Coçar os olhos pode acelerar doença que é a principal causa de transplante de córnea no Brasil
Ceratocone atinge principalmente adolescentes e jovens adultos; Sociedade Goiana de Oftalmologia faz ação gratuita no Parque Flamboyant neste domingo
Um gesto quase involuntário, como esfregar os olhos, pode acelerar uma doença silenciosa e progressiva que, quando ignorada, leva ao transplante de córnea. O ceratocone é considerado pelo Ministério da Saúde a principal causa desse procedimento no Brasil, com cerca de 150 mil novos casos por ano. O diagnóstico mais frequente ocorre entre os 10 e os 25 anos, justamente quando a doença avança com mais velocidade.
Para chamar atenção ao problema, a Sociedade Goiana de Oftalmologia (SGO) promove neste domingo (21) uma ação gratuita de conscientização no Parque Flamboyant, em Goiânia, a partir das 9h. A iniciativa integra a campanha Junho Violeta, voltada à prevenção e ao diagnóstico precoce entre adolescentes e jovens adultos. Médicos especialistas e alunos da liga de oftalmologia estarão presentes.
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“O objetivo principal é despertar a comunidade para identificar os sintomas, pois é um assunto de saúde pública”, afirma o oftalmologista Leiser Franco, presidente da SGO.
O que acontece com a córnea
A córnea é a estrutura transparente na parte frontal do olho. No ceratocone, ela se torna progressivamente mais fina e passa a assumir um formato cônico. “Essa alteração provoca distorções visuais, aumento do astigmatismo e da miopia, tornando a visão progressivamente borrada e irregular”, explica Franco.
A doença tem componente genético, sendo mais comum em quem tem familiares com o diagnóstico, mas fatores externos interferem diretamente na progressão. Alergias oculares, rinite e dermatite atópica estão entre eles, assim como o hábito de coçar os olhos. “O trauma mecânico repetitivo pode enfraquecer ainda mais a córnea e acelerar a evolução da doença. Por isso, controlar a coceira e evitar esfregar os olhos é uma orientação fundamental”, alerta o médico.
Os sinais que não devem ser ignorados
O ceratocone se revela de forma gradual. Visão embaçada, sensibilidade à luz, dificuldade para enxergar à noite e visão dupla em um dos olhos estão entre os sintomas mais comuns. Um sinal revelador é a troca frequente de óculos sem melhora real: o paciente continua enxergando mal mesmo após atualizar as lentes.
Na adolescência, é comum atribuir o desconforto visual ao cansaço ou ao excesso de tela, o que atrasa o diagnóstico e reduz as opções de tratamento.
Diagnóstico precoce muda o prognóstico
Exames como topografia e tomografia corneana permitem identificar alterações antes mesmo de o paciente notar qualquer sinal evidente. “Atualmente dispomos de tratamentos capazes de interromper ou retardar significativamente a progressão da doença, como o crosslinking corneano. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de preservar a visão e evitar procedimentos mais complexos no futuro”, afirma Franco.
Nos estágios iniciais, óculos e lentes de contato especiais costumam garantir boa qualidade visual. Em casos avançados, a cirurgia estabiliza e corrige a deformação. Quando o tecido já foi muito comprometido, o transplante é o único caminho.
“Não espere a visão piorar para procurar ajuda. Sempre que houver embaçamento visual, aumento frequente do grau ou dificuldade para enxergar mesmo usando óculos, é fundamental consultar um oftalmologista”, conclui.
Serviço
O quê: Ação gratuita de conscientização sobre ceratocone — Junho Violeta
Quando: 21 de junho, a partir das 9h
Onde: Parque Flamboyant, Goiânia
Entrada: Gratuita