terça-feira, 28 de julho de 2026
CINEMA GOIANO

“A Tela”, filme goiano, vence mostra do Visões Periféricas

“Vasta Natureza de Minha Mãe”, também goiano, recebe menção honrosa na Mostra Panorâmica do festival, no Rio de Janeiro

Luana Avelarpor Luana Avelar em 28 de julho de 2026 às 18:00
"A Tela"

Goiás foi um dos destaques da 19ª edição do Festival Visões Periféricas, que anunciou seus vencedores no último domingo (26), no Rio de Janeiro. Entre 69 obras selecionadas de 18 estados, duas produções goianas subiram ao palco: “A Tela”, de Gabriel Newton, venceu a Mostra Fronteiras Imaginárias, e “Vasta Natureza de Minha Mãe”, de Aristótelis Tothi e Inez dos Santos, recebeu menção honrosa na Mostra Panorâmica.

Pioneiro na difusão do cinema produzido fora dos grandes centros, o festival aconteceu de 23 a 26 de julho, de forma presencial no Rio de Janeiro e também pela internet, no site do projeto. A cerimônia de premiação foi conduzida por Marcio Blanco, idealizador e coordenador geral do evento.

“A Tela” venceu a maior mostra do festival

A Mostra Fronteiras Imaginárias reuniu filmes de até 30 minutos produzidos por realizadores independentes de todo o Brasil. É a maior do festival em número de filmes, com 18 curtas-metragens inscritos. “A Tela” partiu de um gesto simples: uma jovem da periferia de Goiânia pendura um quadro de dez mil reais na parede da casa onde vive com a avó. A partir daí, a história abre espaço para falar sobre arte, vontade, pertencimento e representatividade negra.

O júri, formado por Sergio Rossini e Érica de Freitas, destacou que o filme se sobressaiu “pela originalidade, criatividade e por sua realização impecável, com roteiro, fotografia, arte, montagem, direção e atuação que nos transporta para as fronteiras imaginárias do fazer cinematográfico”. A produção recebeu o Troféu Visões Periféricas e o Prêmio Edina Fujii, no valor de R$ 10 mil em locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria, da empresa Naymovie.

Gabriel Newton é diretor e roteirista formado em Audiovisual pela Universidade Estadual de Goiás. Sua obra se volta para narrativas que investigam a negritude, a periferia e as contradições sociais no Brasil contemporâneo.

Na mesma mostra, receberam menção honrosa “Os Arcos Dourados de Olinda”, documentário pernambucano de Douglas Henrique, e “Presépio”, de Felipe Bibian, do Rio de Janeiro.

Na cerimônia, “A Tela” foi representado pela atriz Luísa Guimarães, que recebeu a premiação em nome de toda a equipe

Documentário sobre Dona Inez recebe menção honrosa

Na Mostra Competitiva Panorâmica, o júri oficial concedeu menção honrosa ao filme goiano “Vasta Natureza de Minha Mãe”, de Aristótelis Tothi e Inez dos Santos. O longa convida o público a refletir sobre a relação entre os espaços que habitamos e os rastros que deixamos. Aristótelis produziu a obra ao lado da própria mãe, Inez dos Santos, personagem central da história.

Para os jurados Sérgio Rossini e Érica de Freitas, o destaque veio pela capacidade de “transformar a vida da personagem num filme poético e muito bem construído, com destaque para a linguagem visual e narrativa que nos transporta para o universo particular de Dona Inez dos Santos”.

É um filme tocante sobre a vida dos dois e sobre como contar essa história no cinema. Com uma direção sensível, a obra é cheia de pureza e provoca encantamento. É desses filmes que fazem rir, chorar e deixar um quentinho no peito, com uma fotografia que fica na memória.

A categoria foi vencida por “Tigrezza”, do baiano Vinicius Eliziario, que acompanha a amizade entre duas mulheres trans em espetáculos drag na periferia de Salvador. O júri classificou o filme como “uma experiência luminosa”.

Outras mostras e o Visões Lab

A Mostra Visorama, voltada a filmes de até 15 minutos de formação audiovisual, teve como vencedor “Tempestade de Mentiras”, de Angela Santos, pela Escola Livre de Artes da Baixada Fluminense. O filme acompanha uma mãe que, após perder o filho e a casa em uma tempestade, busca ajuda de um político e encontra falsidade.

Na Mostra Cinema da Gema, restrita a produções fluminenses, “Girassóis”, de Jessica Linhares e Miguel Chaves, levou o prêmio principal, o de voto popular e uma menção honrosa de atuação para Wilson Rabelo. O curta trata da precarização do trabalho a partir da chamada escala 6×1 e foi inspirado em um caso real registrado em um supermercado de Recife, em 2020, quando um funcionário morreu durante o expediente sem que o estabelecimento parasse de funcionar.

O Prêmio Itaú Cultural Play foi para “O Mapa em que Estão os Meus Pés”, de Luciano Pedro Jr., de Alagoas, sobre um pescador que desaparece aos 84 anos. No Visões Lab, laboratório de desenvolvimento de projetos, os prêmios de curta e longa-metragem ficaram com produções de Hortolândia (SP) e do Rio de Janeiro. O Prêmio Especial Talentos Brasil, com a produtora Tem Dendê, foi para o projeto acreano “Margem”.

Encerramento com estreia carioca

A programação de 2026 terminou com a estreia no Rio de Janeiro do longa “Guapi-Macacu, o filme”, de Catu Rizo. A produção acompanha o rio Guapi-Macacu da foz à nascente, por meio de encontros com pescadores, quilombolas e guardas-parques do lado leste da Baía de Guanabara. A sessão lotou o cinema do Estação Claro Rio, em Botafogo.

Uma seleção de 11 curtas exibidos no festival segue disponível até 6 de agosto na plataforma gratuita Itaú Cultural Play. O Visões Periféricas é uma realização da Supimpa Produções e da Imaginário Digital, com patrocínio do Banco Itaú e apoio do Ministério da Cultura, via Lei Rouanet, e da RioFilme, órgão da Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio.

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