segunda-feira, 22 de junho de 2026
EFEITOS DA LEITURA NO CÉREBRO

O que acontece com o cérebro quando a leitura substitui as telas à noite

Saiba o que acontece com o nosso cérebro quando trocamos o celular por um bom livro antes de dormir, segundo a ciência

Rodrigo Souzapor Rodrigo Souza em 22 de junho de 2026
Benefícios da leitura antes de dormir para o cérebro
Ler um bom livro antes de dormir pode ser benéfico para o nosso sono (Foto: Freepik)

O cérebro recebe estímulos durante todo o dia. Mensagens, vídeos curtos, redes sociais, séries e notícias disputam atenção a cada minuto. Quando a noite chega, muitas pessoas mantêm esse ritmo acelerado até os últimos instantes antes de dormir. O problema é que o organismo não consegue mudar de marcha de forma instantânea.

Nos últimos anos, pesquisadores passaram a observar com mais atenção o impacto do uso de telas durante o período noturno. Os resultados chamaram a atenção de médicos, especialistas em sono e cientistas que estudam o funcionamento da mente humana.

Diversos trabalhos apontam uma relação entre o excesso de telas antes de dormir e dificuldades para pegar no sono ou manter um descanso de qualidade.

Ao mesmo tempo, outro hábito começou a ganhar destaque nas pesquisas: a leitura de livros impressos antes de dormir. Diferentes estudos sugerem que esse costume pode ajudar o organismo a entrar em um estado mais favorável ao descanso noturno.

A questão desperta curiosidade porque a mudança parece simples. Basta trocar alguns minutos de tela por algumas páginas de leitura. Mas o que realmente acontece dentro da mente quando essa troca ocorre? A ciência já oferece algumas respostas interessantes.

Como o cérebro reage quando as telas saem da rotina noturna

Em primeiro lugar, o cérebro responde de forma diferente aos estímulos recebidos antes do horário de dormir. Redes sociais, vídeos e aplicativos costumam apresentar imagens em sequência rápida, notificações e mudanças constantes de conteúdo. Esse padrão mantém áreas ligadas à atenção em atividade durante mais tempo.

Pesquisadores da Harvard Medical School identificaram que a luz azul emitida por dispositivos eletrônicos reduz a produção de melatonina, hormônio ligado ao sono. O estudo observou que a exposição à luz azul durante a noite suprimiu a melatonina por cerca de duas vezes mais tempo quando comparada à luz verde.

O atraso no ciclo natural do sono chegou a aproximadamente três horas. O cérebro, diante desse cenário, recebe sinais que dificultam a preparação para o descanso.

Além disso, o cérebro interpreta muitas atividades digitais como experiências que exigem resposta rápida. Uma mensagem recebida, uma notícia inesperada ou um vídeo curto podem estimular novas reações mentais.

Por exemplo, uma pessoa pode planejar responder a alguém, pesquisar outro assunto ou continuar navegando sem perceber o tempo passar.

Portanto, quando as telas deixam espaço para a leitura, o cérebro encontra um ambiente com menos interrupções. O foco permanece em uma única atividade durante vários minutos. Essa mudança reduz a quantidade de estímulos simultâneos e favorece uma transição mais natural entre o período de vigília e o momento de dormir.

O que a leitura faz com o cérebro antes do sono

A leitura produz um efeito diferente porque o cérebro trabalha em um ritmo menos fragmentado. Em vez de lidar com dezenas de informações por minuto, ele acompanha uma narrativa, uma ideia ou uma sequência de fatos apresentada de forma contínua.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Sussex, no Reino Unido, mostrou que apenas seis minutos de leitura conseguiram reduzir os níveis de estresse em até 68%. O resultado superou atividades como ouvir música ou caminhar. O cérebro respondeu ao hábito com redução da tensão muscular e diminuição da frequência cardíaca.

Ou seja, a leitura cria condições que ajudam o cérebro a abandonar parte da agitação acumulada ao longo do dia. Livros impressos também eliminam notificações, alertas sonoros e atualizações constantes que costumam interromper a atenção.

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Em outras palavras, quando uma pessoa acompanha uma história ou aprende algo por meio de um livro, o cérebro direciona energia para uma atividade linear. Esse processo favorece uma sensação de continuidade mental. Mas isso não significa que qualquer leitura gere o mesmo resultado.

