TRÊS MESES DEPOIS

Três meses após fim do Fundeinfra, Aprosoja diz que setor de grãos segue próximo do colapso

Aprosoja-GO afirma que o setor de grãos continua pressionado por margens negativas, dívidas e juros elevados, cenário considerado próximo de um colapso

Luma Silveirapor em
FUNDEINFRA
Segundo o presidente da Aprosoja-GO, o cenário atual é marcado por dificuldades financeiras que afetam produtores em Goiás e em todo o país | Foto: Canva

Três meses após o encerramento da cobrança do Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO) avalia que a medida trouxe alívio aos produtores rurais, mas não foi suficiente para reverter a crise enfrentada pelo setor. Segundo o presidente da entidade, Clodoaldo Calegari, a produção de grãos vive um cenário de margens negativas, endividamento crescente e juros elevados, situação que considera próxima de um colapso.

A cobrança do Fundeinfra foi oficialmente encerrada em março deste ano após aprovação de projeto encaminhado pelo Governo de Goiás à Assembleia Legislativa. À época, o Executivo estadual justificou a medida com base nas dificuldades enfrentadas pelo agronegócio, incluindo a queda nos preços das commodities, os altos custos de produção e os impactos climáticos registrados nos últimos anos.

Em entrevista ao O HOJE, Calegari afirmou que a extinção da contribuição representa um avanço para os produtores, mas ponderou que os principais problemas do setor permanecem.

“A extinção do Fundeinfra é um alívio ao produtor, mas não é o vetor de expansão de produção e tampouco aumento nos investimentos”, afirmou.

Segundo o presidente da Aprosoja-GO, o cenário atual é marcado por dificuldades financeiras que afetam produtores em Goiás e em todo o país.

“O momento que vivemos é próximo ao colapso do setor de produção de grãos. Não só em Goiás, mas no cenário nacional. Margens negativas, endividamento crescente, juros exorbitantes, dentre outros, são os fatores que mais limitam não só o crescimento, mas também a sobrevivência de muitos de nós na atividade”, declarou.

Relação com o governo

Calegari reconheceu que a criação do Fundeinfra gerou desgaste entre o setor produtivo e o Governo de Goiás. De acordo com o dirigente, a cobrança foi recebida com surpresa pelos produtores rurais quando foi instituída.

Apesar disso, a Aprosoja-GO passou a integrar o Conselho Gestor do fundo e participou das discussões sobre a aplicação dos recursos arrecadados, o que, segundo o presidente da entidade, ajudou a ampliar o diálogo entre o agronegócio e o poder público estadual.

“Esse diálogo deveria ser permanente, independente de quem esteja no Executivo Estadual”, afirmou.

Na avaliação da entidade, o impacto da contribuição se tornou mais perceptível nos últimos anos, à medida que a rentabilidade da atividade agrícola diminuiu diante da queda dos preços das commodities e do aumento dos custos de produção.

Demandas do setor

Além da questão tributária, a Aprosoja-GO aponta outros desafios considerados prioritários para o agronegócio goiano. Entre eles estão a melhoria no fornecimento de energia elétrica, a ampliação da segurança jurídica em questões ambientais, investimentos contínuos na malha viária e o fortalecimento da segurança no campo.

Segundo Calegari, problemas relacionados à distribuição de energia têm dificultado novos investimentos em irrigação e industrialização no Estado, enquanto questões regulatórias ainda exigem avanços para dar maior previsibilidade aos produtores.

Olhar para 2026

Ao comentar os reflexos políticos do debate sobre o Fundeinfra, o presidente da Aprosoja-GO afirmou que a principal preocupação dos produtores está voltada para o cenário nacional.

Na avaliação de Calegari, o produtor rural acompanha com mais atenção os rumos da política federal do que as discussões estaduais e espera mudanças na condução das políticas voltadas ao agronegócio.

“O produtor rural está mais preocupado com uma mudança na esfera federal do que qualquer outra discussão política no Estado”, disse.

Para o dirigente, o setor sente falta de maior valorização por parte da União e deve levar esse sentimento para o debate eleitoral de 2026.

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