segunda-feira, 29 de junho de 2026
Luto

Morre aos 86 anos Nestor Pereira da Mota, fundador do Instituto Goiano de Yoga

Educador físico, ex-preso político durante a ditadura militar e referência na difusão da yoga em Goiás, Nestor Pereira da Mota morreu após complicações causadas por uma pneumonia

Micael Mourapor Micael Moura em 29 de junho de 2026
Nestor Pereira da Mota
Natural de Porto Nacional, atual estado do Tocantins, Nestor nasceu em 26 de fevereiro de 1940 Foto: Reprodução/Redes sociais

O fundador do Instituto Goiano de Yoga, Nestor Pereira da Mota, morreu na madrugada desta segunda-feira (29), em Goiânia, aos 86 anos. Licenciado em Educação Física, ex-preso político durante a ditadura militar e um dos principais responsáveis pela difusão da yoga em Goiás, ele sofreu insuficiência respiratória após contrair uma pneumonia.

O velório será realizado nesta terça-feira (30), no Cemitério Parque Memorial, em Goiânia. O horário do sepultamento ainda não foi definido, pois a família aguarda a chegada de um dos filhos, que trabalha na Embaixada do Brasil na França.

Trajetória marcada pela resistência e pelo ensino da yoga

Natural de Porto Nacional, atual estado do Tocantins, Nestor nasceu em 26 de fevereiro de 1940. Antes de se dedicar à yoga, iniciou sua formação religiosa como noviço no convento dos frades dominicanos, em 1966, e cursou Filosofia no Instituto de Formação Teológica de São Paulo.

Durante a ditadura militar, foi preso no Presídio Tiradentes, em São Paulo. Mesmo encarcerado, passou a ensinar técnicas de respiração e meditação aos companheiros de cela como forma de amenizar o sofrimento e fortalecer o equilíbrio emocional dos presos. Entre eles estavam Frei Betto e Frei Tito Alencar, importantes nomes da resistência ao regime militar.

Fundador do Instituto Goiano de Yoga

Em 1971, já em Goiânia, Nestor fundou o Instituto Goiano de Yoga. A proposta era ensinar a prática com base em estudos científicos desenvolvidos pelo Instituto de Pesquisas Kavalayadham, na Índia, aproximando a tradição oriental da pesquisa acadêmica.

Leia mais:

Ao longo de mais de cinco décadas, levou aulas de yoga para escolas, empresas, órgãos públicos, instituições comunitárias e grupos de diferentes perfis. Também trabalhou com estudantes em preparação para vestibulares, profissionais submetidos a rotinas intensas e servidores públicos, defendendo a yoga como ferramenta para promover qualidade de vida e prevenir doenças relacionadas ao estresse.

“Gandhi do Cerrado”

A história vivida durante a ditadura foi registrada no livro Batismo de Sangue, escrito por Frei Betto e adaptado para o cinema em 2007. Anos depois, a ligação com Frei Tito rendeu a Nestor o apelido de “Gandhi do Cerrado”, em referência à sua serenidade e à defesa de uma filosofia baseada na paz, no autoconhecimento e na não violência.

Além da atuação como professor, Nestor presidiu e organizou o VIII Congresso Latino-Americano de Yoga, fortalecendo o intercâmbio entre praticantes e pesquisadores da área e consolidando seu nome como uma das principais referências da yoga em Goiás.

Nestor Pereira da Mota deixa a esposa, Lyra Galvão e Silva Mota, companheira de vida e de trabalho, os filhos Alano Mota e Nestor Filho, além de quatro netos.

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Veja também