Obras que provocam ansiedade ou emoções intensas podem produzir respostas diferentes. Consequentemente, muitos especialistas recomendam leituras leves durante o período noturno. O objetivo não consiste em adormecer imediatamente, mas permitir que o cérebro desacelere de forma gradual antes de chegar ao sono.

Por que o cérebro tende a descansar melhor após a leitura

Diversos estudos apontam que o cérebro depende de uma preparação adequada para alcançar fases importantes do sono. Durante a noite, ele organiza memórias, realiza processos ligados ao aprendizado e participa da recuperação do organismo.

Uma pesquisa publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences mostrou que a leitura em dispositivos eletrônicos antes de dormir prejudicou o sono quando comparada à leitura de livros impressos.

Os participantes demoraram mais para adormecer, apresentaram menor estado de alerta pela manhã e tiveram redução na produção de melatonina. O cérebro respondeu de forma menos favorável ao descanso após o contato com telas.

Por outro lado, o cérebro encontra menos obstáculos quando a leitura ocorre em papel. A ausência de luz emitida diretamente para os olhos ajuda a manter o funcionamento natural do relógio biológico.

Entretanto, a questão não se resume apenas à iluminação. O conteúdo consumido também influencia o comportamento do cérebro. Vídeos curtos e redes sociais apresentam novidades contínuas. Cada novidade desperta curiosidade e mantém a atenção ativa.

Durante a leitura, o cérebro segue outro caminho. Ele acompanha personagens, ideias ou informações de maneira contínua. Da mesma forma, essa atividade favorece um ritmo mental mais compatível com a aproximação do sono.

Depois disso, muitas pessoas relatam sensação de relaxamento e facilidade para desligar dos acontecimentos do dia. Os relatos não substituem evidências científicas, mas caminham na mesma direção observada em diversos estudos sobre sono e hábitos noturnos.

(Foto: portalmelhoridade.com.br)

Hábitos simples que ajudam a mente na hora de dormir

Trocar as telas por livros não exige mudanças complexas. O cérebro costuma responder melhor quando a rotina noturna mantém horários consistentes e atividades previsíveis.

Em segundo lugar, especialistas recomendam criar um período sem telas antes de dormir. A Sleep Foundation cita que a redução do uso de aparelhos eletrônicos durante os momentos finais do dia pode favorecer a produção natural de melatonina. O cérebro passa a receber sinais mais alinhados ao início do sono.

Ainda mais, a escolha do ambiente também faz diferença. Um local com iluminação suave e poucos estímulos ajuda o cérebro a compreender que o período de descanso se aproxima. Livros físicos costumam contribuir para esse processo porque não geram notificações nem atualizações constantes.

Além do mais, manter a leitura como parte da rotina diária aumenta a regularidade desse hábito. O cérebro tende a associar determinadas atividades ao momento de dormir quando elas se repetem ao longo do tempo.

Similarmente, outras práticas podem complementar a leitura, como reduzir o volume de sons, evitar conteúdos que gerem preocupação e respeitar horários de descanso. Nenhuma dessas medidas representa uma solução isolada, mas todas colaboram para criar condições mais favoráveis ao sono.

Bora arrumar um livro de cabeceira?

Certamente, a ciência ainda continua investigando novos aspectos da relação entre tecnologia, leitura e descanso. Mesmo assim, os estudos atuais apontam uma direção consistente. E quando a leitura substitui parte do tempo gasto diante das telas, o cérebro encontra um cenário mais compatível com o relaxamento noturno.

Como resultado, muitas pessoas conseguem iniciar o sono com menos estímulos circulando pela mente. Na mesma linha, pesquisadores observam benefícios relacionados à qualidade do descanso e ao funcionamento do relógio biológico. Acima de tudo, a troca das telas por livros representa uma mudança acessível para grande parte da população.

Posteriormente, esse hábito pode se transformar em parte da rotina diária. E o mais importante, a decisão não exige equipamentos, assinaturas ou mudanças radicais. Para esclarecer, basta compreender que cada escolha feita antes de dormir influencia o funcionamento do cérebro.

Resumindo, a leitura oferece um caminho que ajuda a reduzir estímulos noturnos e favorece uma transição mais tranquila para o sono. Em poucas palavras, livros e descanso costumam caminhar na mesma direção quando o objetivo é cuidar do cérebro.

Em conclusão, a ciência indica que substituir telas pela leitura durante a noite pode beneficiar o cérebro.

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