sexta-feira, 19 de junho de 2026
tradição e inovação

Moda junina se reinventa: como a tradição do xadrez e do chapéu de palha ganhou novas interpretações

Especialista explica como os trajes típicos evoluíram do caricato ao autêntico e dá dicas de como montar um figurino equilibrado para os arraiás

Luana Avelarpor Luana Avelar em 19 de junho de 2026
junina

As festas juninas seguem como uma das manifestações culturais mais populares do Brasil, e os trajes típicos acompanham essa transformação. Entre tradição e inovação, o vestuário junino ganhou novas leituras sem perder a essência, mostrando como a moda pode ressignificar símbolos culturais.

Chapéu de palha, estampas xadrez, saias com babados, fitas coloridas e rendas têm raízes nas influências europeias, especialmente portuguesas, trazidas pelas celebrações de Santo Antônio, São João e São Pedro. Mas cada elemento tem uma origem própria. “O chapéu de palha tem origem funcional, ligado à proteção contra o sol nas atividades rurais. O xadrez foi sendo associado à vida no campo por sua presença em roupas de trabalho. Já os remendos surgiram como uma representação teatral e caricatural da vida rural”, explica Ramón Rodolfo, docente e coordenador da área de Moda do Senac Novo Hamburgo.

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Do caricato ao autêntico

Durante boa parte do século XX, especialmente em contextos urbanos e escolares, consolidou-se a figura exagerada do caipira, marcada por estereótipos. Esse cenário vem mudando. “Hoje, busca-se celebrar a cultura rural com mais respeito, autenticidade e valorização de sua diversidade”, afirma Ramón.

Para o especialista, a principal mudança está na liberdade criativa. “Antes, havia uma visão mais limitada sobre o que seria uma roupa junina. Atualmente, as pessoas combinam referências tradicionais com tendências de moda, peças urbanas, customizações e elementos artesanais”, conta.

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Como montar o figurino

O docente destaca que o equilíbrio é essencial na hora de compor o visual. “Mais importante do que reunir todos os elementos tradicionais é escolher alguns símbolos marcantes e trabalhá-los de forma coerente. Uma combinação bem planejada de estampas, texturas, acessórios e detalhes artesanais costuma gerar mais impacto do que o excesso de informação”, ressalta.

Tecidos como algodão, chita, jeans, linho e materiais de aparência artesanal seguem como protagonistas, enquanto modelagens amplas e confortáveis garantem liberdade de movimento para dançar. Além das cores vibrantes tradicionais, como vermelho, azul, amarelo e laranja, tons mais sofisticados como terracota, ferrugem, mostarda, vinho, azul petróleo e verde oliva vêm ganhando espaço nos figurinos, inspirados no artesanato e na paisagem rural.

“A inovação não exige abandonar a tradição. Pelo contrário, ela surge justamente quando reinterpretamos símbolos tradicionais sob novos olhares sem perder a essência. A tradição permanece nos significados e na memória coletiva, e a inovação aparece nas formas de expressão”, conclui Ramón.

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