sexta-feira, 10 de julho de 2026
NEGÓCIOS

Cervejas artesanais ganham força em Goiás com sabores do Cerrado

Levantamento do Sebrae mostra que mudanças no perfil do consumidor abrem espaço para novos negócios e fortalecem o mercado estadual

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 9 de julho de 2026 às 23:03
Cervejas artesanais ganham força em Goiás com sabores do Cerrado
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O mercado de cervejas artesanais atravessa um dos períodos mais promissores de sua história. Impulsionado pela busca dos consumidores por produtos diferenciados, pela valorização da produção local e pelo avanço de novos modelos de negócios, o segmento amplia espaço no Brasil e abre novas oportunidades para empreendedores goianos. De olho nesse cenário, o Sebrae Goiás lançou o Boletim de Tendências – Cervejarias Artesanais, estudo que reúne dados sobre o mercado, mudanças no comportamento do consumidor e estratégias para fortalecer a competitividade das micro e pequenas cervejarias.

O levantamento mostra que o setor deixou de competir apenas pelo sabor da bebida e passou a disputar mercado por meio da experiência oferecida ao consumidor, da identidade regional, da inovação tecnológica e da sustentabilidade. Em um ambiente cada vez mais diversificado, cervejarias independentes encontram espaço para crescer explorando ingredientes típicos do Cerrado, turismo gastronômico, inteligência artificial e modelos de venda direta.

Mercado em expansão fortalece o setor

Segundo a consultoria Fortune Business Insights, o mercado global de cervejas artesanais foi avaliado em US$ 113,58 bilhões em 2025 e deverá atingir US$ 290,55 bilhões até 2034, mantendo crescimento médio superior a 11% ao ano.

Cerveja
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No Brasil, o segmento acompanha essa evolução. Dados do Anuário da Cerveja 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mostram que o país alcançou 1.954 cervejarias registradas em quase 800 municípios e mais de 44 mil cervejas cadastradas. O Brasil é hoje o terceiro maior produtor mundial de cerveja, atrás apenas da China e dos Estados Unidos, com produção superior a 15 bilhões de litros anuais.

Em Goiás, o mercado reúne 38 cervejarias e 397 rótulos registrados, demonstrando espaço para expansão e novos investimentos.

Cerrado vira diferencial competitivo

Para o Sebrae Goiás, um dos principais caminhos para o crescimento das microcervejarias está na valorização da identidade regional. O uso de ingredientes típicos do Cerrado, como pequi, baru, cagaita, cajuzinho-do-cerrado e mel de abelhas nativas, permite desenvolver bebidas exclusivas e agregar valor ao produto.

Além dos ingredientes, consumidores valorizam cada vez mais marcas com história, produção local, sustentabilidade e parcerias com produtores da região. Esse posicionamento fortalece a economia local e diferencia as pequenas cervejarias diante das grandes indústrias.

Turismo e experiência impulsionam novos negócios

Outra tendência apontada pelo estudo é a expansão dos taprooms e brewpubs, modelos que transformam as cervejarias em espaços de convivência, gastronomia e lazer. Nesses ambientes, o consumidor conhece o processo produtivo, participa de degustações e cria uma relação mais próxima com a marca.

Em Goiás, esse movimento ganhou incentivo com a criação do Circuito Turístico-Cultural da Cerveja Artesanal, instituído pela Lei nº 21.907/2023, que reconhece o setor como ferramenta de desenvolvimento turístico, cultural e econômico.

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Consumo muda e amplia oportunidades

O boletim também mostra mudanças importantes no perfil do consumidor. Cresce a procura por cervejas leves, sem álcool, com menor teor alcoólico e sem glúten. Segundo a consultoria IWSR, a categoria de bebidas sem álcool deverá crescer cerca de 10% ao ano no Brasil até 2028, avanço puxado principalmente pela cerveja.

Ao mesmo tempo, aumenta o interesse por lançamentos sazonais, harmonizações gastronômicas e rótulos produzidos com ingredientes regionais, criando novas oportunidades para inovação.

Tecnologia e sustentabilidade ganham protagonismo

A transformação digital também chega às pequenas cervejarias. Ferramentas de inteligência artificial já auxiliam na previsão de demanda, controle de estoque, análise de vendas, criação de campanhas de marketing e desenvolvimento de novos produtos.

Na área ambiental, cresce a adoção de práticas de economia circular, como reaproveitamento do bagaço de malte para alimentação animal e panificação, uso de energia solar, reaproveitamento de água, logística reversa de garrafas e reciclagem de embalagens.

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