quinta-feira, 2 de julho de 2026
saúde

Pneumonia pode evoluir rapidamente após resfriado; saiba reconhecer os sinais de alerta

Brasil registrou mais de 89 mil casos de síndrome respiratória grave em 2026; especialista explica quando a infecção passa a comprometer os pulmões e exige atendimento imediato

Luana Avelarpor Luana Avelar em 2 de julho de 2026
Pneumonia

O frio e o ar seco do outono-inverno aceleraram a circulação de vírus respiratórios no Brasil. Segundo o boletim mais recente da Fiocruz, o país já registrou mais de 89 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave em 2026, sendo cerca de 49 mil com confirmação para vírus respiratórios. Entre crianças, o vírus sincicial respiratório permanece como o principal agente associado às hospitalizações. Entre adultos e idosos, predomina a influenza A.

Nesse cenário, a pneumonia segue como uma das principais complicações das infecções respiratórias, especialmente entre crianças pequenas, idosos e pacientes imunocomprometidos.

Para Carol Xavier, fisioterapeuta respiratória especialista em Terapia Intensiva Pediátrica e Neonatal, o problema não está apenas na gravidade da infecção, mas na dificuldade de reconhecer quando ela muda de patamar. “Nem toda gripe ou resfriado evolui para pneumonia, mas grande parte das pneumonias é precedida por uma infecção viral das vias respiratórias. O ponto crítico é reconhecer precocemente quando a evolução deixa de ser a esperada e passa a comprometer a função pulmonar e a mecânica respiratória, aumentando o risco de insuficiência respiratória e de internação”, afirma.

Quando buscar atendimento

A especialista alerta que a febre isolada não é o principal indicador de gravidade. “Mais importante do que observar apenas a febre é avaliar como a infecção está repercutindo na respiração e no estado geral do paciente. Quando surgem dificuldade para respirar, aumento do esforço respiratório, cansaço progressivo ou redução importante da alimentação e da hidratação, é fundamental buscar reavaliação médica, porque esses sinais podem indicar comprometimento da função pulmonar”, orienta.

Leia mais:

Pacientes com doenças respiratórias crônicas, cardiopatias, imunodeficiências, prematuridade e outras condições que comprometem a resposta imunológica apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença.

Vacinação como prevenção

Em junho, o Ministério da Saúde incorporou a vacina pneumocócica conjugada 20-valente ao calendário do SUS, ampliando a proteção contra um número maior de sorotipos do Streptococcus pneumoniae, principal bactéria responsável por pneumonias, meningites e sepse.

“A incorporação da Pneumo 20 representa um avanço para a prevenção das formas graves de pneumonia. Associada à vacinação contra influenza, à manutenção de altas coberturas vacinais e ao diagnóstico precoce, ela tem potencial para reduzir significativamente internações e complicações, principalmente entre crianças, idosos e pacientes com maior vulnerabilidade clínica”, conclui Carol Xavier.

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