “com muita força” e sugerido que os Estados Unidos poderiam assumir o controle da Ilha de Kharg, considerada estratégica para a economia iraniana por concentrar cerca de 90% das exportações de petróleo do país.

“Em algum momento num futuro não muito distante, tomaremos a Ilha de Kharg e outros pontos de infraestrutura petrolífera e assumiremos o controle total de seus mercados de petróleo e gás, assim como fizemos com a Venezuela”, afirmou Trump na Truth Social. Em entrevista à emissora Fox News, ele reforçou que sua preferência seria controlar a ilha, embora dissesse manter negociações em andamento com autoridades iranianas.

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e secretário de Estado, Marco Rubio (Foto: Daniel Torok/ Casa Branca)

Teerã afirmou que guerra se tornaria “mais generalizado”

A reação do Irã foi imediata, o Comando militar conjunto supremo do país advertiu que os Estados Unidos “receberão uma resposta mais severa do que antes” caso os ataques fossem concretizados. As Forças Armadas iranianas afirmaram que o “fogo da guerra se tornará mais generalizado e extenso, causando insegurança na região”. Sobre as ameaças envolvendo o setor energético, acrescentaram: “ou as exportações de petróleo e gás serão para todos, ou não estarão disponíveis para ninguém”.

A nova escalada entre os dois países teve início na terça-feira (9), apesar da existência de um acordo de cessar-fogo firmado em abril. Após a queda de um helicóptero militar norte-americano durante um sobrevoo no Estreito de Ormuz, Trump acusou o Irã de ter atacado a aeronave e prometeu retaliação.

Naquela noite, os Estados Unidos bombardearam sistemas de defesa iranianos e radares em Ormuz. O Irã respondeu com ataques a uma base norte-americana no Bahrein. Na quarta-feira (10), novos bombardeios dos EUA foram seguidos pelo lançamento de mísseis iranianos em direção a países do Golfo Pérsico. Teerã também anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e declarou que a intensificação do conflito tornou o cessar-fogo “sem sentido”, além de dificultar as negociações por um acordo de paz. 

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