quinta-feira, 30 de julho de 2026
INVESTIGAÇÃO

Goiana segue desaparecida em meio a casos de sumiços de brasileiros na França

Desaparecimento da adolescente ocorre em meio a outros casos, que incluem o de um brasileiro procurado há quase de 30 dias

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 30 de julho de 2026 às 20:30
frança
Alice Dias de Oliveira, de 16 anos, desapareceu após sair do estágio e é procurada desde 22 de julho (Foto: Divulgação)

A angústia da família da adolescente goiana Alice Dias de Oliveira, de 16 anos, entra na segunda semana sem respostas. Desaparecida desde o dia 22 de julho, na cidade de Trappes, na região metropolitana de Paris, a jovem é procurada, enquanto familiares intensificam campanhas nas redes sociais e distribuem cartazes pelas ruas da cidade. O caso ganhou repercussão nacional e ocorre em meio a outros desaparecimentos recentes de brasileiros na França.

Alice desapareceu após sair do estágio, a última mensagem enviada pela goiana foi para o pai, por volta das 22h30, informando que aguardava o trem para voltar para casa. A irmã, Ana Flávia Dias de Oliveira, tem utilizado as redes sociais para atualizar o caso e pedir ajuda. Em uma das publicações, ela desmentiu boatos de que Alice teria sido encontrada e reforçou que as buscas continuam. 

Ana também afirmou nas redes sociais que a família está distribuindo cartazes com a fotografia da adolescente em diferentes pontos de Paris e pediu que moradores imprimam o material para ampliar a divulgação. “Quem puder estar imprimindo e colando, quem mora aqui em Paris e puder estar saindo e distribuindo os cartazes é uma grande ajuda”, afirmou. 

O sofrimento da família também foi exposto pela prima Wannessah Oliveira em um desabafo publicado nas redes sociais. Wannessah relatou que os pais da adolescente enfrentam dias de angústia desde o desaparecimento. “Eles não estão dormindo nem comendo”, escreveu. 

Outra informação divulgada pela família é que uma amiga de Alice, a cabo-verdiana Maria de Fátima Pina Monteiro, desapareceu um dia antes. 

Cooperação entre países

Enquanto a investigação permanece sob responsabilidade das autoridades francesas, o Ministério das Relações Exteriores informou, por meio de em nota encaminhada ao HOJE, que acompanha o caso, mantém contato com as autoridades locais e presta assistência consular aos familiares de Alice. O Itamaraty ressaltou ainda que não divulga detalhes sobre o atendimento prestado em razão do direito à privacidade e das restrições previstas na legislação.

A advogada e professora de Direito Internacional Edith Costa Antunes Machado explica que, em casos de desaparecimento no exterior, a condução da investigação cabe ao país onde o fato ocorreu. Segundo a professora, o Brasil atua por meio da assistência consular e da cooperação diplomática, sem poder interferir diretamente nas diligências conduzidas pela polícia estrangeira. “O Brasil acompanha, auxilia e coopera, mas não substitui nem interfere na atuação da polícia francesa”, afirma ao O HOJE. 

A especialista acrescenta que o governo brasileiro pode solicitar informações oficiais, compartilhar dados que auxiliem a apuração e acompanhar o andamento do caso pelos canais diplomáticos, sempre respeitando a soberania do outro Estado. No caso de menores de idade, como Alice, a Convenção sobre os Direitos da Criança reforça a necessidade de atuação coordenada entre os países para garantir a proteção da vítima.

Desaparecimentos na França

O desaparecimento de Alice não é um episódio isolado. Na última segunda-feira (27), a família da engenheira brasiliense Gabriele da Silva Monteiro informou que ela foi encontrada na cidade de Lyon, após três dias desaparecida. Em nota publicada nas redes sociais, os familiares disseram que a brasileira foi localizada com a integridade física preservada, passou a receber atendimento médico e agradeceram o apoio recebido durante as buscas. As circunstâncias do desaparecimento e da localização não foram divulgadas.

Também segue sem respostas o caso de Bruno Fernando Rego, de 28 anos. Natural de Capivari (SP), o motorista de aplicativo desapareceu em 5 de julho, na região metropolitana de Paris. Segundo a família, Bruno deixou documentos, pertences pessoais e o passaporte no local onde estava hospedado. A irmã afirma que ainda enfrenta dificuldades para obter informações sobre o andamento da investigação.

Para Machado, esse é um dos principais desafios enfrentados por famílias de brasileiros desaparecidos no exterior. Além das diferenças entre os sistemas jurídicos, há barreiras linguísticas, regras de sigilo e limitações para o compartilhamento de informações.

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