segunda-feira, 6 de julho de 2026
Junho Verde

Junho Verde: 6 milhões de brasileiros têm escoliose e maioria é diagnosticada tarde demais

Fisioterapeuta alerta que sinais iniciais são sutis e que avanço tecnológico muda o cenário do diagnóstico e tratamento da condição

Luana Avelarpor Luana Avelar em 15 de junho de 2026
junho

Durante muito tempo, a escoliose foi tratada como um detalhe postural sem maiores consequências. Esse cenário começa a mudar, impulsionado pelo avanço da tecnologia médica e pelo aumento de informação entre famílias e profissionais de saúde.

Junho é o Mês de Conscientização da Escoliose, reconhecido internacionalmente como Junho Verde. A data reforça a urgência do diagnóstico precoce em um país onde, segundo a Sociedade Brasileira de Coluna, cerca de 6 milhões de pessoas convivem com algum grau da condição. A forma mais comum é a escoliose idiopática do adolescente, que surge entre os 10 e 18 anos, no período de crescimento acelerado. Estudos baseados em critérios da Scoliosis Research Society indicam que entre 2% e 4% das crianças e adolescentes apresentam a condição.

Os sinais iniciais costumam ser sutis: diferença na altura dos ombros, assimetria corporal, roupas que parecem tortas no corpo ou dores recorrentes nas costas.

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Para o fisioterapeuta Pedro Gurgel, a identificação precoce ainda é o principal gargalo. “Muitas famílias só descobrem quando a curvatura já avançou. No início, os sinais podem parecer apenas uma questão de postura ou fase de crescimento. O problema é que a escoliose tende a evoluir justamente durante o desenvolvimento do adolescente”, diz.

Tecnologia muda o diagnóstico

Hospitais e centros especializados passaram a investir em ferramentas que ampliam a precisão no acompanhamento da doença. Inteligência artificial, impressão 3D e escaneamento corporal vêm mudando a forma como a escoliose é monitorada e tratada, respondendo a uma demanda crescente por diagnósticos mais rápidos e procedimentos menos invasivos.

O mercado global de dispositivos para coluna movimenta cerca de US$ 15 bilhões e deve ultrapassar os US$ 20 bilhões na próxima década. “O comportamento das famílias mudou muito. Hoje existe pesquisa, comparação, interesse por novas tecnologias e preocupação com qualidade de vida no longo prazo. Isso também faz o mercado da saúde se movimentar mais rápido”, afirma Gurgel.

O velocista Usain Bolt ajudou a ampliar a conscientização sobre o tema ao revelar ter enfrentado a escoliose desde a infância. Com acompanhamento especializado e fortalecimento muscular, construiu uma das carreiras mais vitoriosas do atletismo mundial.

“Quando o diagnóstico acontece cedo, o paciente ganha tempo, alternativas e qualidade de vida. Em muitos casos, isso evita procedimentos mais complexos no futuro e reduz os impactos emocionais em uma fase muito sensível da vida”, conclui Gurgel.

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