sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Economia

Copom deve reduzir taxa Selic para 14% e manter ciclo de queda dos juros

Mercado espera novo corte da Selic para 14% ao ano nesta quarta-feira

Otavio Augustopor em
Copom deve reduzir taxa Selic para 14% e manter ciclo de queda dos juros
Foto: Divulgação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (5) para definir o novo patamar da taxa básica de juros da economia. A expectativa predominante do mercado financeiro é de um corte de 0,25 ponto percentual. Caso a projeção se confirme, a Selic passará de 14,25% para 14% ao ano.

Além disso, essa será a quarta redução consecutiva da taxa básica. Com isso, a Selic atingirá o menor nível desde março de 2025. A decisão do Banco Central será divulgada após as 18h.

Mesmo com a redução, o Brasil continuará entre os países com as maiores taxas de juros reais do mundo, quando considerado o desconto da inflação projetada para os próximos doze meses.

Por que o Banco Central pode reduzir os juros?

A definição da Selic considera, principalmente, as projeções para a inflação. O Banco Central utiliza o sistema de metas de inflação para orientar a política monetária. Quando as expectativas ficam próximas da meta estabelecida, existe espaço para reduzir os juros. Por outro lado, quando as projeções permanecem elevadas, a tendência é manter ou elevar a taxa.

juro
Foto: Divulgação

Desde o início de 2025, a meta contínua de inflação passou a ser de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Embora as estimativas de inflação para os próximos anos ainda permaneçam acima da meta central, os indicadores recentes mostraram desaceleração dos preços, principalmente no grupo de alimentos. Esse cenário reforçou a expectativa de continuidade do ciclo de cortes.

O que ainda preocupa o mercado?

Apesar da melhora dos indicadores de inflação, economistas apontam fatores que exigem cautela. Entre eles estão o mercado de trabalho aquecido, a atividade econômica resiliente e as incertezas no cenário internacional.

Além disso, a retomada das tensões no Oriente Médio elevou os preços do petróleo, o que pode pressionar a inflação por meio do aumento dos combustíveis. Nos últimos dias, entretanto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende retomar negociações com o Irã, movimento acompanhado pelos mercados.

Segundo especialistas, esse conjunto de fatores pode influenciar a comunicação do Copom sobre os próximos passos da política monetária.

Foto: Divulgação

O que esperar para os próximos meses?

As projeções do mercado financeiro indicam que o ciclo de redução dos juros pode continuar até o fim deste ano. A expectativa atual aponta para uma Selic de 13,75% ao ano em dezembro, o que pressupõe mais um corte na última reunião do Copom prevista para 2026.

Ao mesmo tempo, o Banco Central seguirá monitorando o comportamento da inflação, das expectativas do mercado e do cenário internacional antes de definir novas reduções.

Dessa forma, mesmo que a Selic recue nesta quarta-feira, a política monetária deverá permanecer restritiva enquanto as projeções de inflação continuarem acima da meta.

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