quinta-feira, 17 de setembro de 2026
EDUCAÇÃO

IA avança nas escolas, mas desafios ainda limitam uso da tecnologia

Goiás amplia a incorporação desses recursos na rede estadual em meio a desafios de infraestrutura, conectividade, formação docente, proteção de dados e uso responsável por estudantes

Anna Salgadopor em
IA
Cenário é marcado pela entrada em vigor da Lei nº 15.100/2025, que regulamenta o uso de aparelhos eletrônicos portáteis por estudantes em instituições de ensino Foto: Divulgação/Seduc

A integração de tecnologias digitais e da inteligência artificial (IA) generativa tem acelerado a transformação do ensino no Brasil, ampliando o acesso a recursos digitais e modificando práticas pedagógicas em diferentes redes de ensino. O avanço da conectividade ocorre ao mesmo tempo em que escolas, professores e gestores enfrentam desafios relacionados à infraestrutura, à formação docente, à inclusão digital, à proteção de dados e ao uso responsável dessas tecnologias por estudantes. Dados da pesquisa TIC Educação 2025 mostram que a maior parte dos alunos do Ensino Fundamental e Médio utiliza a internet regularmente e que o ambiente escolar se consolidou como um dos principais espaços de acesso e uso de tecnologias digitais.

O cenário também é marcado pela entrada em vigor da Lei nº 15.100/2025, que regulamenta o uso de aparelhos eletrônicos portáteis por estudantes em instituições de ensino. A legislação integra um conjunto de medidas voltadas à proteção da saúde física e psíquica de crianças e adolescentes, em paralelo às discussões sobre o chamado ECA Digital e à ampliação das políticas de proteção de dados de menores no ambiente escolar.

A infraestrutura de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) nas escolas brasileiras apresenta evolução, embora ainda registre desigualdades regionais. O uso de computadores e tablets fornecidos pelas próprias instituições cresceu nas escolas estaduais nos últimos anos, enquanto parte das redes particulares reduziu o acesso à internet em sala de aula em razão de políticas voltadas à diminuição de distrações durante as atividades escolares.

A utilização efetiva desses recursos também depende das condições de infraestrutura e da mediação pedagógica. A maioria dos professores utiliza tecnologias digitais em atividades educacionais, mas uma parcela expressiva dos docentes da rede pública ainda relata dificuldades relacionadas à velocidade da conexão e à ausência de recursos educacionais digitais, como softwares especializados, plataformas pedagógicas e equipamentos de robótica.

As tecnologias digitais têm sido incorporadas ao cotidiano escolar para personalizar o ensino e adaptar conteúdos e ritmos de aprendizagem às necessidades dos estudantes. Sistemas de tutoria inteligente e plataformas educacionais vêm sendo utilizados para recomendar conteúdos personalizados, apoiar revisões e auxiliar na preparação para exames, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Na área da inclusão, recursos como leitores de tela, tradutores automáticos e outras tecnologias assistivas ampliam o acesso à educação para alunos com deficiência.

Ao mesmo tempo, especialistas discutem os impactos do uso excessivo ou inadequado dessas ferramentas no processo educativo. Plataformas digitais estruturadas para maximizar o tempo de permanência e o engajamento dos usuários podem dificultar a concentração e a autorregulação emocional de crianças e adolescentes. Também há preocupação com os efeitos da automação sobre a interação humana no ambiente escolar e sobre o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, além do aumento do risco de plágio e fraude em atividades acadêmicas a partir da utilização de ferramentas de IA generativa.

Os dados da TIC Educação 2025 mostram que a incorporação da inteligência artificial nas escolas ainda ocorre de forma limitada. Apenas 37% das instituições brasileiras permitem que estudantes utilizem IA em atividades educacionais, índice que chega a 47% nas escolas estaduais. A pesquisa também aponta que 51% das escolas proíbem que os alunos levem celulares para o ambiente escolar, enquanto outras redes determinam que os aparelhos permaneçam guardados durante o período de aula.

Outro destaque da edição de 2025 é a ampliação do debate sobre saúde mental. O impacto das tecnologias digitais no bem-estar psicológico dos estudantes passou a ser discutido em 80% das escolas brasileiras, avanço em relação aos 62% registrados anteriormente. O tema ganhou espaço nas políticas escolares em meio ao aumento das preocupações com uso excessivo de telas, ansiedade, concentração e relações sociais mediadas por plataformas digitais.

Cenário estadual em relação ao uso da IA na educação

Em Goiás, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc-GO) lançou o “Guia Pedagógico para o Uso da Inteligência Artificial na Educação Básica”, voltado à capacitação de professores para a utilização ética, criativa e responsável da IA no ambiente escolar. O documento parte do princípio de que o papel do professor permanece central no processo de ensino, mas pode ser fortalecido pelo uso de novas ferramentas capazes de ampliar possibilidades pedagógicas e aproximar a escola da realidade digital dos estudantes.

