quarta-feira, 17 de junho de 2026
SAÚDE

Canetas emagrecedoras causam pedra na vesícula? Médico explica o que realmente aumenta o risco

Emagrecimento acelerado, seja por medicamento injetável ou cirurgia, sobrecarrega a vesícula biliar e favorece a formação de cálculos

Luana Avelarpor Luana Avelar em 17 de junho de 2026
vesícula

O crescimento no uso das canetas emagrecedoras trouxe junto um alerta da medicina: a perda de peso acelerada, característica desses medicamentos injetáveis, pode favorecer a formação de cálculos biliares. O risco não é novidade para especialistas, que já o observavam em pacientes submetidos a cirurgias bariátricas e dietas muito restritivas. O que muda agora é a escala, com um número maior de pessoas passando por emagrecimento rápido sem o acompanhamento adequado.

O mecanismo é fisiológico. Quando o corpo perde peso de forma acelerada, o fígado libera grande quantidade de colesterol na bile, tornando-a mais saturada. Dessa saturação surgem cristais que evoluem para pedras. Estudos sobre bariátrica mostram que cerca de 30% dos operados desenvolvem cálculos biliares pelo mesmo processo. “Durante o emagrecimento acelerado ocorre uma sobrecarga de sais biliares na vesícula biliar que provoca a formação de microcálculos e cálculos”, explica o cirurgião bariátrico Fábio Faleiro, do Hospital Mater Dei Goiânia. “Para o paciente que faz bariátrica acontece um processo idêntico, o mecanismo fisiopatológico é exatamente o mesmo.”

Leia mais: O melhor queijo para quem quer emagrecer pode não ser o que você imagina

Sintomas e vigilância

Os sinais mais comuns são dor em cólica no abdome superior direito, náuseas, vômitos e má digestão após refeições gordurosas. Faleiro lembra, no entanto, que “uma grande parte dos casos é assintomática”, detectada apenas em exames de rotina. Não há recurso farmacológico com respaldo científico para prevenir os cálculos nesse contexto. O ácido ursodesoxicólico, único disponível, “pode ter algum benefício, mas não há nível de evidência robusto na literatura médica para recomendar seu uso rotineiro”, diz o especialista. Diante disso, a conduta indicada é a vigilância ativa por ultrassonografias seriadas, capazes de identificar formações antes que evoluam para complicações como inflamação da vesícula ou pancreatite.

A conclusão que orienta todo o debate é direta: “O que causa a pedra na vesícula é a perda acentuada de peso, independente do método”, resume Faleiro. Caneta, cirurgia ou dieta restritiva, o denominador comum é a velocidade do emagrecimento. Por isso, o acompanhamento médico com exames periódicos deixa de ser recomendação acessória e passa a ser parte indispensável de qualquer tratamento para obesidade que envolva perda de peso em curto espaço de tempo.

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Tags:
Veja também