quinta-feira, 16 de julho de 2026
SEGREDO PARQUE NACIONAL EMAS

O segredo do Parque Nacional das Emas que poucos conhecem

À noite, nos campos de Goiás, o segredo do Parque Nacional das Emas se acende dentro dos cupinzeiros do Cerrado

Rodrigo Souzapor Rodrigo Souza em 16 de julho de 2026 às 13:45
o segredo do parque nacional das emas
Esse parque em Goiás guarda um segredo que pouca gente sabe. (Foto: Tripadvisor)

O segredo do Parque Nacional das Emas fica escondido dentro de milhares de cupinzeiros espalhados pelo Cerrado goiano. Quando a noite cai e as primeiras chuvas molham o chão seco, pontos verdes acendem na escuridão do parque.

Esse brilho vem de larvas de um besouro raro, que usa luz própria para caçar. Poucas pessoas no Brasil conhecem essa cena, mas ela guarda ciência e beleza dentro de si. Saiba mais a respeito.

O segredo do Parque Nacional das Emas nasce debaixo da terra

O segredo do Parque Nacional das Emas começa com um besouro chamado Pyrearinus termitilluminans, parente do vaga-lume, que vive dentro dos cupinzeiros da região. As fêmeas depositam os ovos na base do monte, quase no chão, formando um círculo de pontos que já brilham desde o início.

Em primeiro lugar, as larvas nascem e sobem aos poucos para o topo do cupinzeiro. Elas ocupam o espaço deixado por outras larvas que já viraram adultas, segundo dados divulgados pelo próprio parque.

Ainda mais curioso é o gatilho que ativa esse comportamento. Quando a temperatura passa dos 25 graus Celsius, as larvas saem de um período de baixa atividade e retomam a caça.

Por exemplo, em cupinzeiros próximos a rios, isso acontece mesmo antes da chuva chegar, por causa da umidade que fica no solo o ano todo. O segredo do Parque Nacional das Emas, nesse ponto, está ligado direto ao clima e à água.

As larvas cavam uma pequena cova na saída do túnel, com cerca de um centímetro de profundidade. Ali elas esperam, com a cabeça para fora, acendendo a luz para atrair cupins alados e outros insetos que voam à noite.

Mas o brilho não serve só para caçar: ele também vira sinal de comunicação entre os besouros adultos, que piscam no horizonte em determinadas noites do ano.

O fenômeno da bioluminescência. (Foto: Tripadvisor)

Quando chove no Cerrado, o fenômeno no Parque Nacional das Emas se espalha

O segredo do Parque Nacional das Emas tem hora certa para aparecer. Por outro lado, fontes como o ICMBio e reportagens especializadas indicam janelas diferentes, entre o fim da seca e o início das chuvas, geralmente de setembro a janeiro, com pico entre outubro e dezembro. Entretanto, o padrão se repete todo ano: o fenômeno cresce junto com a chegada da água.

Antes da chuva, o brilho aparece só perto de rios e áreas mais úmidas. Consequentemente, quando as primeiras tempestades molham o parque inteiro, cupinzeiros de quase toda a extensão acendem na mesma noite.

Ou seja, o calor sozinho não basta: é a combinação de calor com umidade que faz o espetáculo crescer em escala. O segredo do Parque Nacional das Emas depende, assim, de um encontro exato entre clima e solo.

Durante as noites quentes, sem lua e com ar úmido, a visibilidade do fenômeno aumenta bastante para quem visita o parque. Posteriormente, à medida que a estação chuvosa avança, o ritmo dos cupinzeiros acesos muda outra vez, e o brilho passa a se concentrar em pontos específicos do território.

Depois disso, com a chegada da seca, o ciclo se recolhe de novo, esperando pela próxima temporada de chuvas.

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Um fenômeno que parece existir só ali

O segredo do Parque Nacional das Emas guarda um mistério que a ciência ainda não fechou por completo. Cupinzeiros existem em várias regiões do Brasil, inclusive em cidades vizinhas ao parque. Da mesma forma, o besouro bioluminescente também não é exclusivo dali. Similarmente, outras espécies de vaga-lume brilham em florestas e campos do país inteiro.

Acima de tudo, o que chama atenção é a concentração do fenômeno dentro dos limites do parque. Um levantamento citado pela cidade de Mineiros aponta densidade de mais de 300 cupinzeiros por hectare em algumas áreas da unidade de conservação.

E o mais importante: por razões que pesquisadores ainda tentam esclarecer, a bioluminescência em massa não se repete com a mesma força fora dessas fronteiras.

O Parque Nacional das Emas foi criado em 1961 e protege cerca de 132 mil hectares de campo limpo, uma fisionomia rara do Cerrado. A Unesco reconhece a área como Patrimônio Natural da Humanidade.

Além disso, a baixa poluição luminosa da região ajuda o céu a ficar mais escuro à noite, o que torna o brilho dos cupinzeiros ainda mais fácil de enxergar. O segredo do Parque Nacional das Emas, portanto, também é fruto do isolamento do lugar.

(Foto: Tripadvisor)

Como conhecer de perto do Parque Nacional das Emas

Visitar o parque exige agendamento prévio junto à administração local, ligada ao ICMBio. Em segundo lugar, vale lembrar que o acesso segue regras de conservação, com trilhas e horários definidos para proteger a fauna e a flora do Cerrado. A cidade de Mineiros funciona como principal porta de entrada para turistas.

Certamente, as condições ideais para ver o fenômeno são noites quentes, sem lua e com boa umidade no ar, ou logo depois de uma chuva forte. Guias credenciados acompanham os visitantes durante os passeios noturnos, o que aumenta a segurança e reduz o impacto sobre o ambiente.

Além do mais, o parque oferece outras atrações, como observação de fauna, trilhas diurnas e descida de bote pelo Rio Formoso.

Em conclusão, o segredo do Parque Nacional das Emas mostra como o Cerrado brasileiro ainda esconde cenas raras, quase desconhecidas do público.

Um pequeno besouro, escondido dentro de um monte de terra, transforma noites comuns em um espetáculo natural que poucos brasileiros já viram de perto. Por isso, conhecer esse lugar significa entrar em contato direto com esse peculiar segredo do Parque Nacional das Emas.

(Foto: Tripadvisor)

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