sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Eleições 2026

Senado ganha protagonismo diante da polarização Lula e Flávio Bolsonaro

Renovação de dois terços da Casa Alta tem novos contornos em razão dos objetivos políticos tanto do bolsonarismo quanto dos petistas

Thiago Borgespor em
Senado ganha protagonismo diante da polarização Lula e Flávio Bolsonaro
Disputa pelo Senado ganhou protagonismo pelos diferentes objetivos dos grupos políticos de Lula e Flávio | Fotos: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr e Edilson Rodrigues/Agencia Senado

A polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o bolsonarismo, dessa vez representado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na disputa presidencial alterou também a dinâmica da renovação de dois terços do Senado Federal nas eleições de outubro. 

A disputa pela maioria na Casa Alta ganhou protagonismo em razão dos objetivos do campo político chefiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pela resistência que Lula encontrou na Casa em seu terceiro mandato presidencial. 

De um lado, as lideranças bolsonaristas enxergam na Casa Alta a oportunidade de fazer frente às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Eleger maioria no Senado está na mira do clã Bolsonaro, sobretudo, pela atribuição exclusiva da Casa de analisar pedidos de impeachment contra ministros da Suprema Corte, pauta que mobiliza setores da direita. 

Para o cientista político Jones Matos, ouvido pela reportagem do O HOJE, a estratégia bolsonarista está claramente definida. “A tese e objetivo do bolsonarismo é construir maioria no Senado para fazer impeachment de ministros do STF. Esse parece ser o foco principal desse grupo político”, afirma.

A avaliação é compartilhada pelo professor aposentado da Universidade Federal de Goiás (UFG), Pedro Célio, que observa uma mudança no comportamento do eleitorado diante da relevância institucional do Senado. Segundo o professor, o “histórico obscurecimento da eleição para a Casa não deve se repetir” neste ano.

“Essa mensagem veio principalmente do bolsonarismo, obcecado por formar maioria entre os senadores para barrar decisões do STF e até mesmo para acionarem o impedimento de alguns dos ministros da Suprema Corte”, pontua Célio em entrevista ao O HOJE.

Leia mais: PGR rejeita nova proposta de delação de Daniel Vorcaro e decisão final fica com o STF

Episódios recentes

Além da ofensiva conservadora, episódios recentes reforçaram a importância do Senado para o governo federal. A rejeição do nome do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para uma vaga no STF e as dificuldades enfrentadas pelo Executivo em pautas consideradas prioritárias evidenciaram o peso da Casa na governabilidade.

“As enormes repercussões políticas desses episódios acabaram circulando em algumas faixas do eleitorado, servindo para incrementar a ideia de que vale a pena levar em conta as funções institucionais do Senado na condução do jogo político”, destaca Célio.

A avaliação da cúpula do Palácio do Planalto é de que uma eventual maioria governista no Senado seria fundamental em um possível quarto mandato de Lula. Desde a última eleição para a presidência do Senado e da Câmara dos Deputados, a relação do governo com o presidente da Casa Alta, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), é mais complexa do que aquela construída com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

O desempenho eleitoral do campo governista, porém, ainda é cercado de incertezas. Jones avalia que o Executivo trabalha para eleger nomes mais alinhados às suas pautas, mas destaca que o cenário depende diretamente da força da candidatura presidencial governista. “O governo certamente está preocupado com essa situação e está trabalhando para construir eleger nomes da esquerda e que tenham uma visão mais progressista ou de centro”, diz.

Palanque fragilizado

Em Goiás, Pedro Célio avalia que o palanque ligado ao governo federal no Estado permanece fragilizado e encontra dificuldades para romper a predominância da centro-direita consolidada nos últimos ciclos eleitorais. “Com exceção de Aldo Arantes [pré-candidato do PCdoB], os demais pré-candidatos ao Senado apresentados pela esquerda são nomes de valor, mas bastante desconhecidos. Pelo menos até agora”, observa.

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