Goiânia se despede de Wagão, referência da contracultura e das artes plásticas
O artista plástico, escultor e agitador cultural Wagner Luiz de Morais Pereira, conhecido como “Wagão”, morreu aos 73 anos neste sábado (8)
A cena cultural de Goiânia perdeu neste sábado (8) uma de suas figuras mais emblemáticas. O artista plástico e agitador cultural Wagner Luiz de Morais Pereira, conhecido como “Wagão”, morreu aos 73 anos em sua residência no Jardim Europa, na capital goiana. O artista enfrentava um câncer de pulmão diagnosticado há seis meses.
Bisneto de Joaquim Lúcio de Morais, um dos fundadores do tradicional bairro de Campinas, Wagão mantinha uma ligação direta com a história da cidade. Ao longo de cinco décadas de atuação, consolidou-se como um dos pioneiros da contracultura em Goiás, desenvolvendo trabalhos como escultor, cenógrafo, designer de móveis e mobilizador cultural.
Na década de 1970, participou ativamente do movimento cultural goiano, colaborando com coletivos como o grupo Língua Solta e contribuindo para a realização dos primeiros festivais de música da capital. O trabalho com madeira tornou-se uma das principais marcas da trajetória artística, com produção artesanal desenvolvida por mais de 40 anos.
Em 2003, inaugurou o bar Terra do Nunca, espaço que passou a reunir artistas, músicos e integrantes da cena alternativa e do rock regional, tornando-se uma referência da cultura alternativa em Goiânia.
Wagão também era associado aos ideais da contracultura inspirados pelo movimento de Woodstock, sendo reconhecido por uma postura de defesa da liberdade individual, da contestação e da independência em relação a valores tradicionais. Segundo Murah Lemos, um dos filhos, Wagão foi um “exemplo máximo de quem sustentou as próprias convicções”, sendo respeitado por artistas, intelectuais e políticos.
O artista deixa cinco filhos: Luciano, Murah, Mirmila, Radesh e Brayan. Luciano Pinheiro, missionário na Índia, acompanhou os últimos dias de vida do pai e destacou o “dom em fazer amigos” como um dos principais legados deixados por Wagão.
Murah Lemos, que vive em Nova Iorque, produz atualmente uma escultura em homenagem à trajetória do pai. O projeto começou a ser planejado durante uma visita recente aos Estados Unidos, com a participação do próprio Wagão.
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