Mais de 112 mil crianças são internadas por acidentes ao ano; férias pedem atenção dentro de casa
Acidentes são a principal causa de morte de crianças de 1 a 14 anos no Brasil; especialistas orientam sobre como organizar ambientes e manter rotina para reduzir riscos no período sem aulas
Com a chegada das férias escolares, as crianças passam mais tempo em casa e os riscos dentro do ambiente doméstico aumentam. No Brasil, os acidentes são a principal causa de morte de crianças de 1 a 14 anos, segundo a Criança Segura, com mais de 3,3 mil mortes e 112 mil internações por ano. A cartilha de prevenção do Governo Federal aponta que muitos desses casos podem ser evitados com supervisão, cuidado e adaptação dos ambientes.
Os riscos costumam aparecer em situações simples do dia a dia. Cabos de panela voltados para fora do fogão, produtos de limpeza em locais baixos, medicamentos acessíveis, tomadas sem proteção, baldes com água e objetos cortantes estão entre os perigos mais comuns dentro de casa. Com mais tempo livre, a criança circula mais pela cozinha, explora quintais e fica perto de objetos que, durante o período escolar, passariam despercebidos.
Para a diretora do Colégio São Francisco de Assis, Cláudia Cristiane de Andrade, uma rotina minimamente organizada reduz os riscos. “A criança aprende quando desenha, monta, escuta uma história, ajuda em uma receita simples ou participa de uma brincadeira com a família. Nas férias, essas experiências ajudam no desenvolvimento e também aproximam os adultos da rotina da criança, o que torna o ambiente mais seguro”, afirma.
Atividades que mantêm a criança envolvida
A proposta não é transformar as férias em sala de aula, mas oferecer experiências que mantenham a criança curiosa e acompanhada. Entre as sugestões estão leitura compartilhada, jogos de memória, quebra-cabeças, pintura, colagem, massinha, caça ao tesouro dentro de casa e oficinas com materiais recicláveis. Experiências científicas simples com materiais seguros e momentos de culinária supervisionada também estimulam autonomia.
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“A criança precisa explorar, brincar e desenvolver autonomia, mas isso deve acontecer em um ambiente preparado. Quando a família organiza os espaços, retira riscos do alcance e participa das atividades, as férias se tornam mais tranquilas para todos”, orienta Cláudia.
O período longe da rotina escolar pode ser uma oportunidade para fortalecer vínculos, manter o aprendizado vivo e transformar a prevenção em parte natural da convivência em casa.
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