Revendedores de gás encerram bloqueio ao Centro de Destroca em Goiânia
Cerca de 50 caminhões ficaram parados no Centro de Destroca na manhã desta segunda-feira (21), segundo o Sindigás
Revendedores de gás de cozinha paralisaram a troca de botijões no Centro de Destroca nesta segunda-feira (21), em Goiânia. Segundo o Sindicato dos Revendedores de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (Sinergás GO/MT/MS), organizador da paralisação, cerca de 50 caminhões das revendas ficaram parados no local pela manhã. O Centro de Destroca é o ponto onde o produto das distribuidoras é retirado.
A destroca é a etapa em que as revendas trocam botijões vazios por cheios de diferentes marcas, retirados das distribuidoras. Sem a troca, o revendedor não consegue repor o estoque que será entregue aos consumidores.
Em nota, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), que representa as distribuidoras, informou que os manifestantes liberaram o acesso às 14h, por determinação das autoridades policiais, e que as operações foram retomadas. O presidente do Sinergás, Zenildo Dias do Vale, confirmou que o movimento em Goiânia foi encerrado e que a mobilização em Brasília na próxima quarta-feira (23) está mantida.
O protesto é contra reajustes de R$4 a R$8 no botijão de 13 quilos (P 13), aplicados, segundo o sindicato, pelas distribuidoras Copa Energia, Ultragaz, Nacional Gás, Supergasbras e Consigaz. A entidade diz que os aumentos não foram explicados e cobra transparência na precificação. A categoria também reivindica mudanças na remuneração do Gás do Povo, programa federal que garante a recarga gratuita do botijão de 13 quilos a famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico).
O sindicato anunciou a paralisação na última sexta-feira (19), em nota divulgada à imprensa. Na ocasião, cobrou esclarecimentos sobre os critérios de reajuste e afirmou que recorreria ao Ministério Público Federal (MPF), à Polícia Federal (PF), ao Ministério de Minas e Energia (MME) e à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A entidade também disse que os revendedores poderiam suspender novas entregas do Gás do Povo. Uma mobilização está prevista em Brasília para o dia 23.
Segundo o Sinergás, com os caminhões parados, as revendas não conseguem repor o estoque, e o risco de falta de produto depende da duração da paralisação e do número de revendedores que aderirem. O Sindigás afirma que um número limitado de revendedores obstruiu o Centro de Destroca e que não houve impacto no abastecimento aos consumidores finais. A entidade diz que o bloqueio causou transtornos e prejuízos às distribuidoras e aos próprios revendedores.
Reajustes e posição das distribuidoras
O Sindigás disse não comentar preços, por regras de concorrência, e indicou dados da ANP e do MME como referência. Segundo levantamento da ANP, o preço médio nacional do botijão de 13 quilos foi de R$114 na primeira semana de setembro. Em Goiás, o produto é vendido a cerca de R$130, em média.
O Gás do Povo substituiu o Auxílio Gás e garante a recarga gratuita do botijão de 13 quilos a famílias inscritas no CadÚnico com renda de até meio salário-mínimo por pessoa. O vale é usado em revendas credenciadas, e a Caixa paga ao revendedor o valor de referência da recarga, definido por estado em ato conjunto dos ministérios de Minas e Energia e da Fazenda. Segundo o sindicato, é essa remuneração que a categoria quer rever.
A mobilização em Brasília, prevista para o dia 23, é o próximo passo anunciado pelo Sinergás. A entidade também disse que levará o caso ao MPF, à PF, ao MME e à ANP.
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