terça-feira, 23 de junho de 2026
POLÍTICA

Operação mira fraude de R$ 5 milhões contra aposentados e amplia pressão sobre o BRB

Esquema teria lesado mais de 3,5 mil contas com descontos não autorizados; ação ocorre dias após o MPDFT deflagrar operação semelhante contra o banco

Jéssica Nascimentopor Jéssica Nascimento em 23 de junho de 2026
Operação mira fraude de R$ 5 milhões contra aposentados e amplia pressão sobre o BRB
Banco BRB (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Parasitas, voltada a desmantelar um suposto esquema de cobranças irregulares contra aposentados e pensionistas vinculados ao Governo do Distrito Federal. As investigações apontam que associações utilizavam o Banco de Brasília (BRB) para realizar descontos automáticos nos benefícios das vítimas sem que houvesse comprovação de autorização. Mais de 3,5 mil contas podem ter sido afetadas, com prejuízo estimado em R$ 5 milhões.

A ação, coordenada pela Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (CORF), cumpriu quatro mandados de prisão temporária, três de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão em endereços no Distrito Federal e nos municípios mineiros de Belo Horizonte e Igaratinga. As diligências atingiram regiões administrativas como Plano Piloto, Recanto das Emas, Brazlândia e Jardim Botânico, além de sedes das associações investigadas.

Segundo os investigadores, as entidades usavam contratos para justificar os débitos automáticos, mas sem evidências adequadas de que os beneficiários tinham concordado com as cobranças. Em diversos casos analisados, aposentados e pensionistas negaram ter autorizado qualquer desconto. A PCDF apura ainda a participação de servidores do BRB que teriam operacionalizado os descontos e contribuído para a manutenção da estrutura de arrecadação.

A operação desta terça ocorre em meio a uma sequência de investigações que vêm colocando o BRB sob pressão crescente. Na última sexta-feira (19), a instituição já havia sido alvo de outra ação, com o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão em investigação também sobre supostos descontos irregulares na folha de pagamento de servidores do Distrito Federal. Naquela operação, batizada de Juros Zero e conduzida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), os alvos incluíam o BRB, a BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia do DF, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF), o PicPay e associações ligadas ao caso, além de ex-dirigentes das instituições investigadas.

O esquema investigado pela PCDF guarda semelhanças com o descoberto pela Polícia Federal no INSS, que também envolvia contratação fraudulenta de descontos automáticos por entidades associativas. No caso federal, o desvio somou mais de R$ 6 bilhões e atingiu seis milhões de pessoas.

O nome escolhido para a operação não é por acaso. A denominação “Parasitas” faz referência direta à suspeita de que os investigados exploravam financeiramente pessoas em situação de vulnerabilidade: aposentados e pensionistas que, em muitos casos, sequer sabiam que tinham valores descontados de seus benefícios mês a mês.

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