domingo, 23 de agosto de 2026
Operação Dark Spot

Operação da PCDF desarticula grupo suspeito de vender dados sigilosos de milhões de brasileiros

Investigação aponta que organização criminosa movimentou mais de R$ 450 mil em poucos meses, comercializava informações protegidas por sigilo e realizou mais de 18 milhões de consultas em pouco mais de um ano

Eduardo Silvapor Eduardo Silva em
Operação da PCDF desarticula grupo suspeito de vender dados sigilosos de milhões de brasileiros
Foto: PCDF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (30), a Operação Dark Spot para desarticular uma organização criminosa suspeita de comercializar dados pessoais obtidos por meio de acessos irregulares a sistemas governamentais e privados. A ação, conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), resultou no cumprimento de quatro mandados de prisão — três preventivos e um temporário —, além de seis mandados de busca e apreensão em cidades do Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. A Justiça também determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos dos investigados, até o limite de R$ 2 milhões.

Segundo a investigação, o grupo mantinha uma plataforma digital que oferecia consultas a informações protegidas por sigilo, incluindo dados da Receita Federal, Carteira Nacional de Habilitação (CNH), registros de veículos, processos judiciais e sistemas utilizados por órgãos de segurança pública. O serviço funcionava com créditos pré-pagos, adquiridos por PIX ou criptomoedas, e era divulgado por uma rede de revendedores em redes sociais e aplicativos de mensagens. De acordo com a PCDF, a estrutura registrou mais de 18 milhões de consultas entre maio de 2023 e junho de 2024, reunindo mais de 45 mil cadastros e cerca de 7,2 mil usuários ativos.

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As apurações também revelaram que a organização retomava as atividades poucas horas após operações policiais anteriores. Conforme a polícia, os suspeitos migravam rapidamente a plataforma para novos servidores, utilizavam mecanismos de anonimização para ocultar a origem dos acessos e reconstruíam o sistema sob diferentes domínios, mantendo praticamente a mesma estrutura de funcionamento. A investigação ainda identificou movimentação financeira superior a R$ 450 mil, entre dezembro de 2024 e março de 2025, sem origem lícita comprovada, além de uma arrecadação mensal estimada em mais de R$ 1 milhão, com recursos que transitavam por contas de terceiros e eram convertidos em bens registrados em nome de familiares.

Os investigados poderão responder pelos crimes de invasão qualificada de dispositivo informático, receptação qualificada, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas máximas previstas ultrapassam 46 anos de prisão. As diligências foram realizadas em Três Passos e Gravataí, no Rio Grande do Sul, Bragança Paulista, em São Paulo, e Casimiro de Abreu e Rio das Ostras, no Rio de Janeiro, com apoio das polícias civis fluminense e gaúcha. A PCDF informou que as investigações continuam para identificar outros integrantes do grupo, além dos responsáveis pelo fornecimento das credenciais utilizadas para acessar os sistemas invadidos e a rede de revendedores da plataforma

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