sexta-feira, 4 de setembro de 2026
NEGÓCIOS

De solução emergencial a tendência de mercado: telemedicina ganha força no país

Saúde mental, acompanhamento de doenças crônicas e avanços tecnológicos impulsionam a expansão das consultas remotas

Otavio Augustopor em
De solução emergencial a tendência de mercado: telemedicina ganha força no país
Foto: Divulgação

A telemedicina deixou de ser uma solução emergencial adotada durante a pandemia de Covid-19 para se tornar um dos segmentos mais promissores do mercado de saúde brasileiro. Com consultas realizadas por videochamadas, monitoramento remoto e análise digital de exames, a modalidade ampliou o acesso aos serviços médicos, reduziu distâncias e inaugurou novas possibilidades de atendimento e gestão em saúde.

Os números mostram a dimensão dessa transformação. Entre 2020 e 2022, foram realizadas cerca de 11 milhões de consultas remotas no país. Em 2023, esse volume ultrapassou a marca de 30 milhões de atendimentos. Um ano após a regulamentação da telemedicina no Brasil, o uso do serviço registrou crescimento de 172%, demonstrando que o modelo foi incorporado por pacientes, profissionais e instituições de saúde.

Foto: Divulgação

Mercado impulsionado por praticidade e eficiência

A principal vantagem da telemedicina está na conveniência. O paciente pode realizar consultas sem deslocamentos, receber orientações médicas, solicitar receitas, atestados e acompanhar tratamentos utilizando apenas um computador ou smartphone conectado à internet.

O empresário Guilherme Gimenes é um dos usuários frequentes da modalidade. Para ele, a praticidade e a rapidez são os principais benefícios. Por outro lado, reconhece que problemas de conectividade e limitações para determinados diagnósticos ainda representam obstáculos.

Para os profissionais de saúde, a tecnologia também trouxe ganhos importantes de produtividade. Médicos relatam que a modalidade permite otimizar agendas, reduzir o tempo de espera para atendimentos e ampliar a capacidade de acompanhamento dos pacientes.

Leia também: https://ohoje.com/2026/06/17/jovens-trocam-primeiro-emprego-por-empreendedorismo/

A pneumologista Eloara Campos afirma que aproximadamente metade de seus atendimentos já ocorre de forma remota. Segundo a especialista, uma anamnese bem conduzida é capaz de direcionar grande parte das hipóteses diagnósticas iniciais. Já a geriatra Cristiane Vasconcellos destaca que a telemedicina facilita triagens, acompanhamentos pós-operatórios e orientações a familiares e cuidadores, especialmente no caso de idosos com mobilidade reduzida.

Saúde mental e doenças crônicas lideram a expansão

Embora a telemedicina esteja presente em diversas especialidades, algumas áreas apresentam índices de adoção mais elevados. A psiquiatria lidera o movimento no país, com aproximadamente 15,9% das consultas já realizadas de forma online. Em seguida aparece a psicologia, com quase 10% dos atendimentos remotos.

A expansão também alcançou especialidades como gastroenterologia, clínica médica, ginecologia, cardiologia e pneumologia. O atendimento à distância se consolidou principalmente em consultas de retorno, avaliação de exames, acompanhamento hormonal e monitoramento de doenças crônicas.

Na psiquiatria, a modalidade tem possibilitado intervenções em momentos críticos, permitindo atendimento imediato após crises de ansiedade ou em situações nas quais o paciente encontra dificuldades para sair de casa. Na cardiologia, o monitoramento contínuo favorece o acompanhamento regular, reduzindo deslocamentos e ampliando a adesão ao tratamento.

Além disso, a telemedicina passou a funcionar como importante ferramenta de triagem para casos de baixa complexidade, ajudando a desafogar consultórios, clínicas e hospitais.

Foto: Divulgação

Desigualdade regional e desafios de infraestrutura

Apesar do crescimento acelerado, a expansão da telemedicina ainda ocorre de forma desigual no território nacional. Santa Catarina lidera a adoção do modelo, com cerca de 20,7% das consultas intermediadas por plataformas digitais realizadas de forma remota. O desempenho do estado impulsiona a Região Sul, onde mais de 13% dos atendimentos já acontecem online.

Em âmbito nacional, entretanto, a telemedicina ainda representa parcela relativamente pequena do total de consultas, respondendo por aproximadamente 3,7% dos atendimentos intermediados por plataformas digitais.

O Centro-Oeste também vem avançando. A participação das consultas remotas na região saiu de apenas 0,05% em 2020 para 0,89% em 2026. Em Goiás, a modalidade tem ganhado espaço principalmente em municípios do interior, onde o atendimento online surge como alternativa para reduzir dificuldades de acesso a especialistas e diminuir a necessidade de deslocamentos para grandes centros urbanos.

A próxima etapa de crescimento da telemedicina deverá ir muito além das videochamadas. O setor caminha para um modelo mais integrado, baseado na interoperabilidade de dados, inteligência artificial e automação operacional.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Investimentos de até R$ 7 bilhões em terras raras são aprovados pelo Senado

Mineração

Investimentos de até R$ 7 bilhões em terras raras são aprovados pelo Senado

Com políticas aprovadas desde 2025, Goiás pode estar em posição privilegiada para o debate sobre...
Dívida pública do Brasil deve superar o PIB em até oito anos

Levantamento

Dívida pública do Brasil deve superar o PIB em até oito anos

Mercado prevê que endividamento chegue a 100,1% da economia em 2034; FMI projeta que marca será al...
Geração Z pode movimentar US$ 36 trilhões e virar potência econômica até 2030

NEGÓCIOS

Geração Z pode movimentar US$ 36 trilhões e virar potência econômica até 2030

Crescimento da renda deve transformar jovens nascidos entre 1997 e 2012 em um dos grupos mais import...
Aquecimento acima de 1,5°C pode ampliar riscos para saúde, agricultura e economia

Futuro

Aquecimento acima de 1,5°C pode ampliar riscos para saúde, agricultura e economia

Aquecimento global se aproxima de novo limite e aumenta pressão por corte de emissões
Carne bovina e suína ficam mais baratas após queda nas exportações para a China

Economia

Carne bovina e suína ficam mais baratas após queda nas exportações para a China

Carne suína acumulou queda de 8,11% no ano, enquanto exportações brasileiras recuaram em julho
Etanol ou gasolina? Veja qual combustível pesa menos no bolso no feriado

Economia

Etanol ou gasolina? Veja qual combustível pesa menos no bolso no feriado

Abastecer com etanol pode economizar até R$ 143 no tanque de 55 litros
União Europeia pode barrar carne do Brasil a partir de setembro

Comércio

UE mantém suspensão a produtos de origem animal do Brasil enquanto avalia novos controles

Auditoria europeia sobre as cadeias de frango e mel termina nesta sexta-feira (4/9), mas eventual li...
Bolsa brasileira dispara 3% e dólar recua ao menor valor em três semanas

ECONOMIA BRASILEIRA

Bolsa brasileira dispara 3% e dólar recua ao menor valor em três semanas

Bolsa brasileira registra 11ª alta consecutiva, enquanto moeda norte-americana fecha no menor patam...