terça-feira, 7 de julho de 2026
UNHA E CARNE

PF mira ex-prefeito, ex-secretário e policiais em investigação sobre esquema bilionário no Rio

A sexta fase da Operação Unha e Carne apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e relações entre agentes públicos e grupos criminosos. Segundo relatório do Coaf, empresas ligadas aos investigados movimentaram R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos

Luma Silveirapor Luma Silveira em 7 de julho de 2026
Unha e carne
Com novas buscas realizadas nesta terça-feira, a Polícia Federal amplia as apurações sobre um grupo suspeito de movimentar bilhões de reais e manter ligações com organizações criminosas | Foto: Divulgação PF

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (7), a sexta fase da Operação Unha e Carne, que amplia as investigações sobre uma suposta rede de proteção ao crime organizado formada por agentes públicos no Rio de Janeiro. Entre os principais alvos estão o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella (União Brasil), o ex-secretário estadual de Polícia Civil Marcus Amim e outros integrantes da corporação.

De acordo com as investigações, um relatório produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações financeiras de aproximadamente R$ 7,6 bilhões em empresas ligadas ao grupo investigado ao longo dos últimos seis anos. A suspeita é de que a estrutura tenha sido utilizada para ocultar recursos por meio de uma rede de postos de combustíveis.

Ao todo, a Justiça autorizou 19 mandados de busca e apreensão em municípios da Região Metropolitana e do interior fluminense. Durante a operação, policiais apreenderam armas, dinheiro em espécie, joias, relógios e veículos de luxo, além de determinarem o bloqueio de bens e a suspensão das atividades de empresas apontadas como integrantes do esquema.

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Quem são os investigados

Além de Márcio Canella e Marcus Amim, a operação também tem como alvo o ex-policial militar e miliciano Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, apontado em investigações anteriores como liderança paramilitar na Baixada Fluminense.

Outro investigado é o inspetor da Polícia Civil Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. Segundo a PF, ele seria proprietário, por meio de terceiros, de uma extensa rede de postos de combustíveis utilizada nas investigações financeiras.

Como surgiu a investigação

As apurações começaram após um relatório de inteligência financeira do Coaf indicar movimentações consideradas incompatíveis com as atividades declaradas pelas empresas ligadas ao grupo.

Segundo a Polícia Federal, além dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e outros delitos que eventualmente sejam identificados durante o andamento das investigações.

Operação já teve outras fases

A Unha e Carne começou em dezembro de 2025 investigando o suposto vazamento de informações sigilosas de operações policiais contra integrantes do Comando Vermelho. Desde então, a investigação evoluiu para apurar uma possível rede de proteção institucional envolvendo políticos, empresários, integrantes das forças de segurança e membros do Judiciário.

Nas fases anteriores foram presos, entre outros, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, o deputado estadual Thiago Rangel e o pastor Márcio Poncio. As investigações também alcançaram empresários ligados ao setor de combustíveis e suspeitos de integrar a chamada Máfia do Cigarro.

A Polícia Federal informou que as investigações continuam para identificar outros possíveis participantes e aprofundar a análise das movimentações financeiras atribuídas ao grupo.

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