quarta-feira, 7 de outubro de 2026
CLIMA

Massa de ar polar mantém frio em Goiás enquanto El Niño segue em formação

Especialistas explicam que os dois fenômenos não estão relacionados e que os efeitos do El Niño devem surgir apenas nos próximos meses

Lalice Fernandespor em
frio
Temperaturas chegam a 10°C no Estado, enquanto baixa umidade do ar continua a exigir atenção (Foto: Divulgação)

A massa de ar frio de origem polar que atua sobre Goiás mantém as temperaturas mais baixas em diversas regiões do Estado e deve continuar influenciando o tempo nos próximos dias, com madrugadas frias, tardes quentes e baixa umidade do ar. O episódio ocorre em um momento em que meteorologistas acompanham a formação de um El Niño, fenômeno que deve influenciar o comportamento do clima nos próximos meses, mas que ainda não apresenta reflexos significativos sobre o Estado.

Dados do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) apontam que as menores temperaturas registradas na última quarta-feira (15) ocorreram em Jataí, com 10°C. Rio Verde, Itumbiara e Ouvidor marcaram 11°C, enquanto Goiandira, Três Ranchos, Ipameri e Morrinhos registraram 12°C. Em Goiânia e na Região Metropolitana, os termômetros chegaram a 11,4°C durante a madrugada.

Segundo o gerente do Cimehgo, André Amorim, o frio é resultado da atuação de uma massa de ar de origem polar que permaneceu sobre o Estado após a passagem de uma frente fria pelo oceano. O climatologista explica que o sistema consegue reduzir as temperaturas durante a madrugada e nas primeiras horas do dia, mas perde intensidade ao longo da manhã.

“O ar frio consegue chegar aqui de madrugada e pela manhã, mas não tem força para manter o dia frio”, afirma ao O HOJE.

De acordo com Amorim, os efeitos são mais intensos na região Centro-Sul e em parte do Leste goiano. Para o gerente, esse comportamento é esperado para o inverno e não representa uma situação atípica.

Enquanto as temperaturas diminuem durante as primeiras horas do dia, a baixa umidade continua sendo o principal fator de preocupação. O boletim do Cimehgo indica índices mínimos de até 25% em Goiás, nível considerado de atenção. O Estado também enfrenta um longo período sem chuvas significativas. As regiões Norte e Oeste acumulam 33 dias de estiagem, seguidas pela região Leste, com 32 dias, e pelas regiões Central e Sul, com 30 dias.

El Niño deve influenciar o clima nos próximos meses

Embora o El Niño já esteja em formação, o Cimehgo afirma que o episódio de frio não está relacionado ao fenômeno. “Essa chegada do ar frio é normal para maio, junho e julho. Não podemos falar que é diretamente consequência do El Niño”, afirma André Amorim.

Segundo Amorim, os efeitos do fenômeno ainda não são percebidos em Goiás e devem se tornar mais evidentes apenas entre setembro e novembro, com possibilidade de ondas de calor e atraso no início do período chuvoso.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) explica que o El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando a circulação da atmosfera em diferentes regiões do planeta. No Centro-Oeste, o fenômeno tende a favorecer temperaturas acima da média e maior irregularidade na distribuição das chuvas.

De acordo com o instituto, a presença do El Niño não impede a ocorrência de massas de ar frio. Os dois fenômenos coexistem porque atuam em escalas diferentes. Enquanto o El Niño modifica o comportamento geral da atmosfera durante meses, as massas de ar polar continuam avançando naturalmente pelo continente.

Agricultura ainda não sente impactos do fenômeno

Além das temperaturas mais elevadas, o Inmet alerta que a combinação entre calor, baixa umidade e chuvas irregulares pode favorecer veranicos durante a estação chuvosa, dificultando a reposição de água no solo e trazendo impactos para a agricultura, principalmente quando a falta de chuva coincide com fases sensíveis das lavouras.

Na Central de Abastecimento de Goiás (Ceasa-GO), entretanto, ainda é cedo para avaliar possíveis reflexos do El Niño sobre a produção de hortifrutigranjeiros. A estiagem observada entre o fim de julho e setembro faz parte do comportamento normal do clima na região, e não há impactos associados ao fenômeno.

A exceção é o chuchu, cultura mais sensível ao calor e à baixa umidade, que pode registrar redução na produção. As demais hortaliças tendem a manter boa produtividade quando há água disponível para irrigação, favorecendo a oferta e contribuindo para a redução dos preços. A avaliação é de que somente nos próximos meses será possível identificar se o El Niño provocará alterações mais significativas sobre a produção agrícola.

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