O guia orienta a utilização de diferentes plataformas para apoiar a prática docente. Entre elas está a Teachy, voltada ao planejamento de aulas e elaboração de atividades; a Magic School, destinada à geração de conteúdos pedagógicos e atendimento individualizado; o Google Gemini e o ChatGPT, recomendados para apoio à resolução de dúvidas, programação e produção de textos; e a Gamma.app, utilizada para criação de apresentações e slides interativos. O material também orienta professores a estruturar comandos específicos para a IA, criando perfis de atuação da ferramenta e utilizando referências como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Documento Curricular de Goiás.

A estratégia da Seduc-GO prioriza o desenvolvimento de competências digitais que vão além do domínio técnico das ferramentas. O documento destaca habilidades relacionadas ao pensamento crítico, à adaptabilidade, à resolução de problemas e ao protagonismo dos estudantes no uso da tecnologia, incentivando a utilização de recursos digitais para criação de projetos, produção de conteúdo e participação em iniciativas de impacto social.

O avanço da inteligência artificial também ampliou o debate sobre o papel dessas ferramentas no processo pedagógico. Pesquisadores apontam que sistemas capazes de identificar padrões de aprendizagem podem influenciar a forma como professores interpretam o desempenho dos estudantes e organizam intervenções pedagógicas. Nesse contexto, a IA deixa de ser apenas um recurso técnico e passa a integrar decisões que anteriormente dependiam exclusivamente da avaliação humana.

Especialistas também discutem o risco de enfraquecimento do pensamento crítico quando estudantes passam a delegar à inteligência artificial tarefas de organização, planejamento e produção textual. A preocupação está relacionada à possibilidade de elaboração de trabalhos formalmente corretos, mas sem compreensão aprofundada do conteúdo. Outro ponto recorrente envolve a chamada “caixa-preta algorítmica”, expressão utilizada para descrever sistemas cujos critérios de funcionamento e tomada de decisão nem sempre são transparentes para professores, alunos e instituições.

Além da transparência, há preocupação com a reprodução de preconceitos e desigualdades estruturais quando algoritmos são treinados com bases de dados enviesadas. Esse cenário reforça a necessidade de letramento em inteligência artificial e educação midiática, de modo que estudantes compreendam como essas tecnologias operam, identifiquem limitações e avaliem criticamente as informações produzidas por sistemas automatizados.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
avança escolas ia

Veja também

jóquei clube

Disputa milionária

Jóquei Clube contesta dívida de R$ 62 milhões em IPTU em Goiânia

Defesa aponta isenção por tombamento, questões ambientais e divergências nos cálculos apresenta...
Ossada humana é encontrada durante buscas por homem desaparecido em Aparecida

Investigação

Ossada humana é encontrada durante buscas por homem desaparecido em Aparecida

Restos mortais foram localizados em área de mata a cerca de 2 km do local de acidente envolvendo Je...
Sem aumento na catraca, transporte coletivo terá custo maior para governos na rede metropolitana de Goiânia

Transporte

Sem aumento na catraca, transporte coletivo terá custo maior para governos na rede metropolitana de Goiânia

Valor de remuneração passa para R$ 12,66, o que amplia a diferença que precisa ser bancada pelo E...
El Niño

el niño

Ministério da Saúde monitora efeitos do El Niño em 399 municípios do Centro-Oeste

Ministério da Saúde prepara rede para possíveis impactos do fenômeno, com previsão de seca, cal...
Operação mira grupo suspeito de levar cocaína da Bolívia ao Brasil em aviões

Tráfico internacional

Operação mira grupo suspeito de levar cocaína da Bolívia ao Brasil em aviões

Ação conjunta cumpre 21 mandados em quatro estados e determina sequestro de cinco aeronaves ligada...
Goiânia terá calor de 35°C antes de chance de chuva nesta quinta (17)

PREVISÃO DO TEMPO

Goiânia terá calor de 35°C antes de chance de chuva nesta quinta (17)

Capital terá muitas nuvens durante todo o dia, umidade mínima de 30% e possibilidade de chuva isol...
Novo concurso Sefaz SP terá 60 vagas para nível superior

Concurso Público

Novo concurso Sefaz SP terá 60 vagas para nível superior

Cargo de analista em Planejamento, Orçamento e Finanças Públicas oferece salário inicial de R$ 6...
CCJ aprova projeto que unifica entrada em terminais de ônibus de Goiânia

MOBILIDADE URBANA

CCJ aprova projeto que unifica entrada em terminais de ônibus de Goiânia

Proposta estabelece entrada única para passageiros e determina embarque e desembarque pela porta tr...