ONU alerta que compromissos climáticos podem levar o planeta a aquecimento de 2,6°C até 2100
Relatório aponta que as metas atuais estão distantes do Acordo de Paris e indica que emissões globais seguem próximas do recorde. Organização cobra cortes mais rápidos e expansão das energias renováveis
O mundo caminha para um aumento de 2,6°C na temperatura média global até o fim do século, caso os países cumpram integralmente os compromissos climáticos assumidos até agora. O alerta foi divulgado nesta quarta-feira (21/10) pela Organização das Nações Unidas (ONU), em relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
O estudo aponta que as medidas anunciadas pelos governos continuam insuficientes para cumprir as metas do Acordo de Paris, que prevê manter o aquecimento global bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, com esforços para limitar a elevação a 1,5°C. Segundo o documento, a possibilidade de alcançar o limite mais ambicioso foi comprometida por décadas de ações consideradas insuficientes.
As emissões globais de gases de efeito estufa em 2025 permaneceram praticamente no mesmo patamar recorde registrado em 2024. O relatório também destaca que o planeta já aqueceu cerca de 1,4°C em relação à era pré-industrial e que a marca de 1,5°C pode ser ultrapassada nos próximos anos. Cientistas alertam que cada fração adicional de aquecimento aumenta o risco de eventos extremos e de mudanças ambientais irreversíveis.
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Entre os seis maiores emissores mundiais, dados preliminares de 2025 indicaram aumento das emissões nos Estados Unidos, na Indonésia e na China, enquanto Índia, Rússia e União Europeia registraram reduções. Nos Estados Unidos, o acréscimo foi de 133 megatoneladas de dióxido de carbono equivalente, impulsionado pelo aumento da demanda por eletricidade e pela geração de energia a carvão. A coautora do estudo, Anne Olhoff, afirmou que a perspectiva global piorou em relação ao ano anterior, em parte devido à retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris e à revisão para cima de estimativas históricas de emissões.
Para manter uma chance de 50% de limitar o aquecimento a 1,5°C até 2100, o relatório aponta que seria necessário reduzir as emissões em 6% ao ano, todos os anos, até 2035, além de retirar grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para os impactos humanos e econômicos da crise climática, enquanto representantes de organizações ambientais criticaram a falta de ação política.
Apesar do cenário preocupante, o documento destaca avanços na expansão das energias renováveis. A capacidade global dessas fontes cresceu três vezes mais rápido do que o previsto, e a implantação da energia solar fotovoltaica se multiplicou por sete. Ainda assim, o Pnuma avalia que o progresso é insuficiente diante da persistência do uso de combustíveis fósseis e do desmatamento. A secretária executiva da organização, Inger Andersen, defendeu a instalação de mais 5 mil gigawatts de capacidade renovável nos próximos cinco anos.
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