quinta-feira, 16 de julho de 2026
SAÚDE INFANTIL

O vilão de Toy Story 5 não é um brinquedo; pediatra explica o que o filme diz sobre a infância

Médica afirma que animação traduz com precisão o que vê no consultório: crianças cada vez mais conectadas às telas e menos às brincadeiras e interações presenciais

Luana Avelarpor Luana Avelar em 16 de julho de 2026 às 20:30
pediatria

Toy Story 5 tem um vilão que não aparece nas prateleiras de brinquedos. Para a pediatra Lilian Zaboto, que acompanha o desenvolvimento de crianças e adolescentes há quase três décadas, a animação traz uma reflexão muito mais profunda do que a história sugere: o espaço que as telas vêm ocupando na infância.

A médica afirma ter saído do cinema emocionada com a mensagem do filme. “Ao longo da minha carreira, acompanhei milhares de crianças crescendo. Nos últimos anos, percebo uma mudança importante. Muitas já chegam ao consultório segurando um celular ou um tablet. Elas estão conectadas ao mundo digital, mas, muitas vezes, menos conectadas umas às outras. O filme traduz exatamente essa realidade de maneira muito inteligente”, afirma.

Para a especialista, a mensagem não é uma crítica à tecnologia, mas um alerta sobre o uso excessivo. “O problema não é a tecnologia em si, mas quando ela começa a substituir experiências fundamentais da infância, como brincar, conversar, imaginar e conviver em família”, destaca.

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O que o brincar desenvolve

A pediatra lembra que o brincar é uma das principais ferramentas para o desenvolvimento infantil, responsável pela criatividade, linguagem, coordenação motora, autonomia, inteligência emocional, empatia e habilidades para resolver conflitos. “Nenhum aplicativo consegue substituir tudo o que acontece durante uma brincadeira. É nesse momento que o cérebro infantil aprende de forma natural e constrói competências que acompanharão a criança por toda a vida”, explica.

O que a pediatria recomenda

As orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria estabelecem limites claros por faixa etária: nenhum contato com telas para crianças menores de 2 anos; até uma hora por dia entre 2 e 5 anos; no máximo duas horas diárias dos 6 aos 10 anos; e uso limitado na adolescência, sem comprometer sono, atividade física, estudos e convivência familiar, sempre com supervisão dos pais nas redes sociais.

Para Lilian Zaboto, Toy Story 5 pode ser o ponto de partida para uma conversa importante entre pais e filhos. “Meu convite é simples: levem seus filhos ao cinema, mas assistam ao filme juntos. Depois conversem sobre a história. A infância passa muito rápido e nenhuma tecnologia será capaz de devolver o tempo que deixamos de viver ao lado dos nossos filhos”, conclui.

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