Exército contradiz defesa de Bolsonaro e informa ao STF que duas armas não foram localizadas
Defesa afirma que uma das armas está em empresa do setor bélico no Rio Grande do Sul e sustenta que outra já havia sido entregue à Polícia Federal
O Exército informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não localizou duas armas que, segundo a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), estariam armazenadas no Batalhão de Polícia do Exército, em Brasília. A comunicação foi enviada após determinação do ministro Alexandre de Moraes para que todo o armamento vinculado ao ex-presidente fosse apresentado à Polícia Federal.
De acordo com o comando militar, parte das armas foi entregue conforme a ordem judicial. Entretanto, uma pistola Glock e uma espingarda da marca Maestro Arms Company não estavam sob a guarda da unidade militar, contrariando a informação inicialmente prestada pela defesa.
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Após o posicionamento do Exército, os advogados de Bolsonaro apresentaram novos esclarecimentos ao STF. Segundo a defesa, a espingarda permanece em uma empresa especializada na importação de armamentos, localizada no Rio Grande do Sul. O argumento é que a arma teria sido recebida como presente, mas nunca chegou a ser retirada do estabelecimento, permanecendo no local desde então.
Já em relação à pistola Glock, a defesa informou que ela não estaria desaparecida. Os advogados sustentam que o armamento foi entregue à Polícia Federal ainda em abril de 2023, por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), e pediram que o Supremo indique as providências necessárias para formalizar a situação da arma.
Ordem do STF
A determinação para recolhimento do armamento ocorreu após Alexandre de Moraes manter Bolsonaro em prisão domiciliar e ordenar que todas as armas registradas em nome do ex-presidente fossem entregues à Polícia Federal.
Segundo informações apresentadas ao STF, dez armas estão vinculadas ao acervo de Bolsonaro. Oito delas, conforme informado inicialmente pela defesa, estariam armazenadas no Batalhão de Polícia do Exército, enquanto outras duas já estariam sob responsabilidade da Polícia Federal.
Número de série chamou atenção
Durante a conferência do material, um detalhe passou a ser analisado pelas autoridades. O número de série de uma das armas mencionadas no processo coincide com o de uma pistola apreendida recentemente em uma abordagem policial no Distrito Federal.
Na ocasião, o armamento estava com um militar do Exército que integra a equipe de segurança de Bolsonaro. Conforme as investigações, ele não possuía autorização do proprietário para portar a arma e acabou sendo indiciado por porte ilegal de arma de fogo.
A defesa do ex-presidente afirmou que havia solicitado ao militar apenas o encaminhamento da pistola para manutenção, alegando que o equipamento estava inoperante e havia sido retirado de circulação justamente para evitar riscos. O caso segue sob análise do STF e da Polícia Federal, que deverão verificar a situação de cada arma relacionada ao patrimônio do ex-presidente.
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