quarta-feira, 8 de julho de 2026
Saúde

Endometriose está associada a maior risco de alguns tipos de câncer de ovário

A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido

Leticia Mariellepor Leticia Marielle em 7 de julho de 2026
Endometriose está associada a maior risco de alguns tipos de câncer de ovário
Endometriose está associada a maior risco de alguns tipos de câncer de ovário; | Foto: Reprodução/Freepik

Receber o diagnóstico de endometriose costuma despertar uma série de dúvidas, entre elas a possibilidade de a doença aumentar o risco de câncer de ovário. Embora pesquisas científicas apontem uma associação entre as duas condições, especialistas ressaltam que os dados precisam ser interpretados com cautela para evitar conclusões alarmistas.

A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao revestimento interno do útero fora da cavidade uterina. A condição pode causar dor pélvica intensa, alterações intestinais, desconforto durante as relações sexuais e infertilidade, afetando milhões de mulheres em todo o mundo.

Nos últimos anos, estudos passaram a investigar a relação entre a doença e o câncer de ovário. Uma revisão internacional publicada em 2026 reforçou evidências já observadas pela literatura científica ao identificar uma associação entre a endometriose e alguns subtipos específicos da doença, principalmente os carcinomas endometrioide e de células claras.

Apesar da relação identificada, os pesquisadores destacam que o diagnóstico de endometriose não significa que a paciente desenvolverá câncer de ovário. O principal ponto é compreender a diferença entre risco relativo e risco absoluto.

Embora mulheres com endometriose apresentem um risco proporcionalmente maior para determinados tipos de câncer de ovário, a probabilidade real de desenvolver a doença permanece baixa. Na população feminina em geral, o risco ao longo da vida é de cerca de 1,4%. Entre pacientes com endometriose, esse percentual chega a aproximadamente 1,9%.

A principal conclusão do estudo, porém, não é um alerta para o desenvolvimento de câncer entre mulheres com endometriose. Segundo os pesquisadores, o aspecto mais importante é a interpretação correta dos dados, já que a associação identificada não significa que a maioria das pacientes desenvolverá a doença. 

Casos mais complexos exigem acompanhamento individualizado

A endometriose pode se manifestar de diferentes formas, desde lesões superficiais até quadros mais complexos, como os endometriomas ovarianos e a endometriose infiltrativa profunda. Segundo especialistas, pacientes com essas apresentações podem ter um risco maior de complicações quando comparadas à população em geral, o que reforça a importância de um acompanhamento médico individualizado.

Mais do que investigar a possibilidade de câncer, o objetivo do seguimento clínico é monitorar a evolução da doença, controlar os sintomas, avaliar possíveis impactos na fertilidade e preservar a qualidade de vida. A conduta deve ser definida de acordo com o histórico e as características de cada paciente.

Rastreamento para câncer de ovário não é recomendado

Outra dúvida frequente é se mulheres com endometriose devem realizar exames periódicos para detectar precocemente o câncer de ovário. De acordo com as evidências científicas disponíveis, a resposta é não.

As principais sociedades médicas não recomendam exames de rastreamento oncológico de rotina nem cirurgias preventivas apenas pelo diagnóstico de endometriose. Isso porque, apesar da associação entre as duas condições, o risco absoluto de desenvolver câncer permanece baixo e não há comprovação de que essas medidas tragam benefícios que justifiquem intervenções mais invasivas.

Assim, a orientação é manter consultas regulares, realizar os exames indicados pelo médico e concentrar os esforços no controle da própria endometriose.

Diagnóstico não representa evolução para câncer

Especialistas reforçam que receber o diagnóstico de endometriose não deve ser motivo de alarme. Atualmente, há diferentes opções terapêuticas capazes de aliviar os sintomas, preservar a fertilidade quando necessário e proporcionar melhor qualidade de vida.

Além disso, nem todas as mulheres com a doença terão dificuldade para engravidar, precisarão de cirurgia ou apresentarão formas mais graves da enfermidade.

A recomendação é buscar informações baseadas em evidências científicas, seguir o acompanhamento com um especialista e evitar conclusões precipitadas sobre o risco de câncer. O avanço das pesquisas tem permitido compreender melhor a endometriose e mostra que, embora exista associação com alguns subtipos de câncer de ovário, essa evolução é incomum. O consenso entre os especialistas é que o tratamento individualizado e o acompanhamento contínuo continuam sendo as estratégias mais eficazes para garantir a saúde e o bem-estar das pacientes.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Veja também