sexta-feira, 23 de outubro de 2026
COMBUSTÍVEIS

Governo adia retirada de subsídio da gasolina após novos ataques ao Irã

Alta do petróleo e risco de novo bloqueio no Estreito de Hormuz levaram a equipe econômica a reavaliar a medida

Thais Munizpor em
gasolina
O ministro da Fazenda, Dario Durigan - Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda

O governo federal adiou a decisão sobre a retirada do subsídio à gasolina após a retomada dos ataques dos Estados Unidos contra o Irã. Além disso, a nova alta do petróleo no mercado internacional aumentou a cautela da equipe econômica. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (9) que analisará a medida novamente na próxima semana.

Inicialmente, o governo pretendia começar a retirar o benefício ainda nesta semana. No entanto, a escalada do conflito no Oriente Médio mudou o cenário. Agora, a equipe econômica acompanha a cotação do petróleo e o risco de um novo bloqueio do Estreito de Hormuz.

“Esta semana eu iria anunciar a retirada da gasolina, mas vou analisar a retirada na próxima semana, porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente do que eu estava prevendo”, afirmou Durigan, em entrevista à Rádio Gaúcha.

Segundo o ministro, o barril de petróleo voltou à faixa dos US$ 80. Por isso, o governo decidiu agir com cautela antes de reduzir o subsídio. A retirada poderá ocorrer de forma parcial ou total, conforme o comportamento dos preços nos próximos dias.

“Semana que vem, a depender da situação, o que eu gostaria de fazer é retirar o subsídio da gasolina, seja parcial ou totalmente, como próximo passo”, disse.

Novos ataques aumentam pressão sobre o petróleo

Os Estados Unidos atacaram mais de 90 alvos militares no Irã nesta quarta-feira (8). Com isso, a nova ofensiva encerrou o cessar-fogo que estava em vigor entre os dois países e voltou a elevar a tensão na região.

Segundo as forças americanas, a operação buscou reduzir a capacidade iraniana de atacar navios comerciais no Estreito de Hormuz. Os ataques atingiram sistemas de defesa aérea, estruturas de vigilância costeira e depósitos de mísseis e drones. Instalações navais e áreas de logística militar também entraram na lista de alvos.

A ofensiva ocorreu após os Estados Unidos acusarem o Irã de atacar navios comerciais que passavam pela região. Um dia antes, na terça-feira (7), forças americanas já haviam atingido dezenas de alvos militares iranianos.

Agora, o mercado acompanha o risco de uma nova interrupção da circulação pelo Estreito de Hormuz. A rota concentra cerca de um quinto do petróleo mundial. Nesta quinta-feira, o preço do barril voltou a subir diante da retomada dos ataques.

“Ontem o petróleo voltou a subir para US$ 80 e aí temos que adotar com cautela a retirada de subsídio”, declarou Durigan.

O governo criou o subsídio à gasolina para reduzir os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis. Na semana passada, durante a vigência do cessar-fogo, Durigan havia anunciado o início da retirada do benefício.

O Executivo, porém, já encerrou parte das medidas destinadas ao diesel. Segundo o ministro, a isenção do ICMS acordada com os estados chegou ao fim. Além disso, o governo também reduziu uma parcela da subvenção ao combustível.

“Ao mesmo tempo que a gente teve prontidão para fazer medidas, temos que ter prontidão para retomar a situação anterior”, afirmou.

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Governo mantém plano para aumentar mistura de etanol

Apesar do novo cenário internacional, Durigan afirmou que o governo mantém o plano de elevar de 30% para 32% a mistura de etanol na gasolina. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deverá analisar a mudança nos próximos dias.

O conselho discutiria o assunto nesta quarta-feira. No entanto, o governo adiou a reunião diante das mudanças nos preços provocadas pela retomada dos ataques. Segundo o ministro, a alteração do calendário não muda a intenção de elevar o percentual.

“Como a gente estava com uma mudança nos preços durante o início da reunião, a gente vai aguardar para ver se tem alguma outra medida necessária no CNPE. Isso não afeta a decisão dos 32%”, afirmou.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), informou que o CNPE deverá se reunir na próxima terça-feira (14). Na ocasião, o conselho deve deliberar sobre o aumento da mistura de etanol.

Segundo Motta, o governo mantém a intenção de retirar o subsídio da gasolina. Antes disso, porém, pretende acompanhar os efeitos da nova escalada do conflito no Irã sobre os preços.

Durigan também afirmou que o Executivo pretende ampliar a mistura de biodiesel no diesel ainda neste ano. Até o momento, contudo, o governo não informou quando colocará a mudança em prática.

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