Protesto na GO-462 cobra duplicação após série de acidentes graves
Manifestantes bloquearam a rodovia após uma sequência de acidentes no trecho entre Goiânia e Santo Antônio de Goiás
A morte da costureira Ariadna Cristina Teodoro, de 47 anos, provocou um protesto de moradores na GO-462, em Santo Antônio de Goiás, na Região Metropolitana de Goiânia. A manifestação ocorreu na sexta-feira (14), um dia após a mulher morrer em decorrência de um acidente envolvendo o carro em que estava e uma ambulância. A mobilização bloqueou totalmente a rodovia e teve como principal reivindicação a adoção de medidas para aumentar a segurança no trecho.
Ariadna estava a caminho de casa quando o automóvel em que viajava foi atingido pela ambulância. Segundo informações iniciais e relatos de testemunhas, o veículo de atendimento teria realizado uma ultrapassagem antes da colisão. Com o impacto, a costureira ficou ferida e recebeu atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos.
Moradora de Nova Veneza, município localizado a cerca de 14 quilômetros de Santo Antônio de Goiás, Ariadna era conhecida na região como “Tia da Confecção”. Ela trabalhava como costureira e era considerada uma pessoa querida por familiares, amigos e moradores da região. A morte causou comoção e aumentou a insatisfação da comunidade com as condições da rodovia.
Moradores cobram mudanças
Durante o protesto, os manifestantes bloquearam a passagem de veículos e colocaram fogo em pneus e outros materiais às margens da pista. O Corpo de Bombeiros foi acionado para controlar as chamas e auxiliar na liberação da rodovia.
A manifestação foi motivada não apenas pela morte de Ariadna, mas também por uma sequência de acidentes registrados recentemente na região. Moradores afirmam que o trecho apresenta problemas de segurança e cobram providências antes que novas ocorrências graves sejam registradas.
Entre as principais reivindicações estão a duplicação da GO-462, instalação e funcionamento de radares, melhoria da iluminação e revitalização da sinalização horizontal e vertical. Para os moradores, as medidas são necessárias para reduzir a velocidade dos veículos e aumentar a segurança de quem circula pela rodovia.
Um dos participantes do protesto afirmou que a comunidade já convive há algum tempo com o risco de novos acidentes e defendeu a realização da duplicação. “Enquanto não fizerem a duplicação, vai continuar acontecendo acidente”, relatou.
Goinfra confirma duplicação e restauração
Em resposta às cobranças, a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) informou que avançou na contratação integrada de uma empresa especializada para elaborar os projetos básico e executivo e executar as obras de duplicação e restauração da GO-462, no trecho entre a Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, e Santo Antônio de Goiás.
Segundo o órgão, o valor estimado da contratação é de R$ 131,7 milhões. A intervenção prevê melhorias na estrutura da rodovia e tem como objetivo aumentar a segurança, melhorar as condições de tráfego e facilitar a mobilidade entre os dois municípios.
A contratação ocorre após sucessivas cobranças de moradores e representantes da região pela melhoria da rodovia, que registra fluxo intenso de veículos e é utilizada diariamente no deslocamento entre Goiânia e Santo Antônio de Goiás.
Sobre os equipamentos de fiscalização, a Goinfra informou ainda que os novos radares já foram instalados e passam por testes antes de entrarem em funcionamento. A medida deverá contribuir para o controle da velocidade no trecho.
Iluminação também é reivindicação
A iluminação dos trechos urbanos também foi incluída entre as cobranças dos moradores. A Secretaria Municipal de Infraestrutura de Goiânia (Seinfra) informou que deve enviar equipes para verificar pontos com lâmpadas queimadas ou com defeito e realizar os reparos necessários.
A Polícia Civil instaurou procedimento para esclarecer as circunstâncias da colisão que matou Ariadna. Uma perícia foi solicitada para auxiliar na reconstrução da dinâmica do acidente e identificar como ocorreu o choque entre os veículos.
A investigação deverá analisar, entre outros pontos, as condições da ultrapassagem relatada por testemunhas e os demais elementos relacionados à batida. Até o momento, não há conclusão oficial sobre eventual responsabilidade pelo acidente.
O corpo de Ariadna foi velado na manhã de sexta-feira (14), na Capela Vale do Cerrado, em Trindade. O sepultamento ocorreu no mesmo dia, no Cemitério Vale do Cerrado. A morte da costureira, além de provocar comoção entre familiares e amigos, reacendeu a cobrança de moradores por mudanças na GO-462.
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