Alerta sobre suposta operação dos EUA às vésperas da eleição é enviado ao Sisbin
Reportagem da Fórum atribui a fontes da PF e da diplomacia brasileira a suspeita de interferência eleitoral; suspensão de serviços dos EUA foi confirmada por autoridades, mas não há confirmação pública da suposta operação
A suspensão do atendimento presencial na Embaixada dos Estados Unidos em Brasília e nos consulados do país, anunciada para esta sexta-feira (2) sob justificativa de “questões de segurança”, provocou atenção dos órgãos brasileiros de inteligência. Segundo reportagem da Fórum, fontes atribuídas à Polícia Federal (PF) afirmam que informes foram encaminhados ao Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) com alertas sobre uma possível operação psicológica para gerar tensão antes do primeiro turno, marcado para domingo (4). A medida diplomática foi confirmada, mas o governo norte-americano não detalhou publicamente qual ameaça motivou a decisão.
De acordo com a publicação, integrantes da inteligência brasileira estariam investigando a hipótese de uma ação coordenada a partir dos Estados Unidos para influenciar o ambiente eleitoral e favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A Fórum afirma que a estratégia teria recebido internamente o nome de “Operação Brother Sam II” e envolveria uma suposta articulação entre setores americanos, redes sociais e representantes da campanha. Essas alegações, porém, são apresentadas pela reportagem com base em fontes não identificadas publicamente e não foram confirmadas de forma independente pelas autoridades responsáveis. A PMDF, por outro lado, reforçou a segurança no entorno da Embaixada dos EUA após solicitação da representação diplomática.
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A reportagem também relaciona a suspeita ao financiamento de US$ 1 milhão destinado pelo governo Donald Trump a um projeto voltado a organizações que contestam a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo documentos obtidos pelo The Guardian, a iniciativa, denominada “Countering Lawfare and Censorship in Brazil”, integra um conjunto de US$ 176,9 milhões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado. A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu investigação sobre o possível financiamento e seus destinatários.
O alerta ocorre em um contexto de crescente preocupação no governo brasileiro com possíveis interferências externas no processo eleitoral. A suspensão dos serviços consulares americanos também coincidiu com uma medida semelhante adotada pela Austrália, que citou questões de segurança e risco de terrorismo, sem detalhar ameaças específicas. Até o momento, as informações públicas confirmam a interrupção dos atendimentos e o reforço da segurança, mas não comprovam a existência da suposta operação psicológica descrita pela Fórum nem eventual coordenação com a campanha de Flávio Bolsonaro.
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