PF mira ex-prefeito, ex-secretário e policiais em investigação sobre esquema bilionário no Rio
A sexta fase da Operação Unha e Carne apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e relações entre agentes públicos e grupos criminosos. Segundo relatório do Coaf, empresas ligadas aos investigados movimentaram R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (7), a sexta fase da Operação Unha e Carne, que amplia as investigações sobre uma suposta rede de proteção ao crime organizado formada por agentes públicos no Rio de Janeiro. Entre os principais alvos estão o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella (União Brasil), o ex-secretário estadual de Polícia Civil Marcus Amim e outros integrantes da corporação.
De acordo com as investigações, um relatório produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações financeiras de aproximadamente R$ 7,6 bilhões em empresas ligadas ao grupo investigado ao longo dos últimos seis anos. A suspeita é de que a estrutura tenha sido utilizada para ocultar recursos por meio de uma rede de postos de combustíveis.
Ao todo, a Justiça autorizou 19 mandados de busca e apreensão em municípios da Região Metropolitana e do interior fluminense. Durante a operação, policiais apreenderam armas, dinheiro em espécie, joias, relógios e veículos de luxo, além de determinarem o bloqueio de bens e a suspensão das atividades de empresas apontadas como integrantes do esquema.
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Quem são os investigados
Além de Márcio Canella e Marcus Amim, a operação também tem como alvo o ex-policial militar e miliciano Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, apontado em investigações anteriores como liderança paramilitar na Baixada Fluminense.
Outro investigado é o inspetor da Polícia Civil Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. Segundo a PF, ele seria proprietário, por meio de terceiros, de uma extensa rede de postos de combustíveis utilizada nas investigações financeiras.
Como surgiu a investigação
As apurações começaram após um relatório de inteligência financeira do Coaf indicar movimentações consideradas incompatíveis com as atividades declaradas pelas empresas ligadas ao grupo.
Segundo a Polícia Federal, além dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e outros delitos que eventualmente sejam identificados durante o andamento das investigações.
Operação já teve outras fases
A Unha e Carne começou em dezembro de 2025 investigando o suposto vazamento de informações sigilosas de operações policiais contra integrantes do Comando Vermelho. Desde então, a investigação evoluiu para apurar uma possível rede de proteção institucional envolvendo políticos, empresários, integrantes das forças de segurança e membros do Judiciário.
Nas fases anteriores foram presos, entre outros, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, o deputado estadual Thiago Rangel e o pastor Márcio Poncio. As investigações também alcançaram empresários ligados ao setor de combustíveis e suspeitos de integrar a chamada Máfia do Cigarro.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam para identificar outros possíveis participantes e aprofundar a análise das movimentações financeiras atribuídas ao grupo.
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