Neutralidade do Centrão abre caminho para palanques distintos nos Estados
Sem consenso entre Lula e Flávio, Republicanos, MDB e a federação União Progressista podem liberar seus diretórios estaduais para definir o apoio conforme a realidade local
A maioria dos partidos do Centrão caminha para a neutralidade na disputa presidencial de outubro. Cada vez mais distantes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os dois principais presidenciáveis de acordo com as intenções de voto das pesquisas, as legendas que compõem a maior parte do Congresso Nacional devem liberar seus diretórios estaduais para apoiar os presidenciáveis de acordo com a lógica local.
Em Goiás, irá prevalecer a lógica da base governista liderada pelo governador Daniel Vilela (MDB) e pelo pré-candidato à presidência e ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), que reúnem não só as principais legendas do bloco, como também partidos de menor porte.
No Distrito Federal, o cenário é distinto. A governadora Celina Leão (PP), aliada do bolsonarismo, sobretudo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), deve caminhar ao lado de Flávio. O arco de alianças da chefe do Executivo distrital reúne Republicanos, MDB, União Brasil e uma série de partidos nanicos. Já no Nordeste, diretórios estaduais da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, e do PSD articulam apoio a Lula.
O cenário posto é reflexo da tendência de neutralidade adotada pelas principais legendas do Centrão. Entre os partidos de centro e centro-direita que concentram a maior bancada do Congresso, apenas o PSD já tem posição definida. Os pessedistas lançaram Caiado como pré-candidato à presidência, apesar de não reunir consenso na legenda. Republicanos, MDB e a federação UB-PP ainda não definiram os rumos que irão tomar na disputa pelo Palácio do Planalto.
No último domingo (12), o presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), negou que o partido havia fechado acordo para apoiar Flávio e que negociava uma eventual indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) como contrapartida. O nome cotado seria o do próprio dirigente.
Segundo Pereira, um dos motivos que levou o partido a se afastar da pré-candidatura do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi “um sentimento de frustração” com o projeto do senador entre os correligionários. Além disso, cresceu dentro da legenda a leitura de que Lula pode ser reeleito. Apesar de não haver um acordo por completo, Flávio irá contar com o principal palanque do Republicanos, que é em São Paulo, com o governador Tarcísio de Freitas.
Descontentamento
Na federação, o descontentamento também alcançou os dois partidos. Lideranças do PP receberam com desconfiança as declarações de Flávio sobre o senador Ciro Nogueira (PI), presidente da legenda, após as revelações que apontam sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Já no União Brasil, a insatisfação do presidente nacional, Antônio Rueda, surgiu após a prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, aliado de Flávio e pré-candidato do partido ao Senado pelo Rio de Janeiro. Rueda esperava um posicionamento público do senador em defesa de Canella, preso depois que a Polícia Federal (PF) encontrou um fuzil no porta-malas do carro do ex-prefeito.
A federação, hoje distante do projeto do PL, já foi cotada até para ocupar a vice na chapa encabeçada por Flávio. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o próprio Ciro já estiveram nas conversas para ocupar a vice do senador fluminense.
No MDB, as conversas com o Palácio do Planalto também perderam força. O partido chegou a ser sondado por Lula para integrar a chapa presidencial, com a possibilidade de indicar o candidato a vice, mas as negociações esfriaram diante das resistências dos diretórios estaduais e da dificuldade em construir um consenso interno.
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