terça-feira, 21 de julho de 2026
BELEZA E SAÚDE

Dermaplaning viraliza, mas exige avaliação da pele

Técnica remove células mortas e pelos finos do rosto, porém pode agravar acne, rosácea e inflamações quando feita sem orientação

Luana Avelarpor Luana Avelar em 21 de julho de 2026 às 19:30
pele

Vídeos que mostram a passagem de uma lâmina sobre o rosto devolveram o dermaplaning ao centro das tendências de beleza nas redes sociais. As publicações costumam associar o procedimento a uma pele mais lisa e luminosa, mas quase nunca reservam o mesmo espaço aos riscos, às contraindicações e à necessidade de avaliação dermatológica.

Conhecido nos consultórios, o dermaplaning não se resume à retirada dos pelos faciais. A técnica promove uma esfoliação mecânica superficial, feita com instrumento específico e movimentos controlados. “O dermaplaning é um procedimento que promove uma esfoliação física extremamente controlada. Ele remove células mortas da superfície da pele e também os pelos finos, proporcionando uma textura mais uniforme e um aspecto de luminosidade imediata. Mas ele precisa ser indicado para o paciente certo e realizado com técnica adequada”, afirma a dermatologista Carla Vidal.

O resultado visual imediato ajuda a explicar a popularidade do método. A retirada de células mortas torna a textura aparentemente mais regular e altera a forma como a luz incide sobre o rosto. Também pode favorecer a aplicação de alguns produtos, desde que o procedimento esteja inserido em um tratamento acompanhado por profissional.

A distância entre a prática clínica e os vídeos publicados na internet aparece sobretudo na ausência de critérios. Tutoriais caseiros apresentam o dermaplaning como um cuidado aplicável a qualquer pessoa, embora quadros inflamatórios e infecciosos possam ser agravados pela passagem da lâmina.

“O que vemos nas redes é uma simplificação de um procedimento que possui indicações e contraindicações. Nem toda pele se beneficia do dermaplaning. Em pacientes com acne inflamatória, rosácea ativa, infecções ou processos inflamatórios importantes, por exemplo, a técnica pode piorar o quadro”, afirma Carla.

Pessoas com dermatites, infecções ou sensibilidade acentuada precisam ser avaliadas antes de recorrer ao método. Instrumentos inadequados, falta de higienização e desconhecimento técnico aumentam o risco de cortes, irritações, infecções e manchas. A repetição em intervalos curtos também pode comprometer a barreira de proteção da pele e ampliar a sensibilidade.

Um dos receios mais frequentes é o de que os pelos cresçam mais grossos após serem raspados. Segundo a médica, não há mudança na estrutura do fio nem no ritmo de crescimento. “O pelo não muda sua espessura, quantidade ou velocidade de crescimento porque foi raspado. Essa percepção acontece porque a lâmina corta o fio em sua parte mais espessa, criando uma sensação diferente quando ele volta a crescer. Mas biologicamente ele continua exatamente o mesmo.”

Também não há afinamento permanente da pele quando o dermaplaning é realizado corretamente. A técnica atua apenas nas células superficiais, mas o excesso de sessões ou a execução inadequada pode provocar irritação e sensibilização. O procedimento tampouco substitui terapias indicadas para acne, melasma, rosácea ou sinais de envelhecimento, condições que exigem diagnóstico e estratégias próprias.

A promessa de resultado rápido, segundo Carla, não deve se sobrepor aos cuidados com a saúde da pele. O histórico do paciente, o tipo de pele, a presença de doenças e os objetivos do tratamento precisam ser considerados antes de qualquer indicação.

“Em um momento em que vídeos de poucos segundos são capazes de transformar procedimentos dermatológicos em tendências virais, é importante ressaltar que a saúde da pele não acompanha algoritmos. Antes de aderir ao tratamento da vez, a avaliação médica continua sendo o caminho mais seguro para garantir resultados estéticos sem comprometer a integridade da pele, afinal, uma pele bonita começa, antes de tudo, por uma pele saudável.”

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