Saúde vira marca da gestão Celina, que intensifica investimentos e deixa campanha para o calendário eleitoral
Desde que assumiu o Governo do Distrito Federal em 30 de março, governadora concentra esforços na redução das filas, ampliação da rede pública, contratação de serviços e modernização do sistema de saúde enquanto mantém agenda exclusivamente institucional.
A saúde pública se consolidou como a principal prioridade da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), desde que ela assumiu o comando do Palácio do Buriti, em 30 de março de 2026, após a renúncia de Ibaneis Rocha para disputar uma vaga no Senado Federal. Em pouco mais de três meses de gestão, a chefe do Executivo tem concentrado boa parte de suas agendas, investimentos e decisões administrativas na tentativa de enfrentar um dos maiores desafios da população do Distrito Federal: reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias e ampliar a capacidade de atendimento da rede pública.
A estratégia começou logo nos primeiros dias de governo. Em uma das primeiras medidas anunciadas, Celina decidiu cancelar a tradicional festa de aniversário de Brasília, redirecionando R$ 26 milhões para investimentos na saúde pública. Os recursos foram destinados à aquisição de equipamentos, fortalecimento da rede hospitalar e ampliação da capacidade de atendimento das unidades da Secretaria de Saúde.
“O nosso compromisso é colocar a saúde onde ela deve estar: como prioridade absoluta. É onde a população mais precisa da presença do Estado”, tem afirmado a governadora em diferentes agendas públicas.
Outro dos principais projetos da atual gestão foi o envio à Câmara Legislativa do projeto que criou a Tabela SUS-DF, considerada uma das principais apostas do governo para acelerar o atendimento à população. O novo modelo permite que o Distrito Federal complemente os valores pagos pelo Sistema Único de Saúde para contratar hospitais, clínicas e laboratórios privados, ampliando a oferta de consultas, exames e cirurgias quando a rede pública não conseguir absorver a demanda.
Na prática, a medida reduz a burocracia para contratação da rede complementar, cria um credenciamento permanente de prestadores de serviço e dá mais flexibilidade para que pacientes sejam encaminhados à iniciativa privada quando houver filas excessivas no SUS. A expectativa do governo é utilizar o mecanismo principalmente para procedimentos eletivos de média complexidade, um dos gargalos históricos da saúde pública do DF.
Paralelamente, o Governo do Distrito Federal ampliou o programa Opera DF, iniciativa voltada à realização de cirurgias eletivas. Dados da Secretaria de Saúde mostram que o número de procedimentos cresceu 33% em um ano, resultado atribuído ao aumento da capacidade cirúrgica, à contratação da rede privada e à reorganização das filas de espera.
A gestão também passou a investir em tecnologia para monitorar a demanda em tempo real. Segundo a Secretaria de Saúde, atualmente são administradas cerca de 1,6 mil filas diferentes, entre consultas, exames e cirurgias. Com painéis digitais e acompanhamento permanente dos indicadores, o governo afirma ter conseguido reduzir significativamente o tempo de espera em alguns procedimentos. Nas cirurgias de hérnia, por exemplo, o prazo médio caiu de mais de 300 dias para cerca de 79 dias.
O levantamento da pasta aponta ainda um passivo histórico de aproximadamente 33 mil cirurgias eletivas. Desse total, 20 mil procedimentos já foram contratados junto à rede privada, mais de 11 mil pacientes foram convocados e cerca de 5 mil cirurgias já haviam sido realizadas até junho deste ano.
Além da redução das filas, a governadora também anunciou investimentos para modernizar a estrutura da rede pública. Entre as medidas estão a instalação de novos tomógrafos, aquisição de equipamentos, reforço no abastecimento de medicamentos, nomeação de servidores e melhorias na gestão hospitalar. O objetivo, segundo Celina, é aumentar a resolutividade das unidades e oferecer atendimento mais rápido e eficiente aos pacientes.
Mesmo sendo apontada como favorita à reeleição e intensificando agendas em diversas regiões administrativas, Celina Leão tem evitado transformar os compromissos oficiais em atos de pré-campanha. Pessoas próximas à governadora afirmam que a orientação é clara: a campanha ficará para o período autorizado pela Justiça Eleitoral.
Até lá, a prioridade seguirá sendo a administração do Distrito Federal. A rotina da governadora continua voltada para visitas técnicas, entregas de obras, fiscalização de serviços públicos, reuniões com secretários e anúncios de investimentos nas áreas de saúde, mobilidade, educação, habitação e infraestrutura.
Nos bastidores do Palácio do Buriti, a avaliação é de que a melhor estratégia para a disputa de 2026 será apresentar resultados concretos da gestão antes de pedir novamente a confiança do eleitor. Por isso, o foco permanece na execução de políticas públicas, especialmente na área da saúde, que se tornou a principal vitrine do governo desde a posse de Celina Leão.
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