Tempo seco aumenta risco de queimadas e coloca Goiás em alerta
Com umidade do ar entre 20% e 30%, Goiás entra no período crítico da estiagem após registrar aumento de 55% nos incêndios em vegetação
A chegada do período de estiagem já acende o sinal de alerta em Goiás. Com a redução da umidade do ar, o aumento das temperaturas e a vegetação cada vez mais seca, cresce o risco de incêndios florestais e queimadas em áreas rurais e urbanas. Embora os meses mais críticos da seca ainda estejam por vir, os números registrados neste ano já preocupam autoridades, produtores rurais e órgãos ambientais, reforçando a necessidade de ampliar as medidas de prevenção.
Dados do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás mostram que, entre janeiro e maio deste ano, foram registradas 237 ocorrências de incêndios em vegetação, um aumento de 55% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 152 registros. O crescimento acontece justamente antes do auge da estiagem, época em que as condições climáticas favorecem a rápida propagação das chamas.
O monitoramento realizado pelo Centro de Excelência em Estudos, Monitoramento e Previsões Ambientais do Cerrado (CEMPA-Cerrado) também acompanha a evolução dos focos de calor. O levantamento aponta 518 focos registrados em Goiás em 2026, frente aos 807 contabilizados em 2025, uma redução de 35%. Apesar da queda nesse indicador, especialistas alertam que os próximos meses costumam concentrar o maior número de ocorrências, exigindo atenção permanente das equipes de prevenção e combate.
Alerta para baixa umidade
O cenário é reforçado pelas previsões meteorológicas. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta de perigo para baixa umidade em Goiás entre quarta-feira e domingo, válido para todo o território goiano. A previsão é de que a umidade relativa do ar varie entre 20% e 30% durante as tardes, índice considerado de atenção e muito abaixo do recomendado para a saúde da população.
Segundo o gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), André Amorim, o ideal é que a umidade permaneça próxima de 50%. Atualmente, algumas regiões do Estado já registram índices em torno de 25%.
Além dos impactos para a saúde, como aumento de problemas respiratórios e desidratação, a combinação entre baixa umidade, altas temperaturas, ventos e vegetação seca cria um ambiente favorável para a propagação de incêndios. O Cimehgo informa ainda que existe apenas uma pequena possibilidade de pancadas isoladas de chuva no fim de semana. Depois disso, a tendência é de continuidade do tempo seco.
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Campo está entre os mais afetados
Para quem vive da agropecuária, o período exige atenção redobrada. Um incêndio pode destruir lavouras, consumir pastagens, atingir cercas, galpões, máquinas, reservas legais e colocar rebanhos em risco. Em poucos minutos, um pequeno foco pode provocar prejuízos financeiros significativos e comprometer meses de trabalho.
Outro agravante é que o fogo nem sempre começa dentro da propriedade. Em muitos casos, as chamas têm origem às margens de rodovias, em terrenos vizinhos ou em áreas de vegetação nativa e acabam sendo levadas pelo vento até fazendas e plantações.
No ano de 2025, produtores enfrentaram uma das temporadas mais severas de queimadas dos últimos anos. Incêndios chegaram a interditar rodovias por causa da fumaça intensa e exigiram grande mobilização das equipes de combate, aumentando a preocupação com a preparação para a estiagem deste ano.
Operação Cerrado Vivo reforça prevenção
Para reduzir os impactos da seca, Goiás antecipou as ações da Operação Cerrado Vivo, considerada a principal estratégia estadual de prevenção e combate aos incêndios florestais.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar, intensificou o monitoramento por satélite, instalou bases operacionais em Unidades de Conservação antes do início da estiagem e ampliou as equipes de fiscalização e resposta.
Entre as ações está o Manejo Integrado do Fogo, que utiliza técnicas como construção de aceiros e queimas prescritas para reduzir o excesso de vegetação seca e impedir que incêndios de grandes proporções se desenvolvam durante o período crítico.
Outra iniciativa é o projeto piloto PSA Brigadas, que capacitou quase 180 brigadistas comunitários em seis municípios do Nordeste goiano. Os brigadistas atuam na prevenção, monitoramento, educação ambiental e apoio às primeiras ações de combate aos incêndios.
As medidas já apresentam resultados nas áreas protegidas. Segundo a Semad, a área queimada nas Unidades de Conservação estaduais caiu de 14.966 hectares até outubro de 2024 para 2.154 hectares no mesmo período de 2025, redução de aproximadamente 86%.
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