sexta-feira, 23 de outubro de 2026
GAZA

Finkelstein afirma que Israel restaurou o ódio aos judeus

Cientista político americano afirma que ações de Tel Aviv em Gaza contribuíram para ampliar hostilidade contra judeus

Lalice Fernandespor em
Finkelstein
Norman Finkelstein diz que Israel perdeu a opinião pública em um mês após o início dos ataques em Gaza (Foto: Reprodução/ @normfinkelstein)

O cientista político norte-americano Norman Finkelstein afirmou que Israel contribuiu para o crescimento do ressentimento contra judeus em diferentes partes do mundo e responsabilizou as ações do Estado israelense em Gaza pela deterioração da imagem do país no cenário internacional. A declaração foi dada em entrevista à Folha de S.Paulo durante passagem pelo Brasil para o relançamento de seu livro “A Indústria do Holocausto”.

Filho de sobreviventes do Holocausto e conhecido por suas críticas à política israelense em relação aos palestinos, Finkelstein sustenta que a guerra em Gaza e a atuação de organizações judaicas na defesa de Israel ajudaram a ampliar sentimentos antijudaicos. Segundo ele, parte da reação observada atualmente é consequência da associação promovida entre o Estado israelense e o povo judeu.

Ao comentar o aumento de ataques contra judeus e sinagogas em diversos países, o cientista político afirmou que existe “raiva e ressentimento” direcionados aos judeus por causa da ofensiva israelense em Gaza. “Uma das maiores conquistas de Israel foi conseguir restaurar o ódio do mundo pelos judeus”, declarou à Folha.

Em abril, dois homens judeus foram esfaqueados na região norte de Londres. Na época, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, descreveu o ataque como “absolutamente terrível”. “Sejamos francos, este não é um incidente isolado. Houve uma série de ataques antissemitas” afirmou Starmer. Antes desse caso em dezembro de 2025, um ataque terrorista durante a celebração do festival judaico de Chanucá, na Austrália, deixou 15 pessoas mortas e dezenas de feridos.

 

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Durante a entrevista, Finkelstein argumenta que Israel perdeu grande parte do apoio da opinião pública internacional após o início da guerra desencadeada pelos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. Segundo ele, “depois do 7 de outubro, em um mês, Israel havia perdido a opinião pública”. O acadêmico também afirmou que a estratégia de relacionar os acontecimentos ao Holocausto nazista perdeu força à medida que cresceram as acusações contra a campanha militar israelense em Gaza.

Durante a conversa, o cientista político também comentou sobre as acusações de crimes de guerra envolvendo Israel e o Hamas. Embora tenha reconhecido que “atrocidades de magnitude significativa ocorrem” durante os ataques realizados pelo grupo palestino, afirmou que não se considera em posição moral para repreender os habitantes de Gaza. “Não sinto que tenho estatura moral para repreender o Hamas ou para dar lições a eles sobre direitos humanos”, declarou.

Finkelstein
Faixa de Gaza (Foto: Emad El Byed/ Unsplash)

Finkelstein afirma que ‘não há futuro’ para Gaza

Finkelstein também traçou um cenário pessimista para o futuro de Gaza. “Não há futuro. Acabou”, disse. Segundo ele, a população palestina está sendo progressivamente confinada a uma área cada vez menor do território, o que poderá provocar novas ondas de deslocamento.

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, desde o início do conflito 71 mil palestinos foram mortos em Gaza. O número equivale a cerca de 3,5% da população do território antes do início dos confrontos. A guerra em Gaza se iniciou quando o Hamas atacou Israel, deixando mataram 1,2 mil israelenses.

Ao voltar ao tema do antissemitismo, Finkelstein contestou parte dos relatórios que apontam crescimento dos casos em universidades norte-americanas, mas reconheceu a existência de hostilidade contra judeus. Para ele, o problema está diretamente ligado à identificação entre Israel e o povo judeu e às tentativas de impedir críticas ao governo israelense. “Você colhe o que plantou”, afirmou.

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