quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Investigação

PF aponta uso de códigos para ocultar propina em investigação contra ex-presidente do INSS

Relatório de indiciamento afirma que Alessandro Stefanutto utilizava empresas de fachada e expressões como “forno” e “pizza” para tratar da lavagem de dinheiro ligada ao esquema de descontos em aposentadorias

Eduardo Silvapor em
PF-operação-investigação
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal apontou que o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Antônio Stefanutto, utilizava códigos em conversas com operadores financeiros para tratar da ocultação de recursos provenientes do suposto esquema de descontos irregulares em aposentadorias. Indiciado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, Stefanutto é acusado de usar empresas de fachada, entre elas uma pizzaria e uma locadora de veículos, para movimentar valores que, segundo a investigação, eram oriundos do pagamento de propinas.

De acordo com o relatório da Operação Sem Desconto, Stefanutto era identificado pelo apelido de “italiano” e utilizava a palavra “forno” para indicar o momento em que cheques ligados ao esquema poderiam ser compensados sem levantar suspeitas. Em uma troca de mensagens de outubro de 2022, o então dirigente do INSS pediu a um dos investigados que o avisasse quando pudesse “usar o forno”. Dias depois, ao ser questionado sobre a empresa que seria utilizada na operação, respondeu que o “forno” se referia à empresa de fachada To Hire Car Locadora.

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As investigações também registraram conversas em que os envolvidos mencionavam “reaquecer a pizza”, expressão que, para a Polícia Federal, fazia referência à compensação de cheques de R$ 250 mil. Segundo os investigadores, os valores eram destinados a pessoas e empresas utilizadas para ocultar o destino dos recursos. A PF afirma ainda que Stefanutto mantinha relação próxima com um dos principais operadores financeiros do esquema e que utilizava terceiros para esconder o recebimento das vantagens indevidas.

No relatório de indiciamento, a Polícia Federal sustenta que Stefanutto ocupava posição estratégica na organização criminosa e teria favorecido interesses da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) enquanto exercia os cargos de procurador-geral e, posteriormente, de presidente do INSS. Conforme a investigação, após assumir a presidência do instituto, ele teria passado a receber cerca de R$ 250 mil mensais em propina, valores que seriam proporcionais ao poder exercido para garantir a continuidade do esquema de descontos considerados fraudulentos.

 

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Alessandro Antônio Stefanutto Investigacao Policia Federal propina

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