quarta-feira, 15 de julho de 2026
Escalada no Oriente Médio

Trump admite possível operação terrestre enquanto EUA ampliam ataques contra o Irã

Presidente americano voltou a citar uma ofensiva por terra, enquanto forças dos EUA intensificaram ataques e ampliaram a pressão militar sobre o território iraniano

Thais Munizpor Thais Muniz em 15 de julho de 2026 às 10:59
Trump admite possível operação terrestre enquanto EUA ampliam ataques contra o Irã
(Imagem: Getty Images)

Os Estados Unidos ampliaram a ofensiva militar contra o Irã nesta quarta-feira (15). Ao mesmo tempo, o presidente Donald Trump admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de uma operação terrestre no conflito. Apesar disso, afirmou que não deseja recorrer a esse tipo de ação. Ainda assim, declarou que “às vezes é preciso uma campanha terrestre” e sugeriu que outras forças poderiam executar essa missão. No entanto, não revelou quais seriam.

A declaração ocorreu durante entrevista à Fox News. Enquanto isso, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou que iniciou uma nova onda de ataques contra alvos militares iranianos. Com isso, o país deu continuidade às operações realizadas nas últimas noites.

“Eu não quero fazer isso. Às vezes é preciso uma campanha terrestre, mas temos outras pessoas que fariam a campanha terrestre por nós”, afirmou Trump.

O que uma operação terrestre representaria

Especialistas afirmam que uma eventual incursão por terra enfrentaria grandes desafios. Entre os possíveis alvos estratégicos estão a Ilha Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã, e áreas da costa sul do país, às margens do Golfo Pérsico.

Além disso, analistas explicam que uma operação desse tipo exigiria uma grande mobilização de tropas. Também seria necessário manter uma estrutura logística capaz de garantir munição, assistência médica, alimentos e água para os militares em território iraniano.

Ao mesmo tempo, um desembarque anfíbio encontraria obstáculos importantes. Os pontos de acesso podem ser protegidos por minas, barreiras marítimas e armamentos modernos, como drones, munições de permanência prolongada, artilharia, morteiros e armas leves.

O capitão do Exército dos Estados Unidos Daniel S. Hogestyn avaliou, em artigo publicado na revista Military Review, que esse cenário favorece quem atua na defesa.

“O equilíbrio da guerra litorânea mudou fortemente a favor do defensor”, escreveu o militar.

Enquanto isso, imagens divulgadas pelo Departamento de Defesa mostram que a 11ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais (MEU), formada por mais de dois mil militares, permanece na região embarcada no Grupo Anfíbio de Prontidão do USS Boxer. A unidade realiza treinamentos para operações anfíbias, evacuações, incursões e missões de combate.

Além da MEU, a 82ª Divisão Aerotransportada dos Estados Unidos mantém sua Força de Resposta Imediata preparada para atuar rapidamente em missões como a tomada de portos e bases aéreas.

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Nova ofensiva deixa militares mortos

Na manhã desta quarta-feira, o CENTCOM anunciou uma nova série de ataques contra o Irã.

“Às 6h (horário da costa leste dos EUA) de hoje, forças do Comando Central dos EUA começaram a lançar uma onda de ataques contra o Irã”, informou o comando em publicação na rede social X.

Segundo os militares americanos, os bombardeios buscam reduzir a capacidade das forças iranianas de atacar embarcações comerciais que atravessam o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do comércio mundial de petróleo.

Por outro lado, o Exército iraniano informou que pelo menos sete militares morreram após um ataque contra uma base em Bampur, no sudeste do país. A agência estatal IRNA acrescentou que as vítimas incluem soldados da ativa e recrutas. Além disso, outros militares ficaram feridos e receberam atendimento médico.

Já o CENTCOM afirmou que atingiu dezenas de alvos militares durante uma operação que durou cerca de sete horas. Paralelamente, os Estados Unidos mantiveram o bloqueio naval aos portos iranianos.

Além disso, a porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, declarou que pelo menos 30 civis morreram nos últimos dias em decorrência dos ataques realizados no sul do país.

Na terça-feira (14), Trump também ameaçou ampliar a ofensiva caso o Irã não retome as negociações.

“Vou deixar os alvos do setor energético para o final, mas, no fim das contas, vamos atacá-los”, disse o presidente americano.

Em seguida, Trump afirmou que negociadores dos Estados Unidos mantêm contato com representantes iranianos para pressionar por um acordo.

Enquanto a tensão cresce, o mercado internacional acompanha os desdobramentos do conflito. Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quarta-feira. Isso ocorreu porque os ataques aumentaram as preocupações com possíveis interrupções no abastecimento pelo Estreito de Ormuz, corredor por onde passa uma parcela significativa das exportações mundiais de petróleo.

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