segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Irã x EUA

Irã nega negociações com os EUA após Trump anunciar retomada do diálogo

Governo iraniano afirma que mantém apenas conversas com Omã sobre o Estreito de Ormuz, enquanto conflito com Washington entra no sexto mês

Eduardo Silvapor em
ira
Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghae (Foto: Reprodução/ @IRIMFA_SPOX)

O governo do Irã negou nesta segunda-feira (3) que esteja conduzindo negociações diretas com os Estados Unidos, poucas horas depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar o início de uma nova rodada de conversas para tentar encerrar o conflito entre os dois países. A guerra, iniciada em 28 de fevereiro após ataques de Estados Unidos e Israel contra território iraniano, completa seis meses marcada por ofensivas militares e tentativas frustradas de negociação.

Em entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que não existe diálogo em andamento com Washington. Segundo ele, as tratativas atuais ocorrem exclusivamente com Omã e têm como foco a definição de uma nova rota de navegação no Estreito de Ormuz. O governo iraniano ressaltou, no entanto, que essas conversas não significam a reabertura da passagem marítima, considerada estratégica para o comércio mundial de petróleo e gás.

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A declaração contraria o anúncio feito por Trump no domingo (2), quando o presidente afirmou que havia suspendido a possibilidade de novos ataques militares para priorizar a diplomacia. O republicano disse ainda que as conversas abordariam a situação em Ormuz e a questão do programa nuclear iraniano. Teerã, por sua vez, voltou a afirmar que seu programa atômico tem finalidade exclusivamente civil e negou ter solicitado aos Estados Unidos que interrompessem eventuais ofensivas militares.

Enquanto persistem as divergências entre os dois governos, mediadores seguem tentando reativar entendimentos firmados anteriormente para reduzir a tensão na região. O impasse em torno do Estreito de Ormuz continua sendo um dos principais obstáculos para um acordo, já que o Irã mantém restrições à navegação e defende o controle da rota, por onde circulava, antes da guerra, cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo. A expectativa de novas negociações influenciou o mercado internacional, levando à queda dos preços do petróleo na abertura das bolsas asiáticas.

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