ONU alerta para El Niño potencialmente extremo e anuncia ajuda a países vulneráveis
Fenômeno pode atingir intensidade sem precedentes no fim de 2026, com anomalia de até 3,8°C na temperatura da superfície do Pacífico. Organização mobilizará mais de US$ 50 milhões para apoiar 11 países
A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu, nesta quarta-feira (21/10), medidas urgentes para proteger as populações mais vulneráveis aos efeitos do El Niño. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o fenômeno pode alcançar intensidade sem precedentes, com temperaturas da superfície do Oceano Pacífico até 3,8°C acima da média em determinadas medições, aumentando o risco de secas, inundações e outros impactos climáticos.
O alerta foi feito pela secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, durante uma reunião com o chefe de operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher, em Genebra. Saulo afirmou que o episódio pode superar os limites das escalas de monitoramento utilizadas atualmente e alcançar sua intensidade máxima no fim de 2026. Mesmo depois do pico, os efeitos devem persistir por um período prolongado.
Fletcher advertiu que os impactos podem atingir com força a América Latina, a África Oriental e Austral, a Ásia e as ilhas do Pacífico. Além de comprometer a produção agrícola e o abastecimento de água, as alterações no regime de chuvas podem provocar perdas econômicas, deslocamentos populacionais e agravar conflitos. A ONU defende que os recursos de emergência sejam liberados antes da ocorrência dos desastres, permitindo que as comunidades se preparem com antecedência.
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Como parte da resposta, o organismo anunciou a mobilização de mais de US$ 50 milhões, cerca de R$ 250,6 milhões, por meio do Fundo Central de Resposta a Emergências do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha). Os recursos serão destinados a 11 países considerados especialmente expostos, entre eles Chade, El Salvador, Etiópia, Somália e Sudão do Sul.
A organização também destacou necessidades específicas em diferentes regiões. Somália, Etiópia e Quênia precisam de suprimentos antes da chegada de chuvas intensas, enquanto países do sul da África necessitam de sementes e apoio à criação de animais antes do encerramento dos períodos de plantio. Na América Central, a prioridade é preservar os meios de subsistência, e países da Ásia e do Pacífico devem se preparar para possíveis secas, enchentes e ciclones.
O El Niño é um fenômeno natural que ocorre, em geral, a cada dois a sete anos e envolve o aquecimento das águas superficiais do Pacífico equatorial, alterando os ventos e os padrões de precipitação em várias partes do mundo. A OMM ressalta, porém, que a intensidade do fenômeno, isoladamente, não determina a gravidade dos impactos em cada país, que também dependem de outros fatores climáticos, incluindo as condições dos oceanos Índico e Atlântico. As mudanças climáticas provocadas pela atividade humana podem ampliar os riscos associados a eventos extremos.
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