quinta-feira, 8 de outubro de 2026
NEGÓCIOS

Brasileiro troca o presente comum por experiências no Dia dos Pais

Pesquisa aponta aumento do gasto médio e da intenção de compra em 2026

Otavio Augustopor em
Brasileiro troca o presente comum por experiências no Dia dos Pais
Divulgação/ CDL-MG

O Dia dos Pais continua entre as datas mais importantes para o varejo brasileiro, mas o comportamento do consumidor mudou. Em vez de escolher apenas um presente, muitos brasileiros procuram algo que represente afeto, personalidade e experiências. Essa transformação tem levado o comércio a investir em campanhas mais criativas, ações presenciais e produtos com maior valor emocional.

A expectativa para o setor é positiva. Pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), em parceria com o Datafolha, estima que a data movimente cerca de R$ 9 bilhões em compras neste ano. Já levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil projeta um faturamento de R$ 29,7 bilhões entre comércio e serviços, com aproximadamente 104 milhões de consumidores indo às compras.

O gasto médio também aumentou. Segundo a CNDL, cada consumidor pretende desembolsar cerca de R$ 286, acima dos R$ 255 registrados em 2025.

Compra começa nas redes sociais

Antes de visitar uma loja, a maioria dos consumidores pesquisa referências na internet. Dados da CNDL mostram que 75% dos brasileiros buscam inspiração antes de comprar. Instagram (31%) e Google (30%) lideram as consultas, seguidos por marketplaces (25%), YouTube (23%) e TikTok (21%).

Pai
Reprodução/ TV Fronteira

Outro levantamento, realizado pela DM, revela que 66,5% dos consumidores pesquisam preços online antes de fechar a compra. Mesmo com promoções influenciando parte das decisões, a situação financeira continua sendo o principal fator considerado por 26,7% dos entrevistados.

Experiência ganha espaço no comércio

A busca por presentes mais personalizados também tem mudado a estratégia dos lojistas. Em Goiânia, shoppings e centros comerciais passaram a apostar em campanhas que valorizam momentos entre pais e filhos, oferecendo brindes e ações que vão além da compra tradicional.

A proposta acompanha uma tendência observada em todo o varejo: criar experiências capazes de fortalecer o relacionamento com o consumidor e aumentar o tempo de permanência nos estabelecimentos.

Plantas entram na lista de presentes

Além das roupas, perfumes e eletrônicos, cresce a procura por presentes ligados ao bem-estar e à sustentabilidade. As plantas ornamentais aparecem entre as alternativas que ganham espaço nos últimos anos.

Segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), a cadeia de flores e plantas ornamentais movimentou R$ 21,23 bilhões em 2024, impulsionada pela maior procura por espécies destinadas à decoração e também para presentear.

Pesquisas científicas reforçam esse movimento. Um estudo da Universidade do Colorado identificou que pessoas que praticam jardinagem apresentam redução dos níveis de ansiedade e estresse, além de adotarem hábitos mais saudáveis, como aumento da atividade física e melhor alimentação.

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Psicologia explica a dificuldade de presentear

Para a psicóloga clínica Soraya Oliveira, a dificuldade em escolher um presente para os pais muitas vezes está ligada à própria relação entre pais e filhos.

Segundo ela, muitos homens foram educados para expressar menos seus desejos e preferências, tornando mais difícil identificar aquilo que realmente gostariam de ganhar. Ao mesmo tempo, mudanças culturais fizeram com que eles passassem a demonstrar mais seus interesses e cuidados pessoais.

A especialista afirma que presentes escolhidos a partir da rotina, dos hobbies e da personalidade costumam ter maior significado do que aqueles definidos apenas pelo preço.

Crédito segue impulsionando as vendas

As formas de pagamento também ajudam a explicar o bom desempenho esperado para a data. Pesquisa da DM mostra que 59,3% dos consumidores pretendem utilizar o cartão de crédito parcelado, enquanto 24,3% optarão pelo crédito à vista. O PIX aparece em seguida, com 6,8%.

Apesar do uso do parcelamento, o consumidor demonstra cautela. Segundo o levantamento, 64,5% das compras deverão ser divididas em até quatro parcelas, indicando preocupação em manter o orçamento sob controle.

 

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