Com relator da base, LDO deve tramitar com menos turbulência na Câmara de Goiânia
Após os impasses na LDO e na LOA de 2026, avaliação no parlamento é que a discussão das peças orçamentárias enfrente menos imbróglios, embora atritos entre Paço e Câmara ainda persistam
A Câmara Municipal de Goiânia vive a expectativa de uma tramitação mais tranquila dos projetos que correspondem ao orçamento municipal do próximo ano. Após os atrasos e impasses que marcaram a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA) referentes a 2026, a avaliação nos bastidores é de que o processo deste ano tende a ser menos conturbado.
O presidente da Comissão Mista, vereador Cabo Senna (PRD), confirmou à reportagem do O HOJE que o relator da LDO no colegiado será o vereador Léo José (Solidariedade). Ao contrário do ano passado, quando o relator do projeto foi o vereador Lucas Vergílio (MDB), de oposição ao prefeito na Casa, o nome escolhido para este ano é aliado do prefeito Sandro Mabel (União Brasil).
A expectativa é que com um parlamentar da base na relatoria do projeto, haja menos atritos entre vereadores e o Paço. No ano passado, a tramitação da LDO passou por idas e vindas. Em setembro, Mabel solicitou que a matéria retornasse ao Paço, em uma manobra do prefeito para evitar que o projeto avançasse com emendas de Vergílio. A retirada do texto da Câmara atrasou a tramitação do projeto que, pela primeira vez, tramitou simultaneamente à LOA.
Na LOA, o imbróglio entre Executivo e Legislativo ficou por conta do valor das emendas. Após negociações que envolveram o prefeito e o presidente da Câmara, Romário Policarpo (Cidadania), ficou acordado que os 37 parlamentares teriam R$ 185 milhões disponíveis em emendas para 2026, o equivalente a R$ 5 milhões por vereador. Com as idas e vindas e o atraso em razão das negociações, a LOA deste ano só foi aprovada no dia 30 de dezembro de 2025, às vésperas do início do exercício financeiro.
Nas discussões das peças orçamentárias do ano passado, a oposição da gestão Mabel também cobrou que o percentual do remanejamento orçamentário fosse diminuído. No primeiro ano de Mabel, o valor ficou em 50%. A prefeitura inicialmente defendeu o mesmo percentual, mas após pressão dos parlamentares da oposição, enviou a nova versão da LDO com 30%. No fim, o remanejamento para este ano ficou em 23%.
A leitura nos bastidores é que, para as discussões do orçamento da capital goiana para 2027, parlamentares que defenderam a diminuição do percentual de remanejamento voltem a reivindicar uma nova redução.
Difícil antecipar o ambiente
Questionado sobre o ambiente político para a tramitação deste ano, Senna afirmou que é difícil antecipar o comportamento dos parlamentares, mas demonstrou expectativa por um processo com menos embates. “Medir sentimento não é fácil, mas acredito que vai ser mais tranquilo.” O parlamentar deve divulgar o cronograma da LDO até o fim desta semana.
Apesar do otimismo, a relação entre o Paço e a Câmara voltou a apresentar sinais de tensão ao longo do primeiro semestre. Conforme mostrado pelo O HOJE, a relação de Mabel acumulou atritos com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), vereador Luan Alves (MDB), em razão da tramitação de projetos considerados prioritários para a prefeitura, no colegiado.
Além disso, o chefe do Executivo municipal viu Policarpo, aliado do prefeito na Casa, entrar em rota de colisão com a administração municipal em razão do projeto que prevê uma reforma administrativa do Instituto de Previdência dos Servidores de Goiânia (GoiâniaPrev).