terça-feira, 30 de junho de 2026
GASOLINA ADULTERADA

Gasolina adulterada danifica o motor? Veja sinais de alerta

Descubra como a gasolina adulterada danifica o motor aos poucos e quais sinais o carro dá antes do prejuízo chegar

Rodrigo Souzapor Rodrigo Souza em 30 de junho de 2026
gasolina adulterada danifica o motor
Descubra como a gasolina adulterada danifica o motor do seu carro. (Foto: autoesporte.globo.com)

Encher o tanque parece um gesto simples, repetido sem pensar duas vezes. Mas por trás desse hábito existe um risco que poucos motoristas conhecem direito. A gasolina adulterada danifica o motor de forma silenciosa, peça por peça, até o problema aparecer de vez.

Este artigo reúne dados, depoimentos de especialistas e sinais práticos para qualquer pessoa identificar o problema antes que ele custe caro. Confira a seguir.

Como a gasolina adulterada danifica o motor por dentro

Adulterar combustível significa misturar produtos fora do padrão para ganhar dinheiro de forma irregular. No caso da gasolina, a fraude mais comum é o excesso de etanol acima do limite permitido. Por outro lado, existe uma versão bem mais grave: a mistura com metanol, um solvente industrial proibido em postos desde os anos 1980.

Em primeiro lugar, é importante entender que a gasolina adulterada danifica o motor porque altera a queima dentro dos cilindros. O motor é projetado para trabalhar com uma mistura específica de ar e combustível. Quando essa proporção muda, a combustão fica irregular e gera resíduos que não deveriam existir.

O metanol é o vilão mais perigoso dessa história. Segundo o mecânico Pedro Scopino, a substância corrói bicos injetores, filtro de combustível e bombas de alta e baixa pressão, peças sem qualquer proteção contra esse tipo de contato. Bicos injetores, filtro de combustível e bombas de alta e baixa pressão sofrem com a contaminação por metanol.

Ou seja, o estrago não fica restrito a uma peça isolada: ele se espalha pelo sistema de alimentação inteiro. Esclarecer esse ponto ajuda o motorista a entender por que o reparo, em muitos casos, sai caro e demorado.

O Instituto Combustível Legal (ICL) também alerta sobre outro efeito da fraude: a contaminação do óleo lubrificante. Como resultado, os aditivos que protegem o motor perdem eficiência aos poucos, pois os resíduos da queima atacam diretamente a formulação do óleo.

Sem essa proteção, peças como cabeçote, eixo de comando e válvulas acumulam borra e carbonização, segundo o ICL.

Sinais de alerta que o carro dá no dia a dia

Identificar os sintomas cedo faz diferença no bolso. Acima de tudo, vale prestar atenção em pequenas mudanças no comportamento do veículo logo após abastecer. A gasolina adulterada danifica o motor aos poucos, então os primeiros avisos costumam ser discretos antes de virar um problema grande.

O professor Clayton Zabeu, do Instituto Mauá de Tecnologia, explica que a marcha lenta costuma ficar instável em casos de adulteração, com falhas na partida e oscilações de rotação que geram vibrações perceptíveis.

E o mais importante: em carros flex, a eletrônica às vezes disfarça esse comportamento, o que atrasa a percepção do motorista. Outro sinal claro é o aumento repentino do consumo, sem motivo aparente para isso. Junto com esse sintoma, surge a perda de potência nas subidas e ultrapassagens.

O engenheiro mecânico Denis Marum chama atenção para outro detalhe pouco conhecido: o pedal do acelerador pode ficar “borrachudo”, exigindo mais pressão para a resposta do motor. Por exemplo, esse efeito aparece junto com a luz de injeção acesa no painel, que costuma ser o primeiro aviso eletrônico do problema.

Em casos mais avançados, o professor Juliano Barbosa, da Engenharia de Materiais do Mackenzie, descreve um cenário preocupante: o desgaste avança para velas, válvulas, pistões e escapamento. Certamente, o risco final é o motor travar e exigir retífica completa, um conserto de custo elevado para o proprietário.

