Novo contrato retoma obra do BRT Norte-Sul após anos de atrasos
Corredor foi iniciado em 2015, passou por paralisações, 17 aditivos e nova licitação será usada para concluir último trecho do corredor de ônibus
Depois de mais de uma década entre o lançamento do projeto e paralisações, Goiânia voltou a retomar as obras do BRT Norte-Sul. O empreendimento iniciado em 2015, deveria ter sido concluído em 2020, mas acumulou atrasos, mudanças de empresas responsáveis, revisões de projeto, novas licitações e 17 aditivos contratuais antes de chegar à atual etapa. Nesta terça-feira (14), a Prefeitura deu início às obras do último trecho entre o Terminal Isidória e o Terminal Cruzeiro, em Aparecida de Goiânia.
Agora, a nova etapa será executada pelo Consórcio ACA BRT Norte-Sul, formado por empresas do Grupo ACA, de origem portuguesa. O contrato prevê investimento de R$ 92,4 milhões, R$ 70 milhões do governo federal e R$ 24 milhões do Tesouro Municipal, e prazo contratual de 18 meses, embora a Prefeitura trabalhe com a expectativa de concluir os serviços entre 14 e 15 meses.
Histórico
O BRT Norte-Sul foi apresentado como uma das principais obras de mobilidade urbana da Capital e da Região Metropolitana, com a proposta de ligar Goiânia e Aparecida de Goiânia por um corredor exclusivo para ônibus de alta capacidade. Entretanto, desde o lançamento, o cronograma sofreu adiamentos, e o trecho retomado permaneceu paralisado desde 2021.
Nesta nova etapa, os serviços incluem a implantação de 4,8 quilômetros de corredor exclusivo em concreto rígido, a construção de seis estações de embarque e desembarque, a conclusão da Estação 5, a implantação da rede de drenagem, pavimentação, requalificação das calçadas entre a Praça Laudelino Gomes e o Terminal Cruzeiro, revitalização do Terminal Cruzeiro e construção de uma trincheira entre as avenidas Tapajós e Rio Verde.
A execução da obra também prevê a remoção de 72 árvores ao longo do trecho, das quais 62 são palmeiras. Segundo a Prefeitura de Goiânia, os exemplares serão retirados com torrão e transplantados para outros pontos da cidade.
Em nota encaminhada à reportagem do O HOJE, a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) informou que “a fiscalização da obra será realizada por um grupo técnico da Seinfra, responsável por acompanhar a execução dos serviços e garantir o cumprimento do cronograma contratual”.
Especialista aponta ganhos e faz ressalvas
Para o especialista em mobilidade urbana Marcos Rothen, a conclusão do trecho pode representar ganhos para o transporte coletivo por atender uma das regiões de maior circulação de veículos da Capital. “O trecho é o mais importante, pois vai ser em vias que são mais utilizadas por carros e ônibus também. Assim, o BRT nesse trecho deve trazer uma melhoria para a fluidez dos ônibus”, afirma ao O HOJE.
O especialista pondera, no entanto, que uma obra desse porte permanecer inacabada por tantos anos gera impactos que vão além do sistema de transporte. “Afeta todos, tanto o transporte coletivo quanto os veículos e as pessoas que vivem nas proximidades de onde as obras estão paradas. Muitas vezes, o mais afetado é o comércio no entorno da obra”, avalia.
Rothen também considera que o projeto deveria ser “revisto antes da continuidade das obras”. “As necessidades de transporte podem variar com o tempo, e as condições do projeto já podem ser diferentes.”
Comparação com metrô gera questionamentos
Sobre a chamada metronização, anunciada pela Prefeitura para aumentar a velocidade operacional dos ônibus por meio da prioridade semafórica, o especialista afirma que o “semáforo é importante, mas está muito longe quando comparado ao metrô”.
Durante o lançamento, o prefeito Sandro Mabel afirmou que, com a implantação da metronização, “os ônibus no BRT vão andar como metrô: sem parar entre estações”. A avaliação, no entanto, não é compartilhada por Rothen. “É como comparar bebida láctea com leite.”
Ainda segundo o especialista, o principal indicador para medir o sucesso do empreendimento será o aumento do número de passageiros utilizando o transporte coletivo.
“Se o número de usuários aumentar significativamente, o resultado é positivo para a cidade. Significa que o projeto atendeu à necessidade dos atuais passageiros e atraiu pessoas que não utilizavam o transporte coletivo”, conclui.
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