domingo, 25 de outubro de 2026
NEGÓCIOS

Jovens trocam primeiro emprego por empreendedorismo

Com mais acesso à educação e tecnologia, nova geração transforma a falta de vagas e a busca por autonomia em motor para abrir empresas próprias

Otavio Augustopor em
Jovens trocam primeiro emprego por empreendedorismo
Reprodução/Freepik

O empreendedorismo tem se consolidado como a principal porta de entrada no mercado de trabalho para uma parcela crescente de jovens brasileiros. Com mais acesso à educação, familiaridade com tecnologia e um mercado formal cada vez mais competitivo, muitos optam por abrir o próprio negócio antes mesmo de buscar o primeiro emprego com carteira assinada.

A trajetória da jovem Juhliane Camargo, hoje com 25 anos, ilustra essa mudança. Ela começou a empreender aos 19, ainda na faculdade de nutrição, durante a pandemia. Sem experiência profissional anterior, investiu em cursos online de marketing e tecnologia da informação e passou a oferecer serviços digitais voltados à área da saúde, que vivia alta demanda no período.

“Vi que existia um gargalo: muita procura por marketing digital e pouca gente qualificada no ambiente online”, relata. O que começou como uma alternativa temporária se transformou em uma empresa estruturada, com funcionários e prestadores de serviço. Hoje, ela concilia a atuação na clínica de nutrição com a gestão do negócio e afirma que nunca considerou a carreira tradicional como única opção.

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Reprodução/Freepik

Crescimento expressivo entre jovens empreendedores

Os dados reforçam o movimento. Levantamento do Sebrae, com base na Pnad Contínua, mostra que o número de empreendedores com até 29 anos cresceu de forma significativa nos últimos 14 anos. Entre 2012 e o fim de 2025, quase 800 mil jovens passaram a integrar o grupo de donos de negócios no país, totalizando cerca de 4,9 milhões.

Outro ponto relevante é a mudança no perfil educacional. Em 2012, apenas 14,1% dos jovens empreendedores tinham ensino superior incompleto ou mais. No fim de 2025, esse índice saltou para 27,8%, evidenciando a entrada de uma geração mais escolarizada no empreendedorismo.

Mercado formal mais competitivo e informalidade alta

Apesar do crescimento do empreendedorismo, o cenário do trabalho formal ainda apresenta desafios para os mais jovens. A taxa de desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos segue mais que o dobro da observada entre adultos, mesmo com queda nos últimos anos.

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Outro dado preocupante é a informalidade: cerca de dois terços dos jovens empreendedores atuam sem formalização adequada. Isso impacta diretamente a renda e a estabilidade desses trabalhadores. Segundo o levantamento, jovens que trabalham por conta própria têm rendimento médio inferior ao dos trabalhadores mais velhos, mas aqueles que formalizam seus negócios podem alcançar ganhos significativamente maiores.

Tecnologia, autonomia e mudança de mentalidade

A tecnologia tem papel central nessa nova lógica de inserção no mercado. Ferramentas digitais, redes sociais e plataformas de serviço permitem que negócios sejam criados com baixo investimento inicial e alcancem clientes rapidamente.

Para muitos jovens, além da renda, fatores como flexibilidade e autonomia pesam na decisão. O economista José Ronaldo Souza avalia que há uma percepção crescente de que o retorno financeiro do emprego tradicional não acompanha o potencial de ganhos do empreendedorismo digital.

Essa mudança de mentalidade também aparece em pesquisas recentes com jovens brasileiros. Entre os entrevistados, a remuneração já não é o principal fator de escolha profissional, ficando atrás de oportunidades de crescimento e desenvolvimento de carreira.

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Reprodução/Freepik

Geração empreendedora redefine o início da vida profissional

O perfil do jovem empreendedor brasileiro também revela diversidade e expansão. Mulheres já representam cerca de 36,5% desse grupo, segundo o Sebrae, e têm buscado o empreendedorismo como forma de independência financeira e realização profissional.

Histórias como a de estudantes que iniciam negócios ainda na graduação se tornaram cada vez mais comuns. Muitas vezes, o primeiro empreendimento nasce de experiências simples, como vendas online ou prestação de serviços digitais, e evolui para empresas estruturadas.

Apesar do entusiasmo, o desafio da sustentabilidade financeira permanece. A média de faturamento ainda varia bastante entre os pequenos negócios, e o crescimento depende de capacitação, gestão e acesso a crédito.

 

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