sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Eleições 2026

Base trava disputa pela vaga de vice e expõe dilema de Daniel Vilela

Com vários postulantes a vice de diferentes setores, governador precisará articular para não perder apoio de insatisfeitos após escolha do companheiro de chapa

Thiago Borgespor em
Base trava disputa pela vaga de vice e expõe dilema de Daniel Vilela
Cientista avalia que a escolha do vice pode deixar setores não contemplados insatisfeitos | Foto: Divulgação

A disputa pela vaga de vice na chapa encabeçada pelo governador Daniel Vilela (MDB), que disputará a reeleição ao Governo do Estado em outubro, segue em aberto. Embora a decisão seja do governador e do ex-governador e pré-candidato à presidência, Ronaldo Caiado (PSD), diferentes alas do grupo trabalham para emplacar um nome na chapa majoritária.

O ex-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner (PSD), e o ex-senador Luiz do Carmo (PSD) seguem como os principais cotados. Ambos foram elogiados por Daniel durante o evento político do grupo governista em Trindade, no último sábado (18). Quem também está no páreo é o ex-secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima (PSD), mas corre por fora. Mais recentemente, o nome do ex-deputado federal Vilmar Rocha (PSD) também começou a ser ventilado.

Na avaliação do professor da PUC-GO e cientista político Pedro Pietrafesa, a disputa pela vaga de vice pode provocar desgastes internos. “Esse congestionamento na composição da chapa pode trazer algum tipo de fratura no grupo político que está construindo essa candidatura. Caso ele seja eleito governador, logo de início ele pode não atender as expectativas de todos os grupos que compõem a base”, avalia o cientista em conversa com a reportagem do O HOJE.

Fato é que, caso Zé Mário seja o escolhido, o chefe do Executivo não irá agradar parte do segmento evangélico à direita, já que Luiz do Carmo é o nome da Assembleia de Deus Campo de Campinas. Se Luiz do Carmo for o selecionado, o agrado será dos evangélicos, mas o governador pode sair em desvantagem em relação ao agronegócio.

Vale ressaltar, inclusive, que o emedebista tem no senador Wilder Morais (PL) um concorrente com respaldo do bolsonarismo, que costumeiramente atrai o apoio do agronegócio. O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) também tem apoio de parte do agro e até o PT, que ensaiou lançar o produtor rural Flávio Faedo para disputar o Palácio das Esmeraldas, dá pistas que irá buscar apoio do setor rural.

Escolha deixará setores insatisfeitos

Segundo o cientista, a conjuntura política mostra que a escolha inevitavelmente deixará insatisfeitos. “O Daniel Vilela vai ter que reunir essas lideranças e definir um nome que tenha um mínimo de apoio não apenas entre os partidos da base, mas também entre os grupos políticos e econômicos que participam desse projeto. Isso vai gerar algum tipo de insatisfação, mesmo que momentânea”, afirma.

Pietrafesa ainda ressalta que o desconforto deverá estar mais relacionado aos setores que ficarem de fora da composição. “Muito mais dessas lideranças do que dos eleitores em si. Muitas das vezes há uma desconexão entre a elite política e o conjunto dos eleitores. Então, eles estão com receio de desagradar líderes políticos e não necessariamente uma quantidade grande do eleitor médio”, destaca.

Para o professor, o principal desafio não é evitar qualquer descontentamento, mas identificar qual perfil de vice pode suprir eventuais fragilidades da candidatura de Daniel. “Eles precisam verificar o que falta para a campanha do Daniel Vilela e, a partir disso, tomar a decisão. Pode haver desgaste, mas isso faz parte do próprio jogo político”, avalia.

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