Temporada do Araguaia movimenta construção civil, comércio e turismo em Goiás
Com impacto estimado em R$ 353,6 milhões, férias de julho aquecem hotéis, pousadas, restaurantes, serviços, pesca esportiva e obras de infraestrutura nos municípios do Vale do Araguaia
A temporada de férias de julho de 2026 no Rio Araguaia movimentou uma estimativa de R$ 353,6 milhões na economia da região Oeste de Goiás e reforçou o turismo como principal atividade econômica do Vale do Araguaia. O período, conhecido na região como o “Natal dos povos ribeirinhos”, atrai mais de 1 milhão de turistas por ano para os municípios do vale e amplia os efeitos econômicos sobre setores como hotelaria, comércio, serviços e construção civil.
O aquecimento da construção civil está diretamente relacionado à necessidade de ampliação da infraestrutura para atender a demanda de visitantes. Pesquisas realizadas em 2025 apontaram que 61,5% dos turistas ainda preferem acampar nas praias do Araguaia, enquanto 35,5% optam por hospedagem em áreas urbanas. O levantamento também indicou que cerca de três em cada quatro turistas que pernoitam na região ficam em residências próprias ou de amigos, cenário que evidencia demanda por novos empreendimentos hoteleiros e imóveis para locação por temporada.
Em São Miguel do Araguaia, o aumento da procura por materiais de construção começa antes do período de férias. A partir de abril, proprietários de pousadas, hotéis e casas de veraneio iniciam reformas e ampliações para preparar os imóveis para julho. Segundo Bruno Rodrigues, da Rede da Construção local, as vendas de tintas, cimento, pisos, tijolos e materiais elétricos registram crescimento significativo nos meses de maio e junho.
Em Luiz Alves, o empresário Vitor Santos Chander reformou uma unidade existente e construiu um novo hotel antes do início da temporada. O investimento foi motivado pelo aumento da procura por pesca esportiva e atividades de lazer na região. Com o início de julho, o perfil das vendas do setor também muda, passando a concentrar maior demanda por reparos de última hora e por itens utilizados em acampamentos, como lonas, telas de sombreamento, mangueiras, fios e caixas-d’água.
Dados do Instituto Mauro Borges (IMB), com base em transações via Pix, estimam que R$ 282,8 milhões da movimentação adicional registrada em julho tenham sido realizados por meio dessa modalidade de pagamento. O levantamento considerou os municípios de Aruanã, Aragarças, Britânia, São Miguel do Araguaia, Nova Crixás e Montes Claros de Goiás.
Expectativa de arrecadação em Aruanã
Em Aruanã, principal porta de entrada do turismo no vale, a expectativa de arrecadação direta supera R$ 20 milhões durante a temporada. A ocupação da rede hoteleira chega a 100% nos períodos de maior movimento, levando o setor de serviços a ampliar equipes e reforçar estoques. O gasto médio por visitante, conforme levantamentos de temporadas anteriores, é de aproximadamente R$ 1.000, distribuídos entre hospedagem, alimentação e lazer.
Os efeitos da temporada também alcançam trabalhadores autônomos e comunidades ribeirinhas. Atividades ligadas à gastronomia, transporte por aplicativo, locação de embarcações e serviços de manutenção registram aumento de demanda durante o mês de julho. Matheus Alves, trabalhador autônomo da área de manutenção geral, afirma que a renda durante a temporada chega a ser três vezes superior à obtida em meses comuns, com atuação concentrada em condomínios localizados às margens do rio.
A pesca esportiva permanece entre as atividades de maior movimentação econômica no período. Guias de pesca associados à Aspega recebem visitantes de Estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de turistas dos Estados Unidos e do Japão. As diárias cobradas pelos guias podem alcançar R$ 1.000, enquanto o transporte de barco para acampamentos varia entre R$ 50 e R$ 520 por viagem. O comércio de iscas vivas também registra movimento até três vezes superior ao habitual durante a temporada.
Preservação ambiental
O crescimento da atividade turística ocorre paralelamente à necessidade de preservação ambiental. A gestão de resíduos e a proteção das margens do Rio Araguaia permanecem entre os principais desafios apontados por lideranças locais e especialistas. A atuação conjunta entre órgãos públicos e iniciativa privada, incluindo ações de capacitação voltadas ao comércio e aos serviços, integra as estratégias adotadas para o atendimento durante a temporada de 2026.
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