quinta-feira, 9 de julho de 2026
INVESTIGAÇÃO

Laudo aponta irregularidades, mas reconstituição vai esclarecer acidente na GO-518

Laudo da Polícia Científica identificou irregularidades nos veículos envolvidos no acidente que matou cinco estudantes

Micael Mourapor Micael Moura em 9 de julho de 2026 às 18:14
GO-518
Foto: Divulgação

A conclusão do laudo da Polícia Científica sobre o acidente entre uma van escolar e um caminhão boiadeiro na GO-518, em Córrego do Ouro, representa um avanço importante nas investigações. No entanto, o documento ainda não esclarece como ocorreu a colisão que matou cinco estudantes no início de junho.

Segundo a Polícia Científica, as conclusões definitivas sobre a dinâmica do acidente dependem da realização de uma Reprodução Simulada dos Fatos, conhecida como reconstituição. O laudo já foi encaminhado à Delegacia de Polícia responsável pelo caso para subsidiar a continuidade do inquérito.

Reconstituição será decisiva para esclarecer a colisão

Em nota divulgada nesta quarta-feira (9), a Polícia Científica informou que a reconstituição somente pôde ser solicitada após a conclusão do laudo técnico, já que os elementos produzidos durante a perícia são fundamentais para o planejamento do exame.

De acordo com a corporação, somente após esse procedimento será possível estabelecer, de forma técnica e científica, as circunstâncias que levaram ao acidente.

Laudo aponta irregularidades nos veículos

Embora ainda não determine a causa da colisão, o laudo identificou uma série de irregularidades.

Entre elas, está a ausência do número do chassi da carroceria do caminhão que transportava 32 cabeças de gado, situação que levantou indícios de possível adulteração do veículo.

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Os peritos também constataram que nem a van escolar nem o caminhão possuíam tacógrafo, equipamento responsável por registrar velocidade, distância percorrida, tempo de direção e períodos de parada.

Além disso, uma fiscalização da Agência Goiana de Regulação (AGR) confirmou que a van não possuía autorização para realizar transporte intermunicipal de passageiros e não estava cadastrada para prestar esse tipo de serviço.

Apesar dessas constatações, a Polícia Científica ressaltou que ainda não há relação comprovada entre as irregularidades encontradas e a causa do acidente.

O que será analisado na reconstituição

A Reprodução Simulada dos Fatos permitirá que os peritos reconstruam os momentos que antecederam a colisão.

Durante o procedimento, serão analisados os danos nos veículos, as marcas deixadas na pista, o posicionamento dos automóveis, as condições da rodovia, além dos depoimentos das testemunhas e das versões apresentadas pelos envolvidos.

O exame deverá responder questões como a posição dos veículos no momento do impacto, a velocidade desenvolvida por cada um deles, o tempo de reação do motorista da van e se havia possibilidade de evitar a colisão.

Segundo a Polícia Científica, a reconstituição será realizada “com a maior brevidade possível”, seguindo critérios técnicos, científicos e legais.

Tragédia deixou cinco estudantes mortos

O acidente aconteceu na noite de 1º de junho, na GO-518, entre os municípios de Córrego do Ouro e Buriti de Goiás.

A van transportava estudantes do Colégio Estadual da Polícia Militar 5 de Janeiro, em Sanclerlândia, quando colidiu com um caminhão carregado com 32 cabeças de gado.

Morreram no acidente Isadora Castro Neves, de 12 anos; Izadora Monteiro da Silva, de 12 anos; Maria Carolina Sabino Alves, de 11 anos; Ezequiel Souza Oliveira, de 14 anos; e Lucas Antônio de Souza Dias, de 14 anos.

Outras sete crianças ficaram feridas, foram encaminhadas para unidades de saúde e, posteriormente, transferidas para o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia. Todas receberam alta médica.

Próxima etapa da investigação

Com a conclusão do laudo pericial, a investigação entra agora em uma fase decisiva. A reconstituição deverá reunir todos os elementos técnicos produzidos desde o dia do acidente para esclarecer a dinâmica da colisão e apontar os fatores que contribuíram para a tragédia.

Somente após essa etapa a Polícia Civil poderá concluir o inquérito e definir se haverá responsabilização criminal dos envolvidos.

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