Caiado inicia corrida ao Planalto em Goiás para mostrar força política ao País
Cientistas políticos avaliam que escolha de reduto eleitoral para iniciar campanha presidencial permite ao ex-governador explorar força política local e um primeiro ato eleitoral com peso
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) deu início a campanha à Presidência da República neste domingo (16) em seu reduto eleitoral. Em uma carreata que passou por cidades como Águas Lindas, Novo Gama e Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, ao lado do governador e candidato à reeleição, Daniel Vilela (MDB), da candidata ao Senado, Gracinha Caiado (União Brasil), de demais aliados e apoiadores, o presidenciável do PSD buscou reverberar sua força política no Estado para a disputa nacional.
Em entrevista ao O HOJE, o especialista em marketing político Marcos Marinho avalia que começar a campanha em Goiás permite a Caiado explorar a capacidade de mobilização de uma base numerosa e produzir imagens de força logo no primeiro dia de campanha.
“O ideal é começar uma campanha de dentro para fora. No caso do Caiado, é evidente que ele não é conhecido fora do Estado como é conhecido em Goiás. Iniciar aqui dá segurança para o primeiro ato de campanha dele”, afirma.
De acordo com o especialista, além de conseguir reunir apoiadores e lideranças em um número para um primeiro ato eleitoral de impacto, iniciar a campanha em Goiás também permite ao pessedista construir a narrativa de que está começando a caminhada nacional pelas próprias raízes. “É reconhecer sua origem, em nível de narrativa. Você pode construir a narrativa de que está respeitando de onde veio.”
Contudo, Marinho pondera que a mesma imagem pode ser interpretada de maneiras diferentes. Uma grande mobilização em Goiás pode ser apresentada pela campanha como demonstração da força de Caiado, mas adversários também podem tentar associá-la à dificuldade de produzir eventos semelhantes fora de seu reduto eleitoral.
“Na política, tudo pode virar uma narrativa a favor ou contra. A questão é quem vai ocupar esse espaço de controle da narrativa e se o Caiado, o [Gilberto] Kassab e todo o PSD irá conseguir ocupar esse espaço de controle da narrativa”, ressalta Marinho.
O professor da PUC-GO e cientista político, Pedro Pietrafesa, também considera que a principal motivação da escolha está menos relacionada à tentativa de preservar a hegemonia do grupo que chefia o Palácio das Esmeraldas e mais na necessidade de Caiado começar a corrida presidencial em uma posição de força.
Para o cientista político, o início da campanha tem um peso simbólico particular porque é o momento em que os candidatos buscam produzir as primeiras imagens da disputa. “Para tentar manter a força no local em que ele tem força política, onde está o eleitorado que avalia bem o governo Caiado, o ex-governador tenta explorar a primeira imagem, que é sempre muito importante durante a campanha”, diz ao O HOJE.
Pietrafesa avalia que o movimento pode, naturalmente, produzir reflexos sobre a candidatura de Daniel, mas não considera esse o objetivo central da estratégia. “É muito mais no sentido de demonstrar força do que algum tipo de tentativa de pensar na hegemonia no Estado de Goiás”, diz. Para o cientista político, o foco principal do ato no Entorno, para Caiado, é a disputa presidencial.
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