terça-feira, 8 de setembro de 2026
Eleições 2026

Caiado inicia corrida ao Planalto em Goiás para mostrar força política ao País

Cientistas políticos avaliam que escolha de reduto eleitoral para iniciar campanha presidencial permite ao ex-governador explorar força política local e um primeiro ato eleitoral com peso

Thiago Borgespor em
Caiado inicia corrida ao Planalto em Goiás para mostrar força política ao País
Ex-governador iniciou sua campanha ao Planalto em uma carreata que passou por vários municípios do Entorno | Foto: Divulgação

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) deu início a campanha à Presidência da República neste domingo (16) em seu reduto eleitoral. Em uma carreata que passou por cidades como Águas Lindas, Novo Gama e Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, ao lado do governador e candidato à reeleição, Daniel Vilela (MDB), da candidata ao Senado, Gracinha Caiado (União Brasil), de demais aliados e apoiadores, o presidenciável do PSD buscou reverberar sua força política no Estado para a disputa nacional.

Em entrevista ao O HOJE, o especialista em marketing político Marcos Marinho avalia que começar a campanha em Goiás permite a Caiado explorar a capacidade de mobilização de uma base numerosa e produzir imagens de força logo no primeiro dia de campanha.

“O ideal é começar uma campanha de dentro para fora. No caso do Caiado, é evidente que ele não é conhecido fora do Estado como é conhecido em Goiás. Iniciar aqui dá segurança para o primeiro ato de campanha dele”, afirma.

De acordo com o especialista, além de conseguir reunir apoiadores e lideranças em um número para um primeiro ato eleitoral de impacto, iniciar a campanha em Goiás também permite ao pessedista construir a narrativa de que está começando a caminhada nacional pelas próprias raízes. “É reconhecer sua origem, em nível de narrativa. Você pode construir a narrativa de que está respeitando de onde veio.”

Contudo, Marinho pondera que a mesma imagem pode ser interpretada de maneiras diferentes. Uma grande mobilização em Goiás pode ser apresentada pela campanha como demonstração da força de Caiado, mas adversários também podem tentar associá-la à dificuldade de produzir eventos semelhantes fora de seu reduto eleitoral.

“Na política, tudo pode virar uma narrativa a favor ou contra. A questão é quem vai ocupar esse espaço de controle da narrativa e se o Caiado, o [Gilberto] Kassab e todo o PSD irá conseguir ocupar esse espaço de controle da narrativa”, ressalta Marinho.

O professor da PUC-GO e cientista político, Pedro Pietrafesa, também considera que a principal motivação da escolha está menos relacionada à tentativa de preservar a hegemonia do grupo que chefia o Palácio das Esmeraldas e mais na necessidade de Caiado começar a corrida presidencial em uma posição de força.

Para o cientista político, o início da campanha tem um peso simbólico particular porque é o momento em que os candidatos buscam produzir as primeiras imagens da disputa. “Para tentar manter a força no local em que ele tem força política, onde está o eleitorado que avalia bem o governo Caiado, o ex-governador tenta explorar a primeira imagem, que é sempre muito importante durante a campanha”, diz ao O HOJE.

Pietrafesa avalia que o movimento pode, naturalmente, produzir reflexos sobre a candidatura de Daniel, mas não considera esse o objetivo central da estratégia. “É muito mais no sentido de demonstrar força do que algum tipo de tentativa de pensar na hegemonia no Estado de Goiás”, diz. Para o cientista político, o foco principal do ato no Entorno, para Caiado, é a disputa presidencial.

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Caiado campanha Daniel Vilela Presidência

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