quarta-feira, 17 de junho de 2026
SAÚDE OCULAR

Coçar os olhos pode acelerar doença que é a principal causa de transplante de córnea no Brasil

Ceratocone atinge principalmente adolescentes e jovens adultos; Sociedade Goiana de Oftalmologia faz ação gratuita no Parque Flamboyant neste domingo

Luana Avelarpor Luana Avelar em 17 de junho de 2026
olhos

Um gesto quase involuntário, como esfregar os olhos, pode acelerar uma doença silenciosa e progressiva que, quando ignorada, leva ao transplante de córnea. O ceratocone é considerado pelo Ministério da Saúde a principal causa desse procedimento no Brasil, com cerca de 150 mil novos casos por ano. O diagnóstico mais frequente ocorre entre os 10 e os 25 anos, justamente quando a doença avança com mais velocidade.

Para chamar atenção ao problema, a Sociedade Goiana de Oftalmologia (SGO) promove neste domingo (21) uma ação gratuita de conscientização no Parque Flamboyant, em Goiânia, a partir das 9h. A iniciativa integra a campanha Junho Violeta, voltada à prevenção e ao diagnóstico precoce entre adolescentes e jovens adultos. Médicos especialistas e alunos da liga de oftalmologia estarão presentes.

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“O objetivo principal é despertar a comunidade para identificar os sintomas, pois é um assunto de saúde pública”, afirma o oftalmologista Leiser Franco, presidente da SGO.

O que acontece com a córnea

A córnea é a estrutura transparente na parte frontal do olho. No ceratocone, ela se torna progressivamente mais fina e passa a assumir um formato cônico. “Essa alteração provoca distorções visuais, aumento do astigmatismo e da miopia, tornando a visão progressivamente borrada e irregular”, explica Franco.

A doença tem componente genético, sendo mais comum em quem tem familiares com o diagnóstico, mas fatores externos interferem diretamente na progressão. Alergias oculares, rinite e dermatite atópica estão entre eles, assim como o hábito de coçar os olhos. “O trauma mecânico repetitivo pode enfraquecer ainda mais a córnea e acelerar a evolução da doença. Por isso, controlar a coceira e evitar esfregar os olhos é uma orientação fundamental”, alerta o médico.

Os sinais que não devem ser ignorados

O ceratocone se revela de forma gradual. Visão embaçada, sensibilidade à luz, dificuldade para enxergar à noite e visão dupla em um dos olhos estão entre os sintomas mais comuns. Um sinal revelador é a troca frequente de óculos sem melhora real: o paciente continua enxergando mal mesmo após atualizar as lentes.

Na adolescência, é comum atribuir o desconforto visual ao cansaço ou ao excesso de tela, o que atrasa o diagnóstico e reduz as opções de tratamento.

Diagnóstico precoce muda o prognóstico

Exames como topografia e tomografia corneana permitem identificar alterações antes mesmo de o paciente notar qualquer sinal evidente. “Atualmente dispomos de tratamentos capazes de interromper ou retardar significativamente a progressão da doença, como o crosslinking corneano. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de preservar a visão e evitar procedimentos mais complexos no futuro”, afirma Franco.

Nos estágios iniciais, óculos e lentes de contato especiais costumam garantir boa qualidade visual. Em casos avançados, a cirurgia estabiliza e corrige a deformação. Quando o tecido já foi muito comprometido, o transplante é o único caminho.

“Não espere a visão piorar para procurar ajuda. Sempre que houver embaçamento visual, aumento frequente do grau ou dificuldade para enxergar mesmo usando óculos, é fundamental consultar um oftalmologista”, conclui.

Serviço

O quê: Ação gratuita de conscientização sobre ceratocone — Junho Violeta
Quando: 21 de junho, a partir das 9h
Onde: Parque Flamboyant, Goiânia
Entrada: Gratuita

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