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Números que mostram o tamanho do problema no Brasil

Dados oficiais ajudam a dimensionar a fraude no país. A ANP, agência que fiscaliza o setor, mantém o Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC), que coleta amostras em postos de todo o território nacional.

Levantamento do Instituto Combustível Legal com base nesses dados mostra que Alagoas lidera o índice de adulteração da gasolina, com 12% das amostras fora do padrão, seguida por Paraíba, com 6%, e por Pernambuco, Rio de Janeiro e Goiás, todos com 4%.

Da mesma forma, o problema atinge também o diesel, com índices ainda maiores em estados como Alagoas, com 24%, Mato Grosso do Sul, com 18%, e Amapá e Rio Grande do Sul, ambos com 15%. Esses números deixam claro que a gasolina adulterada danifica o motor de forma desigual pelo país, dependendo da região onde o motorista abastece.

A fraude não é um fenômeno isolado de pequenos golpistas. Investigações recentes revelaram um esquema de grande porte: uma megaoperação deflagrada em 28 de agosto de 2025 identificou adulteração com metanol em mais de 2.500 postos pelo país.

O metanol usado nesse esquema, segundo a apuração, era desviado de importações legais destinadas à indústria química e farmacêutica. Entretanto, a fiscalização enfrenta dificuldades orçamentárias: o valor disponível para despesas da ANP, corrigido pelo IPCA, caiu de R$ 749 milhões em 2013 para R$ 134 milhões em 2024, uma redução de 82%.

Escolher um posto de combustíveis com bandeira é fundamental. (Foto: grupodicas.com)

Como proteger o carro e evitar prejuízo com combustível ruim

Pequenas mudanças de hábito reduzem bastante o risco de cair em um posto irregular. Em segundo lugar, depois de entender os sintomas, vale saber como agir na hora de abastecer.

Preço muito abaixo da média do bairro costuma ser o primeiro sinal de alerta, segundo orientação da própria ANP. José Luiz de Souza, especialista da agência, recomenda o teste de proveta para medir a proporção de etanol na gasolina antes de seguir viagem, já que preços muito abaixo do mercado costumam indicar fraude.

Pedir a nota fiscal em todo abastecimento também faz diferença. O documento serve como prova em uma eventual denúncia, além de ajudar o consumidor a registrar onde e quando o problema começou.

Além disso, optar por postos de marca conhecida, com fiscalização constante, reduz a chance de encontrar combustível fora do padrão. Manter o carro em revisão regular também ajuda a perceber qualquer mudança no comportamento do motor com mais rapidez.

Quem já percebeu sintomas no carro precisa agir rápido para limitar o estrago. O primeiro passo é retirar o combustível contaminado do tanque do veículo, sempre com luvas de proteção durante o processo. Depois, o descarte precisa seguir as regras locais, para não contaminar solo nem água.

Posteriormente, o abastecimento com combustível de qualidade e a adição de um aditivo de limpeza ajudam o motor a eliminar resíduos acumulados. Rodar alguns quilômetros depois desse processo permite que o produto circule por todo o sistema.

Toda atenção é pouca na hora de abastecer o carro

Em conclusão, o cuidado na hora de escolher onde abastecer evita dor de cabeça e gasto desnecessário com oficina. Resumindo, os sinais existem e aparecem cedo: marcha lenta instável, perda de potência, consumo maior e luz de injeção acesa merecem atenção imediata.

Cada motorista pode reduzir o risco com escolhas simples no dia a dia, observando o preço, guardando a nota fiscal e desconfiando de promoções fora da realidade. Esses cuidados, somados, fazem diferença real na vida útil do veículo. No fim das contas, fica claro que a gasolina adulterada danifica o motor com o tempo, e prevenir continua sendo o caminho mais barato.

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